Cinema

Crítica: T2 Trainspotting - Nostálgico e necessário

Sequência honra o filme original e consegue ter brilho próprio


T2 Trainspotting chega 20 anos depois do longa original, sem muito alarde mas muito esperado por uma comunidade de fãs fiéis do primeiro filme, o qual teve um grande impacto nos fim dos anos 90 e se tornou um Cult alguns anos depois.


O filme se passa 20 anos após Renton (Ewan McGregor) ter roubado seus amigos. Renton está casado, empregado e com problemas de saúde, assim decide rever seus pais e antigos amigos. Permitindo assim que o espectador veja e entenda o que o roubo e as duas décadas fizeram a Spud (Ewen Bremmer), Sick Boy (Jonny Lee Miller) e Begbie (Robert Carlyle).

Nostalgia Pura

O filme é nostálgico em todos os sentidos possíveis, seja pela atuação dos personagens, pelos cenários e ambientes, recriação de cenas e até em sua fotografia no geral. A conexão entre os filmes é feita de uma maneira natural e constante, rever o primeiro Trainspotting antes de assistir ao segundo é bastante indicado, já que a quantidade de referências é grande e o roteiro do filme depende um pouco disto.



Mesmo tom

Trainspotting ficou famoso nos anos 90 entre outros motivos pelo seu tom, a maneira como abordava a vida e uso de drogas, tudo recheado com aquele humor macabro que se entrelaçava dentro dos dramas pessoais dos personagens. O filme opta por manter o estilo do diretor, se utilizando de alguns frames congelados, cenas rápidas, metalinguagem e elementos fantasiosos misturados ao realismo.



Elenco Reunido

O filme conseguir trazer seu elenco na íntegra, mesmo 20 anos depois, foi algo notável. Os personagens estão naturalmente envelhecidos em uma sequência tardia e necessária que contraria todo mercado de filmes que realiza sequências quase instantâneas e inúteis.

O tempo foi generoso com Ewan McGregor (Renton), que apesar de duas décadas terem se passado, ainda aparenta certa juventude e cuidado, o que casa super bem com o filme, pois mostra um personagem limpo das drogas há mais de 20 anos. O mesmo não pode ser dito de Spud, que continuou com o vício em heroína e Begbie que viveu todo este tempo largado em uma penitenciária.


Ótimas supresas

Os 4 amigos estão ótimos em seus papéis, Renton e Sick Boy têm uma ótima química, porém Begbie e Spud roubam a cena sempre que aparecem. O velho Begbie está mais psicopata do que nunca, sua visão deturpada do mundo e de sua própria realidade geram cenas violentas e cheias daquele humor peculiar. Spud que não era o personagem mais profundo no primeiro filme, ganha tempo e profundidade durante todo o filme, o que faz o espectador se comover com sua história e torcer para que ele se dê bem.


Conclusão

T2 Trainspotting é sem dúvida uma sequência que honra seu material anterior, que saúda e referencia seu passado sem esquecer de trazer alguns novos elementos. O filme não tem peso suficiente para se tornar algo tão memorável quanto o primeiro, porém isso não é demérito algum. Ao se apoiar em seu passado e mostrar o futuro o filme transmite as consequências da vida ao limite que os personagens levavam e o espectador pode entender uma mensagem a partir destas experiências.A fotografia oscila entre tons quentes e frios diversas vezes durante o filme, dando um visual muito interessante, a trilha sonora repete a qualidade e o elenco interpreta com maestria os papéis antigos, alguns até mais aprofundados e melhorados.

Se você conhece o primeiro filme, o reveja e assista T2 Trainspotting, se você nunca viu nenhum, se dê a oportunidade de assistir a estas duas belas peças cinematográficas.

Ficha Técnica

Nome: T2 Trainspotting 
Nome Original: T2 Trainspotting 
Origem: Reino Unido
Ano de produção: 2016
Lançamento: 23 de março de 2017
Gênero:  DramaComédia
Classificação: 16 anos
Direção: Danny Boyle
Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Kelly Macdonald
Murilo Henrique Sanches escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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