O clássico O Alquimista, de Paulo Coelho, ganhou uma versão que provavelmente não estava no bingo de muita gente: uma adaptação em formato de mangá. Publicada originalmente no Japão pela Kadokawa e lançada no Brasil pela JBC, a obra transforma a conhecida jornada de Santiago em uma aventura com elementos que podem lembrar os tradicionais mangás de jornada.
E, segundo uma análise publicada pelo UOL Splash, existe até uma comparação curiosa com Frieren. A diferença é que, neste caso, o protagonista encara a viagem acompanhado de uma dose considerável de filosofia e autoajuda.
De Paulo Coelho para o mundo dos mangás
Publicado originalmente em 1988, O Alquimista acompanha Santiago, um jovem pastor da Andaluzia que decide abandonar sua vida na Espanha depois de sonhar com um tesouro localizado próximo às pirâmides do Egito.
A jornada leva o protagonista a encontrar diferentes personagens, incluindo uma cigana, um homem que afirma ser rei e um misterioso alquimista. Mais do que encontrar riquezas, Santiago passa a compreender conceitos ligados ao destino, aos sonhos e à chamada “Lenda Pessoal”.
A adaptação japonesa foi desenhada por Tamaki Nakamura e publicada em 2024 dentro da coleção Kadokawa Masterpiece Comics, iniciativa que transforma obras literárias famosas em mangás. A edição brasileira chegou pela JBC em volume único.
O Alquimista tem mais em comum com shonen do que parece
Apesar de parecer uma combinação improvável, a estrutura da história funciona surpreendentemente bem no formato de mangá.
Santiago começa sua jornada depois de receber um chamado para sair da zona de conforto e perseguir um objetivo aparentemente impossível. Pelo caminho, encontra obstáculos, pessoas que tentam tirar vantagem dele e também figuras que funcionam como mentores.
É uma estrutura bastante familiar para quem acompanha mangás de aventura: protagonista, viagem, novos encontros, desafios e uma série de ensinamentos adquiridos durante o caminho.
É justamente aí que surge a comparação com Frieren. Assim como na obra de Kanehito Yamada e Tsukasa Abe, a viagem pode funcionar como uma ferramenta para explorar amadurecimento, relações humanas e reflexões sobre a própria existência.
Só que existe um detalhe.
O Alquimista é muito mais interessado em explicar suas próprias mensagens.
O problema: autoajuda demais
A principal crítica apontada pela análise do UOL está justamente no excesso de discursos filosóficos.
A proposta de O Alquimista sempre esteve ligada à ideia de seguir seus sonhos e interpretar os sinais encontrados durante a vida. No mangá, porém, esses conceitos acabam ocupando espaço demais, principalmente na parte final da história.
Segundo a análise, o último terço da adaptação pode se tornar cansativo justamente porque os personagens passam longos momentos despejando ensinamentos e reflexões sobre a vida.
Ou seja: se você já achava Paulo Coelho capaz de transformar uma conversa sobre padaria em uma reflexão sobre o propósito da existência, imagine isso em quadrinhos japoneses.
É Paulo Coelho com retícula.
Uma adaptação curiosa para os fãs de mangá
Apesar das ressalvas, a transformação de O Alquimista em mangá é uma experiência curiosa justamente por colocar uma obra brasileira extremamente conhecida dentro de uma linguagem tradicionalmente associada ao Japão.
O projeto também faz parte de uma iniciativa maior da Kadokawa para adaptar clássicos da literatura mundial. A coleção inclui outras obras famosas, como O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald.
No Brasil, a publicação pela JBC coloca a obra ao alcance de um público que talvez nunca tenha lido o romance original — mas que pode reconhecer imediatamente a estrutura de uma aventura de formação.
E existe ainda uma ironia interessante: uma história publicada originalmente como romance brasileiro de enorme sucesso internacional agora retorna ao país vestida de mangá japonês.
Nada mal para uma jornada que começou com um pastor e um sonho.
O Alquimista também ganhará filme
A história de Santiago não está limitada aos quadrinhos. O Alquimista também possui uma adaptação cinematográfica em desenvolvimento, embora ainda não tenha uma data de estreia definida.
O projeto chegou a ter o diretor Philip Barantini, conhecido pelo trabalho em Adolescência, associado à produção.
Enquanto o filme não chega, o mangá oferece uma nova maneira de revisitar a história de Paulo Coelho — mesmo que algumas páginas pareçam determinadas a lembrar o leitor, a cada cinco minutos, que seguir seus sonhos é importante.
E talvez seja justamente esse o verdadeiro crossover que ninguém pediu:
Frieren encontra Paulo Coelho.
Uma viaja pelo mundo em busca de respostas.
O outro explica as respostas por aproximadamente 47 páginas.
Fonte: UOL Splash, com informações complementares da Veja, Folha de S.Paulo e JBox.



