Animes

Melhores animes de 2015: elegemos os grandes destaques do ano

Os melhores animes de 2015 - além de outros animes que você deve assistir -, e o grande destaque do ano, escolhidos pelo GeekBlast.


Com tantas séries que saíram em 2015, é fácil se perder. Ação, aventura, romance, comédia, não importa. São tantos animes que a melhor opção para saber o que assistir, é premiar aqueles que mais se destacaram durante o ano. Essa retrospectiva é justamente para mostrar quais foram os melhores animes de cada gênero que saíram esse ano, escolhendo um "representante" maior para cada gênero. Difícil tarefa, já que muitas séries se encaixam perfeitamente em diversos gêneros, sem perder a força nem a credibilidade. Difícil, não impossível. Aqui vai a seleção dos melhores animes de 2015.

Ação

Foram tantos ótimos animes de ação que saíram esse ano, que ficou muito difícil escolher o representante do grupo. Bons animes de ação são aqueles que fogem da fórmula simples: uma história leviana com animações "medianas". Os bons animes apresentam ótima qualidade audiovisual, uma história interessante, personagens marcantes e uma dosagem cirúrgica de comédia.

Rin e Archer: dupla volta ainda mais poderosa na nova temporada
Com essa perspectiva, podemos marcar como genial, e melhor anime de ação 2015, o show Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works (Season 2). Quem assistiu, sabe do que eu estou falando. Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works (Season 2) apresenta as melhores e mais interessantes versões de Emiya Shirou, Rin Tousaka e Saber que já fizeram para as séries Fate. Desprendidos da infantilidade que os perseguia em versões anteriores, os personagens se apresentam como figuras maduras em um jogo de sobrevivência com regras perigosas, alianças poderosas e um constante enfrentamento até a morte. A animação da série é tão boa que a internet até criou um apelido: Fate/Stay Night: Unlimited "Budget" Works (algo como "recursos ilimitados" no português). O áudio então, é a cereja do bolo.
Ação desse nível pode ser esperada em todos os episódios da série
Assistir à Fate/Stay Night: Unlimited Bladeworks (Season 2) é uma viagem épica do começo ao fim. A série retoma os acontecimentos da primeira temporada (que saiu em 2014, senão estaria junto aqui, com certeza). Com a morte de Caster, restam poucos competidores na Guerra Santa. Archer e Saber, agora são inimigos, e a aliança mais forte se transforma na mais difícil provação para Emyia Shirou, que pretende usar o Santo Graal para mudar sua história e consequentemente o futuro.
Alguém deve estar se perguntando o porquê de One-Punch Man não estar representando essa categoria, já que eu falei tão bem dele no post sobre os melhores animes do Outono de 2015. Pois é. Por mais sensacional que seja OPM, a série não tem o que Fate/Stay Night teve de sobra esse ano: uma história forte. Saitama e Genos formam uma boa dupla, os heróis classe S que reinam sobre as cidades do mundo de OPM são todos bem interessantes, mas por muitas vezes, a história se mostrou um tanto quanto ingênua. Fate/Stay Night é cheia de mistérios, um humor comedido e bem centrado, além de ter uma dose de romance que é altamente relevante para o decorrer da trama.

Concluindo, Fate/Stay Night: Unlimited Bladeworks (Season 2) fica com o prêmio do gênero ação deste ano, por apresentar tudo de bom que um anime de ação pode sonhar em ter. Recomendação forte para quem já é fã da série e também para quem ainda está em dúvida se deve começar a ver.

Menções honrosas: One-Punch Man; Gangsta.; Dragon Ball Super; Tokyo Ghoul A, Gatchaman Crowds Insight

Aventura

"Aventura", por sua vez, é um gênero bem parecido com ação. Eu gosto de diferenciar os dois, pois seus focos estão em outros lugares. Animes de aventura, em geral, focam mais na setup, na construção do mundo em que a história se passa. Berserk é um ótimo exemplo de um anime de aventura, que pode muito bem se passar por um anime de ação. A construção do cenário obscuro, depressivo e perigoso de Berserk é um dos focos principais da série. Resumindo mal (muito mal), animes de aventura são animes de "imersão". Não é a toa que esses animes são bem representados por mundos digitais de um jogo RPG ou antigas realidades habitadas por elfos, orcs ou cavaleiros. Sem mais enrolação, o vencedor da categoria, o anime de aventura que mais cativou esse ano, foi Overlord.
Momonga-san. Opa, não, Ainz Ooal Gown-san.
Overlord é muito bom. Quando eu digo "muito bom", é porque é mesmo. De começo, pareceu que o anime se aproveitaria da fama de Sword Art Online para criar uma jornada em um JRPG onde o jogador ficaria preso, faria amigos e seria justo e respeitoso com todos. Um verdadeiro herói. Errado. Overlord é a história de um jogador que ficou preso em um RPG, sim, mas antes mesmo de ficar preso nesse novo mundo, nosso "herói" já tinha se esforçado infinitamente para se tornar o incrível e poderoso Momonga, líder da guild de vilões Ainz Ooal Gown. O objetivo da guild era guardar a torre (a dungeon) mais difícil e desafiadora do jogo. Depois de ficar preso sozinho no jogo, Momonga se dedica à continuar esse legado, influenciando na nova sociedade que se formou.

Essa setup, além de ser inovadora, em certo sentido, mostra um lado diferenciado dos RPGs que não estamos acostumados a ver nos animes: o lado dos vilões. Momonga é humano na vida real, ele tem seus problemas de orgulho, auto-estima e medo. Mas para se tornar realmente a figura poderosa e amedrontadora do "lord das trevas", ele precisa tomar ações que contradizem aquilo que ele acredita. À medida que ele começa a se aceitar como um vilão, um líder independente que não responde à ninguém, Momonga se torna uma figura enigmática e instigante.
Independente de categoria, Overlord é um anime de alta qualidade. Recomendação pra quem gosta de RPGs ou animes inspirados neles.

Menções honrosas: Arslan Senki; Gate: Jieitai Kanochi nite, Kaku Takakaeiri; Dungeon ni Deai wo Motomeru no wa Machigatteiru.

Mecha

Infelizmente, esse ano foi muito limitado para os animes do gênero. Os poucos que saíram, tentaram inovar demais, talvez achando que as antigas fórmulas da categoria estavam passadas, e pecaram feio na hora de executar as novas ideias. O gênero é famoso por já ter nos presentado muitas pérolas. Evangelion é um exemplo. Umas das minhas séries favoritas de todos os tempos e um dos primeiros animes que assisti na vida (espero inocentemente pelo lançamento do quarto filme, mas sei que nunca vai sair). Então, nada mais justo: vamos dar uma atenção especial para o vencedor da categoria.
Mobile Suit Gundam - Iron-Blooded Orphans
Mobile Suit Gundam - Iron-Blooded Orphans é mais um capítulo na grande franquia Gundam, e é simplesmente sensacional. Bem desenhado, com ótimas animações e uma trama cheia de personagens altamente relacionáveis, Iron-Blooded Orphans faz jus ao legado que traz de todas as séries que vieram antes. A relação de irmandade entre Orga e Mika, lembra muito a relação dos irmãos de Gurren Lagann, que é a referência mais popular do gênero. Não que esse seja o ponto alto da série, mas a relação entre eles configura uma atmosfera amigável em uma setup muito intensa. A história segue um sistema solar pós-guerra entre a Terra e a colônia de Marte. Como consequência por perder a guerra, Marte se torna uma colônia fortemente explorada pela Terra. Os "marcianos" querem independência, depois de mais 300 anos vivendo em uma quase escravidão.
O enredo parece genérico, mas a execução é perfeita. Crises políticas, alianças mercenárias e batalhas entre facções que lutam pelos seus próprios interesses, criam, para a surpresa de todos, um universo em que se pode acreditar. Um futuro que não parece estar fora de alcance. Isso é raro em animes Mecha. Tal detalhe me chamou muito a atenção e me fez gostar muita dessa série. Claro, algumas semelhanças com outras séries Gundam são inevitáveis, mas Iron-Blooded Orphan é um capítulo único, que promete impressionar no decorrer dos próximos anos. A primeira temporada, pelo menos, é o melhor mecha desse ano, sem dúvidas.

Menção honrosa: Comet Lucifer.

Terror

Outra categoria que não se destacou muito esse ano. Pelo menos não em quantidade, porque em qualidade, galera... Não vou me enrolar muito, e já vou anunciando de cara, que o anime que ganhou o prêmio de melhor na categoria terror, é, para mim, o segundo melhor anime lançado esse ano, sem discussão: Death Parade.
Não se engane pelas aparências: Death Parade é terror, sim
A ideia é simples: quando duas pessoas morrem ao mesmo tempo, suas almas são enviadas a um lugar onde elas devem jogar um jogo. Um jogo de sorte e habilidade, que irá decidir o destino das almas dos jogadores: reincarnação ou limbo. O detalhe crucial é que os jogadores não sabem que estão mortos e acham que o vencedor do jogo poderá permanecer vivo. Na teoria, não existem regras, e cabe ao árbitro do jogo, decidir quem vai e quem fica.

A simplicidade da ideia, porém, não reflete a execução do anime. Difícil descrever como me senti ao acompanhar essa série. Pesado, desconfortável, ansioso. Porém, em diversos momentos, me senti nostálgico, aliviado e até feliz. Emocionante e desafiador, Death Parade é um dos animes mais complexos, psicologicamente falando, que eu já assisti em toda a minha vida. São apenas 12 episódios, mas a história é concisa, suficiente. Não sobra, não falta. Não há pecados na Death Parade. Me arrisco muito a dizer que o anime é perfeito. Cabe aqui dizer, que de mais de 200 séries que já assisti, essa está facilmente no meu top 10.
OK, estou me perdendo um pouco na emoção e não estou dando muita explicação. Para quem assistir, basta saber que o anime não é apenas sobre duas pessoas jogando um jogo de "sobrevivência", mas duas pessoas se descobrindo, entendendo os motivos de suas ações em vida e como isso influencia suas pós-vidas. Seja você um assassino ou delegado, uma tradicional dona-de-casa japonesa ou apenas um empresário deprimido, no final das contas, na hora do julgamento, não são apenas as suas ações que importam, mas também como você trata as pessoas ao seu redor, como você se comporta quando confrontado com situações de risco, seus ideais, suas emoções. Talvez esse seja o terror de Death Parade: olhar para dentro e perceber que suas noções podem estar erradas, e que no fim da vida elas tem um peso enorme.

Ah, e repara nessa abertura. Melhor OP 2015, pronto, tá dito.

Menção honrosa: Kagewani.

Nonsense

Antes de tudo, gostaria de confirmar que sim: essa categoria eu "inventei". O toque mais pessoal que posso deixar nesse lista, é essa categoria. Em alguns sites, encontraríamos essa categoria como supernatural, mas acredito ser um nome muito vago para tratar de animes. Então, por pura vaidade, acredito que alguns animes não se encaixam em nenhuma categoria, pois são loucos demais para serem restringidos, logo, nonsense. Exemplo? Durarara!! Já assistiu? Se sim, tenta me explicar qual o gênero dessa mistura louca de ação sobrenatural com gangues e channers revoltados. Pra mim, pelo menos, sempre foi impossível. Neste ano saíram dois arcos da segunda temporada de Durarara!! e novamente eu não soube como encaixá-los no cenário geral. Arcos muito bons, por sinal, mas o vencedor conseguiu ser mais nonsense ainda.
Kekkai Sensen ou Blood Blockade Battlefront em inglês
Kekkai Sensen é engraçado, surreal e pura diversão. A história é interessante, complicada e por muitas vezes quem assiste fica tão perdido que até pensa em desistir. Mas é tão bom voltar ao mundo de Kekkai Sensen, porque uma Nova York dividida entre dois mundos completamente diferentes, com criaturas esquisitas e amigáveis convivendo como se fosse tudo normal, é simplesmente algo que nunca se viu antes. Leo, o protagonista, é só uma das incríveis figuras poderosas que são os membros da sociedade secreta que visa proteger os dois mundos, Libra. Trabalhando nas sombras, esses guardiões dos mundos lutam usando o próprio sangue (pois é) como arma, contra vampiros e espíritos tão poderosos que ameaçam o equilíbrio tão difícil de ser mantido.

A setup de Kekkai Sensen permite um universo onde ninguém tem preconceitos. Humanos e monstros convivendo pacificamente em uma cidade que é símbolo de diversidade no mundo inteiro. Portanto, todo episódio é um choque de culturas e personagens completamente diferentes uns dos outros. Ao fim de cada episódio, vê-se um esforço do estúdio em deixar o espectador completamente sem palavras. Seja com as situações inusitadas que os personagens tem que aguentar ou as batalhas épicas e altamente destrutivas que a Libra tem que travar todos os dias.
Para quem quer dar boas risadas e ainda por cima assistir uma série bem animada, com cenários cheios de cor, Kekkai Sensen é uma boa escolha.

Menção Honrosa: Durarara!!x2.

Comédia

Chegamos então nas seções mais "tranquilas". Animes focados em comédia, em geral, são bem engraçados. O diferencial, então, cai em como as situações cômicas e as piadas são desenvolvidas em relação ao contexto da história. Temporada passada, por exemplo, nós ganhamos um belo presente: Shimoneta. O nome é comprido demais para colocar aqui, então fica só o apelido da série mesmo. Não vale aqui entrar na discussão de como a sexualidade é quase um tabu na cultura japonesa (longe dos animes e mangas, pelo menos), mas é bom saber que ela existe. Shimoneta foi engraçado, por conduzir essa discussão de maneira inteligente, exagerada, cheia de piadas "sujas" e muito fanservice. Um exemplo de bom anime de comédia. Um bom contexto, ou seja, uma história relacionável e por vezes uma crítica da realidade. O anime que executou isso melhor que Shimoneta, esse ano, foi sem dúvida Shokugeki no Souma.
Shokugeki no Souma é simples na proposta: ser muito engraçado
Você já imaginou assistir um anime de comédia sobre culinária? Até o lançamento de Shokugeki no Souma, eu não fazia ideia de que isso podia existir. Nem o mangá eu conhecia. Quando comecei a assistir/ler, não consegui parar. Todo episódio, é um prato novo, uma receita mítica, que consegue, mesmo sendo um desenho, dar água na boca. Não é exagero, os desenhos são bem feitos mesmo. Para quem, assim como eu, não sabe cozinhar quase nada além de um mediano strogonoff, esse anime é uma porta para um novo mundo.

Souma, nosso herói, é filho de um dono de um pequeno restaurante japonês. Um dia, porém, seu pai sai em viagem. Para não deixar o filho cuidando do restaurante, ele manda o garoto para um renomado colégio de culinária, que tem padrões de aprovação tão rígidos, que apenas uma pequena seleção dos melhores cozinheiros conseguem se formar. Souma não é sofisticado, não é artista, nem influente no mundo da culinária, mas seus pratos são inovadores e deliciosos. O suficiente para que ele se torne rapidamente um grande candidato à melhor chef da escola.
Assistir a Shokugeki no Souma é uma experiência nova a cada episódio. Na prática, uma receita por episódio, e chegando no final já estaríamos de saco cheio. O legal é que a série apresenta essas receitas em contextos super engraçados e inusitados. Os personagens são bem trabalhados, todos com  características marcantes e cômicas. Outro fator que contribui para o humor do anime, é o seguinte: quando as pessoas comem algum prato de Souma, elas explodem em um prazer gastronômico absurdo. Quer ver?

Claro, esse aspecto não deixa de ser um fanservice forte, mas mesmo assim, é fácil de relevar, já que todas as vezes que isso acontece, é muito engraçado.

No mais, Shokugeki no Souma é bem genérico. Não deixa de ser um shonen. Relevados alguns probleminhas de storytelling, o anime é perfeito para quem quer dar umas boas risadas e de quebra aprender a cozinhar alguma coisa diferente do tradicional arroz com ovo (PS.: não assista quando estiver com fome, estou avisando já, para não vir reclamar comigo depois).

Menções Honrosas: Shimoneta to Iu Gainen ga Sonzai Shinai Taikutsu na Sekai; Osomatsu-san; Himouto! Umaru-chan; Prison School.

Romance

Ore Monogatari
Começo confessando que sou relativamente novo nessa vida de animes de romance. Nunca tive muito interesse, mas há alguns meses, descobri que existem algumas séries do gênero que são fantásticas. Toradora por muito tempo foi o exemplo que eu dava para todo mundo que me pedia uma recomendação. Agora, porém, a recomendação é sempre a mesma: Ore Monogatari.

A história de Takeo, um rapaz que está entrando no ensino médio, forte, alto, não aparenta a idade que tem e é admirado e amado por todas as pessoas que o conhecem. Exceto as garotas por quem ele se apaixona (provavelmente por causa de sua aparência "diferenciada"). Todas elas acabam se apaixonando pelo bonitão, enigmático e anti-social amigo de Takeo, Suna, que por sua vez não quer nada com elas pois acha que namorar dá muito trabalho. Só que certo dia, no metrô, Takeo salva uma garota dos assédios de um hentai ("pervertido"). Essa garota, Yamato, se apaixona por Takeo, apesar de o próprio rapaz não acreditar. Começa uma história de amor nada convencional.


Takeo é engraçado, gentil, corajoso, forte, ingênuo e sincero. Yamato é fofa, educada, tímida, inteligente, prendada e simpática. O casal mais estereotipado de um anime romântico. O grande diferencial, que faz desta série uma obra única, é que o relacionamento dos dois não é platônico, enrolado e cheio de problemas "novelísticos". Logo no começo da história, os dois já declaram seu amor e começam a namorar. Não é uma história sobre "será que eles vão ficar juntos?", mas "como eles vão lidar com esse novo relacionamento?" Isso é tão bom, que fica difícil de explicar. Uma crônica super bem-humorada e nostálgica sobre primeiros amores e namoros. A forma como a história se desenvolve é incrível. Cada episódio que passa, Yamato e Takeo se firmam como personagens complexos, com uma carga emocional densa. Suas emoções são palpáveis, reais. Aflições pré-primeiro encontro, a tensão do primeiro beijo, o primeiro "eu te amo". Tudo representado de uma maneira leve, com uma boa dose de humor.

Impossível não assistir à Ore Monogatari e não se pegar com um sorriso bobo na cara. Algumas vezes dá até para sentir aquela vergonha alheia do tipo "meu... eu já fiz isso, não acredito". Se você ainda tem alguma dúvida se deve se aventurar nesse gênero, porque acha que não faz seu estilo, pode confiar: Ore Monogatari é perfeito, em todos os sentidos.

Menções Honrosas: Yahari Ore no Seishun Love Come wa Machigatteiru. Zoku; Akagami no Shirayuki-hime.

Drama

Aqui eu vou dar uma trapaceada, espero que me perdoem. Me explico: todos os animes que estão aqui, nesta lista, saíram exclusivamente em 2015. Mas tem um problema: o melhor drama dos últimos anos, saiu no final (fim mesmo) de 2014 e terminou em 2015. Ignorando meu paradoxo, trapaceando minha própria lógica, lhes apresento o melhor drama de 2015 (e provavelmente dos últimos 10 anos); Shigatsu wa Kimi no Uso.
Kaori e Kousei, os protagonistas da série
Shigatsu wa Kimi no Usoé um anime do gênero drama, com uma temática fortemente ligada à música clássica. O protagonista. Kousei, é um pianista gênio, um músico perfeito, que toca desde sua infância. O problema é que quando sua mãe morre, Kousei tem uma crise nervosa e passa a não conseguir mais ouvir as notas que toca em seu piano. Dois anos depois de seu último espetáculo, Kousei conhece uma garota, Kaori, uma violinista extrovertida, livre, espontânea. Kousei se apaixona por ela e por sua música. Começa uma história de amor, superação e amizade.

Bom, é difícil me explicar, sem apelar para a emoção por trás desse anime. Sou fã de música clássica como arte. Não que eu ouça todos os dias, mas quando me pego ouvindo, não paro, começo a filosofar e me emociono fortemente. Descobrir essa série foi uma revelação impressionante. Já no primeiro episódio, somos presenteados com duas músicas lindas, executadas de diferentes maneiras e hábitos. Kousei é rígido em sua execução. Sua música é exata, matemática. Ao tocar, ele se esforça de maneira à reproduzir fielmente a partitura do compositor. Kaori, por sua vez, é louca. Louca, no melhor dos sentidos. A música flui por sua personalidade. Seu tom é tão simpático quanto agressivo. Uma música legitimamente livre. Essas características dos personagens são expostas ao espectador em todos os episódios. A construção dos personagens, inclusive os coadjuvantes, se dá pela música, e pela maneira como eles interagem com ela.
Ao fim de Shigatsu wa Kimi no Uso (Your Lie In April em inglês) resta contemplação. Lembrar de todas as cenas dos concertos e performances. As animações são perfeitas. Não é um anime de música com propósito de ser bonitinho, é uma anime de música com a clara intenção de definir a arte musical como um processo complicado e gratificante. Os animadores do estúdio devem ter estudado música arduamente para conseguir casar tão bem a animação com as músicas. Simplesmente lindo de ver.

A história também é uma visão profunda da psicologia humana. Como as relações entre as pessoas podem influenciar emoções, atitudes e pensamentos. A superação de alguém que perdeu a fé no que faz, o surgimento de um amor "proibido" e complicado. 

Shigatsu é emocionante em todos os aspectos. É difícil não se impressionar. Também é difícil não chorar: chorei igual à uma criancinha, valeu, não me arrependo de nada.

Menção Honrosa: Plastic Memories.

MELHOR ANIME DE 2015

É AGORA GALERA. Depois de passear por todos (óbvio que não são todos) os gêneros, resta dizer qual é o anime que mais me hypou esse ano. Não importa gênero, categoria, tipo, jeito ou forma, o melhor anime de 2015, é bom por ser único de alguma maneira. Quer saber qual é? Você já deve saber. A capa dessa lista é sobre ele: Rokka no Yuusha.
Rokka no Yuusha (Braves of the Six Flowers)
Por que um anime que provavelmente poucas pessoas assistiram me impressionou tanto? Vou explicar. A sinopse e a premissa da série foram assim divulgadas: quando o mundo está em perigo, quando o Rei dos Demônios acorda de seu sono profundo para destruiu a humanidade, a Deusa escolhe seis heróis, os seis humanos mais fortes do planeta, para lutarem contra os demônios e salvarem a terra. Quando os heróis se encontram, porém, descobrem que estão em um grupo de 7 pessoas. Claramente, alguém é um traidor.

Quando comecei a assistir Rokka no Yuusha, eu sinceramente achei que seria uma série ruim. Genérica. Heróis salvando a humanidade da ameaça de demônios. Quantas vezes já não vimos isso? O que aconteceu, foi que a partir do episódio 5, eu quebrei a cara com força.Esse episódio divide as águas. A abertura muda: de uma melodia pop shonen para uma música pesada, representando a tensão do diferente rumo que a série toma. A setup muda: de um mundo aflito pela ameaça dos demônios, para um labirinto mortífero de onde ninguém pode sair (nem entrar). Os personagens mudam: todos os personagens passam a ser o inimigo. Com falta de provas e sobra de hipóteses, qualquer um pode ser o traidor.

Rokka no Yuusha apresenta um mistério aparentemente solucionável. Com o desespero por respostas, vem o medo. Do medo, a desconfiança. Personagens que você achava que fossem bonzinhos, revelam suas verdadeiras intenções e personalidades. A terrível batalha entre os 7 protagonistas toma proporções tão épicas de ação e mistério, que a jornada se torna um intenso jogo de malícias, truques e traições.
Adlet Mayer
Adlet, o protagonista "principal", é uma das maiores pérolas da série. Sagaz, engraçado, inteligente, sarcástico e pretensioso. Não é forte, mas tem destreza suficiente para derrotar qualquer inimigo. Com um arsenal infinito de granadas de fumaça, toxinas e armadilhas, Adlet é um herói diferente de todos os outros que já vi. Não que ele seja um anti-herói, não é, mas sua personalidade, seu ego, é um caso único na indústria. Adlet sabe que é bom, não nega que é bom e faz de tudo para provar que é, sem dúvidas, o "homem mais forte do mundo."

Além de Adlet, outra personagem completa a beleza que é uma série com protagonistas tão interessantes. Fremy Speeddraw é antissocial, silenciosa e antipática. Em determinado momento, Fremy se revela mais humana do que aparenta, com sentimentos controversos, uma mente conturbada com seu passado difícil. Mesmo lutando contra seu próprio psicológico, Fremy é forte e independente. Sente amor, medo, ódio e tristeza, mas não deixa isso abalar seus objetivos. Fremy é uma personagem única, que há muito não via.
Nota mental: Fremy é a melhor personagem do anime, deal with it
Apenas com Adlet e Fremy, essa série já seria boa por si, mas todos os outros personagens adicionam algo novo para o enredo e para o mistério que cerca os heróis. Todos tem peculiaridades, poderes únicos e sentimentos confusos e conflitantes. A marca forte de Rokka no Yuusha é claramente o elenco. Mas não é tudo.

O anime se completa o tempo inteiro. Todos os episódios resolvem um problema e criam outro no lugar. O clímax não resolve todos os problemas, ao contrário do que se imagina. Essa é outra grande característica do anime. O mistério não tem fim, as perguntas são infinitas. Um mundo, uma setup que seria facilmente considerada simples e ultrapassada, consegue se renovar, não deixando o espectador perder o interesse.
Sem enrolar ainda mais, concluo esta lista dizendo que Rokka no Yuusha tem seus erros, lógico, mas é tão fácil relevar e aceitar, que logo eles se tornam um charme, um adicional. Alguns de vocês não vão concordar com One-Punch Man não estar aqui, mas eu juro: a decisão foi difícil. Deixando outra coisa clara, também: as "menções honrosas" não estão ali de enfeite, aconselho fortemente que assistam todas. A escolha do "representante" da categoria é subjetiva, todos os animes mencionados nesta lista merecem ser assistidos, e provam que 2015 foi um dos melhores anos para a indústria em muito tempo. Bom, recado dado, assistam, se divirtam, curtam, comentem e, ainda mais importante, um Feliz 2016!

Gabriel Costa escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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