Séries

Crítica: Arrowverse - Crise na Terra-X

Crossover de séries da CW alterna grandes momentos de ação com os já tradicionais dramas estilo "novelão"

Nos últimos anos, as séries da parceria entre DC e CW têm dividido, pelo menos, um grande arco por temporada. Anteriormente, Supergirl, The Flash, Arrow e DC's Legends of Tomorrow tentavam amarrar diferentes tramas dentro de seus mundos particulares, nem sempre com sucesso. No crossover deste ano, Crise na Terra-X, a barreira dos programas foi menos sentida, para o bem e para o mal.


O primeiro dia do especial, que ocupou os horários de Supergirl e Arrow na semana, não conseguiu chacoalhar o clima "novelão" que os seriados passam. Mesmo a vida de Kara (Melissa Benoist), que antes habitava a série mais inocente e despreocupada do arrowverse, parece sofrer agora com plot twists forçados para derrubar a autoconfiança da kryptoniana. Já Oliver (Stephen Amell) e Felicity (Emily Bett Rickards) continuam no vai-não-vai que já dura seis anos.

O vai-não-vai do casal Olicity ganhou mais um desnecessário capítulo em Crise na Terra-X
Com o casamento de Barry (Grant Gustin) e Iris (Candice Patton) como pano de fundo, os dramas pessoais dos personagens ficam ainda maiores, com até mesmo Sarah (Caity Lotz) e Alex (Chyler Leigh), personagens fortes em suas respectivas séries, sendo jogadas no clichê de mulheres que têm suas inseguranças escancaradas por uma festa de casamento.

É claro que a cerimonia é interrompida na hora do "fale agora ou cale-se para sempre", mas com um bom momento de ação, em que, finalmente, o exército da Terra-X aparece, comandado por seu próprio supergrupo liderado por versões nazistas da Supergirl, Arqueiro e Merlin (Colin Donnel). A partir daí, o crossover mostra realmente a que veio, com cenas de ação bem editadas e efeitos visuais já consagrados de outros anos, especialmente quando vamos para a Terra-X, que tem um visual aterrorizante e extremamente bem feito.

No clima novelão, não pode faltar casamento interrompido no "fale agora ou cale-se para sempre"
Dito isso, é preciso falar, novamente, da chateação que a carga dramática trás para o evento e para as séries como um todo. As reviravoltas são fraquíssimas, a motivação dos vilões é completamente forçada e mesmo as atuações deixam a desejar. Enquanto Benoist continua extremamente a vontade interpretando a divertida e carismática Supergirl, o mesmo não pode se dizer quando ela atua como sua contraparte maligna. A General Danvers é vazia e as falas parecem doer para sair da boca da atriz.

Exatamente a mesma coisa acontece com Stephen Amell e seus Arqueiros. Enquanto o ator não tem problema de mostrar um Oliver mais leve e feliz, seu encapuzado nazista é triste e cada palavra é proferida com uma sofrência decepcionante.

Melissa Benoist não conseguiu manter a boa atuação de Supergirl ao interpretar sua contraparte nazista
Um dos trunfos do crossover, porém, foi reconhecer o elo mais fraco das séries da CW. Focando a trama principal em Kara e Oliver, Crise na Terra-X abriu mão de espaços desnecessários com os problemas pessoais da Equipe Arqueiro ou as trapalhadas muitas vezes sem graça de Legends of Tomorrow, reservando esses personagens para a batalha final que, além de bem-feita, é melhor editada que muitos longas de ação que Marvel e DC têm lançado nos últimos anos.

Sem entrar em spoilers muito grandes, nem todos conseguem sair vivos do evento, com uma das equipes sofrendo um baque gigantesco, em um dos poucos momentos em que a emoção realmente domina a tela sem parecer forçada. A despedida do personagem em questão é sentida por todos e vaza para o espectador, deixando esperanças de que, no futuro, as séries do Arrowverse tenham mais coragem de lidar com a morte.

Crossover teve uma das cenas de ação mais legais dos últimos anos
Como nem tudo é perfeito, o final agridoce ao perder um membro da equipe é substituído por uma conclusão água-com-açúcar extremamente previsível, mas que não apaga os méritos do episódio em geral. 

Crise na Terra-X fez um bom trabalho ao juntar o universo televisivo da DC com tanta fluidez, algo que poderia ser aprendido pelo cinema com o DCEU. As cenas coloridas, o humor pontual e a ação certeira equilibram algumas fracas atuações e drama exagerado, garantindo um entretenimento para o espectador.

Se a CW cumprir a promessa, os acontecimentos do crossover devem repercutir nas quatro séries que englobou, com alguns personagens sentindo os eventos mais do que outros. No geral, o episódio foi uma forma proveitosa da emissora de usar o universo que criou ao longo de seis anos e uma boa maneira de explorar a relação de seus personagens.
Nicolaos Garófalo escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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