Cinema

“A Ilusão de um Verão Eterno”: estreia de Alessandra Sanguinetti encanta Locarno

Alessandra Sanguinetti estreia na direção com “A Ilusão de um Verão Eterno”, filme que acompanha duas primas argentinas por 25 anos.


A fotógrafa argentina Alessandra Sanguinetti faz sua estreia na direção de longas-metragens com “A Ilusão de um Verão Eterno”, filme que acompanha mais de duas décadas da vida de duas primas nos pampas argentinos.


O longa teve sua estreia mundial na mostra Cineastas do Presente, durante a 79ª edição do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça. A produção conta com Julia Solomonoff como produtora e recebeu financiamento da Mubi e da Impact Partners.

Uma história construída ao longo de 25 anos


O filme acompanha Guillermina e Belinda, primas que cresceram juntas no interior da Argentina. Quando crianças, as duas passam os dias nadando no rio, dançando e criando brincadeiras que misturam fantasia e realidade.

Entre suas brincadeiras estão até mesmo encenações de funerais e procedimentos veterinários com animais mortos — uma forma curiosa e inocente de imaginar a passagem para a vida adulta.

A relação entre Sanguinetti e as duas personagens, porém, vai muito além do cinema. A fotógrafa acompanha Guillermina e Belinda há mais de 25 anos, registrando diferentes momentos de suas vidas.

Com o passar do tempo, o filme mostra as duas crescendo, se apaixonando, tendo filhos e seguindo caminhos diferentes.

“Somos como uma grande família agora”, afirmou Sanguinetti ao falar sobre sua relação com as duas mulheres.

Entre fotografia, vídeo e memória


Conhecida por seu trabalho fotográfico, Sanguinetti utiliza no filme uma combinação de imagens granuladas, vídeos e registros que ajudam a construir uma sensação de memória familiar.

A diretora explica que existe uma diferença importante entre fotografar e filmar. Enquanto a fotografia permite um controle maior sobre aquilo que será registrado, o vídeo possibilita que a vida aconteça diante da câmera de maneira mais espontânea.

Essa abordagem ajuda “A Ilusão de um Verão Eterno” a fugir de uma narrativa tradicional e transforma acontecimentos cotidianos em pequenos fragmentos de uma vida inteira.

O resultado é uma obra que mistura documentário, memória, fantasia e observação, acompanhando as mudanças das personagens sem tentar controlar completamente seus caminhos.

O tempo como personagem


Um dos elementos centrais do longa é justamente a passagem do tempo.

Momentos que parecem insignificantes quando acontecem podem ganhar outro significado anos depois. Sanguinetti utiliza sua relação de décadas com Guillermina e Belinda para observar padrões, mudanças e escolhas que só se tornam perceptíveis quando existe distância suficiente para olhar para o passado.

A própria diretora admite que inicialmente não pretendia colocar sua voz dentro da história. Com o passar dos anos, entretanto, percebeu que sua presença fazia parte daquele universo.

Os animais também contam essa história


Além das duas protagonistas, os animais ocupam um papel importante no filme.

Gado, cães, gatos e galinhas aparecem integrados ao cotidiano das pessoas e da paisagem rural dos pampas. Para Sanguinetti, eles não são apenas elementos do cenário, mas parte fundamental daquele mundo.

A diretora destaca sua relação pessoal com os animais e observa que eles muitas vezes são ignorados nas representações da vida rural, apesar de serem essenciais para a própria existência daquele ambiente agrícola.

Essa visão reforça uma das características mais marcantes de “A Ilusão de um Verão Eterno”: a tentativa de observar pessoas, animais, natureza e passagem do tempo como partes de uma mesma história.

Uma estreia marcada pela delicadeza


Com sua estreia na direção, Alessandra Sanguinetti transforma décadas de registros em uma obra sobre crescimento, amizade, família, escolhas e memória.

“A Ilusão de um Verão Eterno” parece interessado menos em contar uma história convencional e mais em mostrar como uma vida se transforma aos poucos — muitas vezes sem que as próprias pessoas percebam.

O resultado é um retrato íntimo dos pampas argentinos e de duas mulheres cuja trajetória foi acompanhada pela câmera durante grande parte de suas vidas.

Fonte: Variety

Poeta, Bacharel em Radio, TV E Vídeo, Estrela, Editor e Co-criador do Papo Blast, Especialista em piada ruim, Viciado em séries e filmes, está mais perdido que Lost e acredita que Sharknado é um clássico subestimado mas vocês não estão prontos para essa conversa.


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