Séries

Crítica: Star Trek - Discovery - Primeiras impressões

Nova série da franquia se apoia em reboot comandado por JJ Abrams

Quando a CBS anunciou a chegada de Star Trek - Discovery, o público ficou em alvoroço. Afinal, a franquia acabava de chegar ao terceiro filme do reboot com Star Trek: Sem Fronteiras, ganhando um novo fôlego num mundo em que Star Wars e o Universo Cinematográfico Marvel comandam Hollywood. Ainda assim, trekkers sentiam falta do espírito de descoberta e jornada ao desconhecido da série clássica e seus derivados, especialmente Next Generation e Voyager. Em Discovery, esse sentimento, infelizmente, continua presente.


Transmitido no Brasil pela Netflix, que comprou os direitos de transmissão de todas as fases da franquia, Discovery começa com um espírito semelhante ao da série original. A protagonista Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) e a Capitã Georgiu (Michelle Yeoh) estão em uma missão para impedir a extinção de uma espécie alienígena em um planeta desértico. Aqui, vemos o velho espírito que faltou nos filmes iniciados por JJ Abrams em 2009, quando o diretor pareceu confundir Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas como um leigo no assunto.

Infelizmente, esse sentimento de retorno às origens se limita ao piloto do seriado. Já no segundo episódio da temporada, Burnham consegue dar início a uma guerra entre a Federação Espacial e os Klingons, fazendo com que Discovery deixe de lado o papel de trazer Star Trek de volta às origens para se encaixar na enxurrada de séries de ação que vêm dominando a televisão americana.

Sonequa Martin-Green: atriz aparece com atuação sonolenta durante os 4 primeiros episódios
A sensação é de que, de um episódio para o outro, deixamos de assistir uma temporada de Star Trek para uma versão live action de Clone Wars, com os episódios focando infinitamente mais nas cenas de ação e estratégias de guerra do que na exploração espacial que, convenhamos, está mais do que sugerida no título.

As atuações de Discovery também decepcionam. Enquanto Michelle Yeoh e James Frain (que interpreta brilhantemente Sarek, o pai de Spock) se mostram extremamente confortáveis em seus papéis com atuações breves, mas maravilhosas, os personagens mais "intrigantes" do seriado deixam a desejar. Martin-Green parece atuar no piloto automático durante os quatro episódios já exibidos, não sabendo bem equilibrar as emoções da humana criada por vulcanos (se compararmos com Zachary Quinto nos longas, a atriz ainda tem muito a aprender) e cada fala que sai da sua boca parece forçada. Jason Isaacs também entrega um Capitão Lorca raso e óbvio, sem um único momento de desenvolvimento para personagem que não "estou disposto a fazer tudo pela Federação, nem que isso signifique ultrapassar alguns limites".

Capitão Lorca (Jason Isaacs) é um dos personagens mais decepcionantes até aqui
Claro, nem tudo na série é ruim. Apesar da maneira como alguns atores entregam as falas, o roteiro tem boas sacadas e a direção dos episódios em um geral é extremamente prazerosa e dinâmica de se assistir. Os efeitos especiais são um marco para a ficção científica para TV e a maquiagem dos klingons e de Saru (Doug Jones) é impecável e muito mais crível que as atuações de Martin-Green e Isaacs.

Maquiagem e efeitos especiais da série estão impecáveis, como no caso de Saru (Doug Jones)
No geral, é cedo para dizer se Star Trek - Discovery conseguirá manter os padrões de seus antecessores. Afinal, o legado trekker tem mais de 50 anos e, apesar de altos e baixos, o saldo é, com certeza, positivo. Infelizmente, a série começou no caminho errado, preferindo seguir a fórmula de uma franquia "rival" a se manter fiel ao rico material criado ao longo desse meio século. Se a Discovery mudar o rumo e entrar em velocidade de dobra ao longo da temporada, a possibilidade voltarmos a uma Star Trek menos hollywoodiana (e mais apegada à sua história) é grande.

Star Trek - Discovery está disponível na Netflix, com novos episódios sendo postados toda segunda-feira.
Nicolaos Garófalo escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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