Cinema

Kéfera Buchmann surpreende em É Fada

Primeiro longa da youtubber está nos cinemas de todo Brasil


Quando eu cheguei no cinema a primeira coisa que eu fiz, após comprar o ingresso, foi pegar um combo de pipoca com refrigerante. Com tantas críticas e xingos espalhados pela internet, imaginei que assistir É Fada seria uma experiência cômica rindo de vergonha alheia. Contudo a história não é bem assim.

Assim que anunciado o filme É Fada, a internet quebrou. Não pelo incentivo ao cinema nacional. Muito menos por ter um filme infanto juvenil que não seja da Xuxa ou do Didi. A internet quebrou por Kéfera Buchmann. A jovem youtubber iria pela primeira vez aparecer nas telonas.



Indiferente ao fato de Kéfera ter um canal no youtube de qualidade ou não (pois isso é um assunto subjetivo), algo deve ser levado em conta. A garota de Curitiba já havia participado de peças de teatro antes mesmo de ir para a internet. A preparação para se tornar atriz já ocorria desde muito antes dos haters e Kelovers (como se auto-intitulam os fãs de Kéfera) encherem a internet com opiniões diversas sobre a garota. Infelizmente, a briga entre amor e ódio tornou maior que o próprio filme, o que nos obriga a comentar sobre toda essa polêmica antes sequer de analisar o longa metragem.

Uma coisa é certa: a internet acerta ao falar que o filme tem suas falhas, mas erra quando mira em Kéfera como a culpada.



O filme conta a trajetória de uma garota chamada Júlia (Klara Castanho) que está passando por dificuldades juvenis: como o reconhecimento do primeiro amor, a emoção do primeiro beijo e os problemas de socializar em uma nova escola. Para tentar ajudar a garota, uma fada é enviada. A escolhida para a missão é Geraldine (Kéfera), uma jovem fada atrapalhada que está prestes a perder sua função de fada devido aos fracassos das últimas missões e precisa que esta missão dê certo para recuperar suas asas.

O problema gritante é o roteiro que prioriza a busca de Júlia por se encaixar no padrão das meninas do colégio - que são patricinhas, ricas e não largam o celular para nada. O filme nos mostra como uma garota cheia de atitude e personalidade passa por uma transformação para ser aceita: e o pior, tudo isso sendo aprovado por sua mãe como sendo a melhor escolha da vida. Como não podia deixar de ser, durante essa mudança de adaptação a fada - e as escolhas da garota - causam diversos problemas e situações embaraçosas.

No papel da Fada, percebemos que o personagem foi moldado para Kéfera - e não ao contrário. É difícil você não reconhecer os traços, atitudes e até mesmo piadas já usadas por ela no canal do Youtube. Ou seja, a personagem pode até ter um nome, ser uma fada, ter centenas de anos nas costas, mas ainda assim não deixa de ser Kéfera. A garota desempenha bem o papel e mostra que, sim, é uma boa atriz.


O filme não tem grandes revelações ou atuações de peso. O nível fica estável no aceitável, mas nada que deixe a desejar para uma produção do Didi, que é feito para a mesma faixa etária e com o mesmo humor 'água com açúcar'. As crianças vão gostar.

Contudo, a mensagem errada não é o único detalhe com falhas no filme. Muitas das piadas utilizadas ao decorrer do filme são com referências à internet e talvez não seja compreendida pelo público-alvo do filme, que é extremamente jovem. Já aos mais velhos, que acompanham as crianças no cinema, rende alguns momentos de risada. Outras piadas são de mau gosto e pesadas para o público-alvo.

No geral, É Fada torna-se mais um filme ameno que passa exaustivamente em alguns canais por assinatura. Ou seja, aquele que você não sente desejo de colocar por vontade própria para assistir, mas que acaba vendo se está com preguiça o suficiente para levantar do sofá para mudar de canal.
Diego Piovesan escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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