Cinema

Crítica: 3096 Dias - da inocência à escravidão

O drama vivido por Natascha Kampusch na vida real ganhou as telas em um longa de tirar o fôlego!

















Em uma década onde a empresa cinematográfica empenha-se em investir em efeitos especiais e moderna tecnologia para incluir emoção e prender o telespectador, 3096 dias é um representante rebelde. Sem apelar para a modernidade, o filme quase "cru" consegue ainda mais que explosões feitos em computação gráfica. O filme impacta - e muito.


Baseado em fatos reais, a história segue com cuidado precioso ao retratar a vida de Natascha Kampusch. Em 1998, aos 8 anos de idade, a jovem foi sequestrada. Apesar de extensa buscas pelos policiais e massiva cobertura da imprensa, não foi encontrada. Somente em 2006, devido a um descuido do raptor, ela conseguiu fugir.

A história rendeu um livro austríaco chamado 3096 Tage. A adaptação cinematográfica veio mais tarde: em 2013, na Alemanha, e recebeu o mesmo nome. O título é uma referência clara ao número de dias que Natascha passou ao lado de Wolfgang Priklopil, o sequestrador. A frieza retrata no livro é potencializada na telona.


Amelia Pidgeon interpreta com maestria Natascha aos 8 anos de idade. De forma sútil, acompanhamos ao confinamento brutal que a garota é submetida. Para passar o tempo, a jovem coloca roupas sentadas em cadeiras como se fossem pessoas para ela conversar. O ritmo do filme é lento, quase como uma lembrança ao telespectador do que Natascha está passando. Os momentos de silêncio incomodam. Os olhares de Amelia demonstram a dor e a confusão da jovem.

O filme é editado quase de forma documental. Ao indicar os dias passando, é possível a evolução de Wolfgang na obsessão pela jovem e também o progresso de Natascha, que aprende a passar os dias no cativeiro e a jogar o jogo do sequestrador, conseguindo coisas vitais: como um relógio para não enlouquecer com a passagem do tempo e o direito de comer todos os dias.



Outro elemento destaque do filme é a inclusão de sombras. Quanto mais velha Natascha fica, mais sombria são as cenas que se passam dentro do cativeiro. Quando Antonia Campbell-Hughes assume o papel de uma Natascha adolescente, as cenas tornam-se mais dramáticas e todos os momentos possuem o elemento de tensão no ar. É sufocante.

O filme é brilhante na escolha do elenco. Além de Amelia e Antonia, Thure Lindhardt rouba a cena como o sequestrador Wolfgang. As nuances dos personagens, mudanças de humor e até mesmo olhares que evocam intenções sem proferir uma só palavra, são algumas das façanhas do ator.



Com o envelhecimento de Natascha e Wolfgang, as intenções do sequestrador tornam-se mais evidentes. A obsessão evolui para uma paixão com sentimento de posse. Natascha não é mais uma mera criança em cativeiro, mas sim uma escrava sexual e emocional de Wolfgang.

Nos momentos finais do filme há mais uma vez o silêncio incômodo e a vontade de que tudo acabe. Além de prender a atenção, o filme não o deixará confortável durante os 111 minutos de duração. Vale a pena assistir.
Diego Piovesan escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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