Cinema

Clinical - o terror psicológico do primeiro filme original Netflix de 2017

A produção promete terror. Só promete.


A Netflix já é referência na criação de documentários e séries. Não são poucas as indicações que as produções originais receberam para o Emmy e, recentemente, para o Oscar. Apesar disso, a empresa ainda patina em uma das apostas que tenta emplacar há dois anos: a produção de filmes originais de terror. Com Clinical, primeira produção original Netflix do ano, não foi diferente.

A promoção trouxe nomes conhecidos, como o diretor Alistair Legrand, e a atriz Vinessa Shaw como protagonista. O roteiro está mais refinado e detalhado que as duas últimas produções do mesmo gênero: "O Último Capítulo" e "Mercy". Contudo, ainda não está perto de produções que surpreendem os telespectadores.

O filme conta a história da psicanalista Jane Mathis (Vinessa Shaw) e seus pacientes. Ao mesmo tempo somos apresentados a vida pacata da profissional. Sem muitas explicações, notamos que a protagonista é assombrada por uma antiga paciente: Nora (India Eisley). No passado não tão distante da psicanalista, ela cuidava apenas de adolescentes, mas fracassou no tratamento de Nora, causando prejuízos a vida pessoal da paciente e a si própria.

Estes são os primeiros cinco minutos do filme, que ambienta o telespectador ao clima sombrio das consultas da psicanalista. Abaixo o texto contém spoilers da trama, leia com cuidado!

Confira o trailer de Clinical:



Logo no início da trama somos apresentados a lembranças de Jane sendo atacada por Nora. O roteiro não contempla os motivos para que a adolescente ataque sua psicanalista - e nem o motivo dela ter iniciado o tratamento. Contudo, deixa claro que Jane não teve sucesso ao tratar a paciente - que tentou se matar no consultório da profissional. Após isso, Nora foi internada em uma clínica de reabilitação e Jane ficou algum tempo sem exercer a profissão.

Após um curto período de tempo, Jane retornar a atender pacientes, mas demonstra estar cada vez mais desinteressada e sem paciência com os pacientes. Enquanto isso, na vida pessoal, a personagem passa a abusar de medicamentos para tentar acabar com as lembranças de Nora atacando-a.


É neste clima de bagunça pessoal e perturbação mental que Jane passa a tratar um novo paciente: Alex (Kevin Rahm). O homem possuí um trauma após um acidente de carro que envolveu e pede ajuda a psicanalista. A partir do tratamento de Alex, é possível ver Jane desistir dos demais pacientes. As cenas ganham aspectos mais sombrios a cada sessão e o silêncio toma conta de boa parte do filme.

A trama, que tinha tudo para ser um sucesso devido a atuação brilhante de Rahm e Shaw, perde-se quando investe muito tempo nas sessões de Alex e Jane, com informações e detalhes desnecessários para o desenrolar da trama e, por abusar do silêncio, causa tédio e sono ao telespectador. Outro recurso bastante usado para causar profundidade acaba irritando: as longas cenas focadas em apenas um lugar, quase sem cortes ou movimento.


A história fica ainda mais confusa quando, sem explicações lógicas, Nora consegue fugir do hospital e passa a perseguir Jane. Apesar do final apresentar ligação entre as personagens, não há explicações sobre a motivação de Nora e os objetivos da mesma. Nesta mescla de loucura, visões e realidade, não é possível ao telespectador entender o que realmente é real e o que é a projeção de Jane sobre os fatos. O desenrolar da trama, exposição da verdade e o confronto final são tão rápidos que destoa do ritmo de todo o restante do filme. Para quem abusou da profundidade dos fatos durante toda a película, parece ter focado à margem no momento mais importante da história: a explicação.

O filme promete terror, susto e surtos psicóticos, mas entrega ao telespectador um filme confuso e com problemas de continuidade. Apesar de estar no caminho certo para se consagrar no gênero, a Netflix ainda patina ao tentar promover o medo através das produções originais. Mais um filme que, infelizmente, não vale o play.
Diego Piovesan escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
Este texto não representa a opinião do GeekBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Facebook