Cinema

Crítica: Silêncio - Belo e Lento

Filme de Scorcese é atraente, mas peca no ritmo


Falar sobre religiões e crenças tende a ser complexo,  a provocar e a cativar, dividir opiniões e causar polêmicas. Ao adaptar a obra Silêncio, de Shusaku Endo, Martin Scorsese pisa em um território fora de sua zona de conforto, o filme não poupa o espectador de cenas de violência e mantém a proposta voltada a fé do início ao fim.



O filme conta a história dos padres Sebastião Rodrigues(Andrew Garfield) e Francisco Garupe(Adam Driver), dois padres portugueses que partem em missão jesuítica ao Japão, para encontrar seu mentor Cristovão Ferreira(Liam Neeson), o qual a Igreja Católica não tinha notícia á vários anos, tudo isso durante o século XVII, período conturbado no Japão, onde ser cristão podia levar a tortura e morte.

O auge de Garfield

Andrew Garfield já era conhecido como um ator competente que tinha feito desde A Rede Social, papel que rendeu a ele indicação no BAFTA e Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante, até os filmes novos do Homem-Aranha, que renderam a ele mais exposição ao público geral. Apesar de tudo isso, faltavam papéis que levassem o ator a um novo nível, a ser percebido como uma figura com potencial, e 2016 foi sem dúvida um divisor de águas.

Começando com Até o Último Homem onde foi indicado ao Oscar de melhor ator e terminando com Silêncio, que não rendeu indicações ou prêmios, mas mostra um Andrew Garfield determinado em uma atuação que convence e facilita a imersão do espectador em seus diversos dramas de fé pessoais.

Andrew Garfield como Sebastião Rodrigues

Coadjuvantes de peso

O elenco de suporte assim como o protagonista, foram foi escolhidos a dedo, com Adam Driver (Kylo Ren de Star Wars) interpretando um padre colega de Andrew Garfield, Adam entrega um personagem mais rígido e com menos dúvidas, o padre modelo da igreja, que agrega muito bem nas cenas onde apenas os dois estão presentes. Liam Neeson que interpreta um padre desaparecido em uma antiga expedição, aparece pouco, mas quando aparece tem grande presença em cena e entrega uma atuação impecável.

Adam Driver como Francisco Garupe





















Longo Demais

Por mais impressionante que seja o conjunto da obra, é notável o ritmo lento e arrastado que uma boa parte das cenas do filme possui, em algumas partes o filme se torna tedioso, ou mesmo se atenta a alguns pontos por tempo demais. É natural assistir uma cena linda e engajadora e ela ser seguida por longas cenas introspectivas ou que pouco fazem a historia andar. A fotografia muito bem feita, que foi inclusive indicada ao Oscar, ajuda a prender o telespectador nestes momentos mais lentos.

Liam Neeson como Cristovão Ferreira


















Conclusão

Silêncio é um filme interessante, visualmente belo, muito bem executado, com atuações impecáveis tanto de seu protagonista quanto de seus coadjuvantes.Porém seus 161 minutos acabam tornando muitas cenas arrastadas, o que pode ser fatal para uma parte do público. Pelo longo tempo de produção, era um filme com muitas expectativas e considerado por muitos o filme da vida de Scorsese.

Pode não ser o filme da vida de um diretor, mas ainda assim é uma bela viagem pela história, uma interpretação de qualidade da obra pouco conhecida de Shusaku Endo, primorosa em quase todos os aspectos com pequenos deslizes.

Ficha Técnica

Nome: Silêncio
Nome Original: Silence 
Origem: EUA
Ano de produção: 2016
Lançamento: 9 de março de 2017
Gênero: Drama Histórico
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson
Murilo Henrique Sanches escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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