Séries

Once Upon A Time - Temporada 7: do retorno ao series finale (de novo?)

Entregue-se à sua insanidade. Junte-se à fantasia enquanto nos despedimos do conto de fadas moderno da ABC

Há quase 5 meses atrás, eu escrevi esse texto contando como estava sendo bom, para mim, esse reboot, de como essa temporada fez valer a pena "sobreviver" à notável queda de qualidade da série durante o 5º e 6º ano. Mas todo livro chega a um fim e era hora de colocar em palavras tudo aquilo que senti durante essa reta final.


Antes de tudo, só quero adiantar para vocês que o fim foi a redenção que a série pediu, um jeito de demonstrar carinho pelos fãs de longa data que ainda estavam lá, mesmo com os efeitos especiais aquém do esperado, figurinos pesados e um zilhão de cenas feito em tela verde. Ele não anula o suposto fim de série que foi exibido no final da 6ª temporada, ele o expande.

Para mim, é difícil se despedir porque Once Upon a Time foi, junto de The Flash e 24 Horas, umas das primeiras séries de quando comecei a minha, até então curta, vida como "Series Killer" lá em 2014. Dito isso, vamos à trajetória final, que vai do episódio 11, Secret Garden/Jardim Secreto, ao 22, o series finale Leaving Storybrooke/Saindo de Storybrooke.

Bruxas e serial killers à solta


Assim como foi na duas temporadas anteriores, a segunda metade trouxe um segundo arco narrativo que se encerrou um episódios antes do season/series finale, que apresentam um arco próprio que, e um gancho para a próxima temporada, ou, nesse caso, um fim condizente. Dessa vez, ainda lidamos com Mother Gothel/Eloise Gardener (a linda Emma Booth) e sua busca para formar a sua irmandade de bruxas. 

Quando chegamos ao episódio 19 e vemos seu flashback, conhecemos sua história e lidamos com um pseudo-cliché de uma pessoa que era boa e se tornou má devido às circunstâncias. Pseudo no sentido de que, nesse caso, é justificável seu ódio aos humanos. Sério, mataram toda a raça dela (elfos) só porque eles eram mágicos. Quem quer saber de perdoá-los quando se tem a chance de dar o troco? E olha que eu senti uma indireta à situação americana com os imigrantes. Não sei se foi só eu.

Aquela vilã que eu achava chata e depois me conquistou
sem precisar mudar de lado

Paralelo, mas ainda conectado à trama de Gothel, tivemos o arco de Jack/Nick/Hansel/João, de João e Maria. Embora esse conto já tenha sido adaptado em um episódio da primeira temporada, lembre-se que estamos falando de um reboot (foco na Cinderela latina sem carisma). Nesse caso, Jack, como serial killer, está matando todas as bruxas em potencial devido ao seu histórico com Zelena.

Uma das coisas mais interessantes desse mini arco é como ele é solucionado. Entender o Modus Operandi do então chamado Candy Killer fez com que Henry tivesse que entrar em contato com o segundo livro de Once Upon A Time, colocando em cheque sua crença a respeito da realidade. Colocar mais pessoas em contato com o livro tinha um ótimo potencial, além de uma maior interação entre pessoas acordadas e pessoas amaldiçoadas.

Talvez eles tinham planejado isso para uma 8ª temporada que nunca chegará. E também porque o Nick foi morto por Sambi/Dr. Facilier de A Princesa e O Sapo. Por falar no bendito feiticeiro, tá aí um personagem de potencial que foi desperdiçado por mal uso. Os roteiristas realmente não sabiam o que fazer com ele. Antes ele era vilão, aí ele vira interesse romântico de Regina (eu nunca ia aceitar, sou #OutlawQueen pra sempre), aí ele se torna vilão, aí ele é morto por Wish Rumple (o Rumple do Reino do Desejo, uma realidade alternativa da 6ª temporada criada pelo desejo de Emma de nunca ter sido A Salvadora), e fica por isso mesmo.

"Não é justo Robin. Nossa história foi tão curta"
"Mas isso não a torna menos épica"
Meu coração, o que fizeram com ele?


Choque de tempo, espaço e realidade


Por toda a temporada 7, acreditamos que aquela realidade era 2024 devido ao salto de 7 anos que a série deu na premiere. Fomos lindamente enganados em Is This Henry Mills?, o 20º episódio, ao descobrirmos que o bairro de Seattle está em 2017, mas com as memórias dos 7 anos que passaram na Floresta Encantada. Basicamente, existem, em 2017, duas versões de cada personagem: a normal (2017) e a que viajou no tempo com a maldição (2024 para 2017).

E isso com certeza teria sido um plot do caramba, colocar um choque entre duas linhas do tempo, embora só tenhamos um gostinho quando Henry de 2024 liga para sua casa em Storybrooke e sua versão de 2017 atende a ligação e quando Robin, junto a Alice, buscando ajuda, voltam para Storybrooke (2017) e encontra a sua versão de 2017 e sua mãe de 2017. Admito, meu cerébro bugou escrevendo esse parágrafo. Honestamente, espero que o seu tenha bugado também.

Isso é tão Once Upon A Time S2

Como já tínhamos noticiado antes, vários atores retornaram para o adeus. Embora algumas foram apenas aparições, outras foram mais envolventes, mas todas contribuíram de forma significativa ao arco narrativo, uma guerra de dois episódios com Wish Rumple, que ameça trancar Henry e companhia em reinos separados e distorcidos de suas próprias histórias em troca da adaga de Gold, enquanto Regina tem que lidar com um Wish Henry com desejo de matar a Regina por ela ter matado Branca e Encantado nessa versão. Bem no estilo da série.

Enquanto isso, em Hyperion Hights, outro ponto de roteiro que foi apressado por ser o último episódio foi a dualidade de memórias representada por Sabine/Tiana. Honestamente, fazer com que essa transição de "vidas" mais conturbada seria um bom ponto de roteiro para a temporada que nunca virá. Pessoas diferentes possuem jeitos diferentes de lidar com a realidade. Fazer com que todos aceitassem esse choque de memórias sem resistência é um ótimo furo de roteiro.

A velha guarda dessa temporada brilhou muito e foi responsável pelas cenas que, certamente, fizeram fãs chorarem rios. Sem exagero, ver Regina em um "sonho/encontro do além" com Robin Hood, oferecendo sua vida para Wish Henry ter sua redenção, Wish Hook abençoando o casamento entre Robin (a filha do Robin) e Alice antecipadamente por medo de morrer e perder esse momento e Rumple fazer uma última boa ação ao dar seu coração para que Hook não morresse devido à maldição, mesmo sem ter certeza se voltaria para Belle no fim de tudo, arrancaram meu coração.

Tilly e Weaver / Alice e Rumple / pai e filha:
Uma das melhores histórias de amor dessa temporada


Um final feliz, um começo feliz ou uma segunda chance?


Enfim, o ato final. Uma última maldição. Mas não é uma maldição qualquer. É a maldição suprema. Se você estava achando que isso seria um gancho para mais histórias, você acertou e errou. Sim, novas histórias poderiam muito bem ser contadas, mas não foi uma maldição ruim. Foi a oportunidade perfeita para fechar um universo.

Reunir todas as realidades possíveis dos contos de fada (Floresta Encantada, Camelot, Reino dos Desejos, A Terra das Histórias Não Contadas e por aí vai) em Storybrooke e colocá-los sobre um mesmo reinado foi uma grande oportunidade de crescimento de Regina. Quem iria acreditar que a Rainha Má do agora muito longíquo piloto se tornaria uma pessoa tão amada que seria escolhida como a governanta dos Reinos Unidos de Storybrooke sob o título de Rainha Boa.

E mesmo com tudo isso, uma coisa não mudou. A amizade fiel de Regina e Emma, que soltou a mesma frase que a outrora Evil Queen soltou no mesmo cenário lá em 2011, para o delírio dos fãs. Bem, para todos é Majestade. Para Emma, sempre será Miss Mayor e acho que isso nunca vai mudar, até porque chegamos ao fim. Despedimos de toda uma incrível história enquanto a câmera fecha na placa da foto de capa. Aquela que diz "Deixando Storybrooke".

Adeus Once Upon A Time. Obrigado por deixar a vida de todos um pouco mais mágica. Obrigado por não ter medo de contar uma história diferente de tudo usando personagens que já conhecíamos, afinal, nunca pensei que cresceria odiando a Rainha Má e Capitão Gancho e ia me apaixonar por eles aqui. Eu te perdoo pelos anos de baixa criatividade e pelos efeitos especiais que iam do mediano ao horrível. Obrigado pelas lições de vida, choros, ataques de ansiedade e de raiva. Você fez bem e você merece ser lembrada por tudo. Muito obrigados por esses 7 incríveis anos. Adeus.



Gian Luca escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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