Cinema

Crítica: Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell - Uma adaptação de respeito

Baseado no anime japônes, Vigilante do Amanhã entrega uma adaptação memorável

Ghost In The Shell é um clássico absoluto, desde seu mangá até o conteúdo feito em anime. A obra, que é muito cultuada por fãs no mundo inteiro, serviu de inspiração para muitas coisas que vieram depois, como a série de filmes Matrix. Quando foi noticiado que a história viria para Hollywood, o público recebeu de maneiras distintas, com críticas positivas e negativas, principalmente pelo fato dos atores não serem asiáticos.


O filme se passa em 2029, em um futuro distópico, onde Major (Scarlett Johansson), foi transformada em um híbrido de humano e ciborgue. Ela lidera um esquadrão de elite, dedicado a combater crimes cibernéticos. A história ganha gravidade quando um hacker misterioso ameaça a ordem, tomando controle de máquinas, o que é somado a própria trajetória da  protagonista para entender o que ela é realmente.

Visualmente Impressionante

Ghost In The Shell, em seu filme de 1995 tinha um visual impressionante, um cyberpunk que misturava uma cidade futurística com alguns elementos retrôs e tradicionais japoneses. Com uma liberdade criativa, a passagem de anime para live-action se deu com leveza, onde os cenários mantiveram diversos elementos reconhecíveis e adicionaram muitos outros. A computação gráfica está impecável, as cenas que mostram a cidade como um todo, ou as ruas, mostram a imensidão e a beleza do mundo recriado.

Visão da cidade

Fiel e adaptado

O maior trunfo do filme é o equilíbrio encontrado entre respeitar e ser fiel a obra original e adaptar e cativar um público novo ao conteúdo. Seja em alguns elementos visuais, algumas cenas adaptadas devido a faixa etária, o filme tenta prestar homenagem ao mesmo tempo em que escreve sua própria história.

Durante diversos momentos o espectador  não vai reconhecer as cenas, pois são conteúdos inéditos, porém eventualmente o filme entrega cenas literais do anime, servindo muito bem ao propósito do roteiro, além de ser um fan service que agrada aos fãs mais antigos. Uma mudança notável, é a diminuição do tempo da maior parte dos coadjuvantes em cena.

Major da animação (esq) Major do live-action (dir.) sutis referências

História simplificada

O longa pretende cativar um público extenso ao trazer a história para o ocidente em um formato blockbuster,  com uma classificação indicativa relativamente baixa, e para isso não poupou alterações ao roteiro original. A história está muito mais simples e direta, não gera aquele mistério e confusão típicos do anime. As alterações porém não tiram a essência da obra de maneira alguma e servem muito bem para contar a história. Como consequência, temos um roteiro ágil, que dá um ritmo mais frenético ao filme, onde sempre está acontecendo algo.

Cena da vidraça, um show de efeitos

Uma boa Major

Scarlett Johansson, por fim fez um papel competente como a Major, não entregou a melhor interpretação possível, mas também não decepciona. A atriz leva um tempo considerável do filme para convencer em seu papel. Independente da diferença de etnia, a personagem ficou visualmente fiel, seus elementos essenciais estão todos presentes.
Scarlet como Major

Polêmica do Whitewashing

Assunto discutido desde o anúncio de Scarlett como Major, o whitewashing, que consiste em escalar atores geralmente brancos para papéis de outras etnias ou minorias, é perceptível no longa. Por mais que o ambiente em que o filme se passa seja todo orientalizado, a maior parte do elenco é formado por pessoas brancas, com alguns eventuais orientais aparecendo, o que não prejudica a história de maneira alguma.

Duas faces da mesma moeda

Conclusão

A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell impressiona, o filme está longe de ser o "enlatado" comum que os EUA costuma fazer com as obras orientais, o longa respeita seu passado e ao mesmo tempo inova, chamando a atenção de uma geração que não conhece a obra e que consome blockbusters.

Tanto a protagonista quando o elenco de apoio são competentes, convencem em seus papéis. A trilha sonora se mostra bastante interessante, combinando muito bem com o visual e ação. A história é simplificada, o que a torna mais acessível e que deve permitir que um público muito maior se interesse pela história e busque mais conteúdo. Conhecendo a obra original ou não, A Vigilante do Amanhã merece sua atenção.

Ficha Técnica

Nome: A Vigilante do Amanhã:Ghost In The Shell
Nome Original: Ghost In The Shell
Origem: EUA
Ano de produção: 2016
Lançamento: 30 de março de 2017
Gênero:  Drama, Ação, Ficção Científica
Classificação: 14 anos
Direção: Rupert Sanders
Elenco:  Scarlett Johansson, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano 
Murilo Henrique Sanches escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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