Séries

Crítica: The Walking Dead - 7ª temporada

Grande vilão não salva ano oscilante da série



Quando começou, em outubro do ano passado, a sétima temporada de The Walking Dead prometia ser um dos melhores anos da série, com uma premiere emocionante que mostrou tudo o que estava em jogo ao enfrentar Negan (Jeffrey Dean Morgan) e Os Salvadores. Mas, depois de 16 episódios, a AMC entregou uma temporada lenta e sem um foco específico que prendesse os espectador.


O grande problema da série, que realmente tem um ritmo mais moderado em relação a suas concorrentes, foi a grande expectativa criada por seus produtores, que prometiam grandes embates entre os diversos grupos apresentados entre o 6º e o 7º ano. O que se viu na tela, no entanto, foi uma tentativa frustrada de desenvolver cada colônia, com tomadas longas e diálogos rasos que pouco adicionavam à narrativa.

Negan (Jeffrey Dean Morgan) foi uma das poucas coisas boas na temporada
É necessário, porém, tirar o chapéu para três atores específicos: Andrew Lincoln fez sua melhor temporada na série, finalmente encarnando o terror que Rick sentia cada vez que encontrava com Negan. Khary Payton, por sua vez, aparece grandioso como o Rei Ezekiel, equilibrando brilhantemente a bondade do personagem com sua vontade de contra-atacar. E, claro, Jeffrey Dean Morgan, que transformou Negan em um dos vilões mais odiados (e bem interpretados) de todos os tempos, em especial no episódio em que contracena, quase o episódio todo, com Carl (Chandler Riggs).

Apesar do esforço dos atores, os episódios se arrastaram, com a temporada se dividindo em dois arcos pouco criativos: na primeira metade, o grupo de Alexandria se curvava aos Salvadores, para se preparar (e se arrastar) para a batalha no resto do ano. A escolha dos roteiristas de focar cada episódio num grupo específico, dentre tantos (Alexandria, Salvadores, Hilltop, Ocean Side, Lixão e O Reino), fez com que a temporada se tornasse maçante e desinteressante, deixando a impressão de enormes fillers que serviram apenas para encher linguiça e aumentar o número de zumbis (cada vez mais ausentes) da série.

Zumbis sumiram da série no sétimo ano
Algumas "soluções" também deixam a entender que os roteiristas já não entendem bem os personagens que tem em mãos. A escolha de Eugene (Josh McDermitt) na reta final da temporada quebra uma de suas principais características desde que surgiu na série, enquanto Rosita (Christian Serratos) foi de durona a uma personagem impulsiva e burra, que ficou a centímetros de morrer ao longo da temporada.

Outra escolha preguiçosa dos roteiristas foi a maneira como os vivos lidam com os mortos: para mostrar a ameaça dos humanos, os zumbis ficaram mais burros, mais lerdos e muito mais fáceis de matar, como se, de repente, Rick passasse a jogar a vida no modo easy. Mesmo os figurantes de Alexandria e Hilltop, antes isolados por muros dos walkers, se tornaram exterminadores de mortos-vivos de primeira categoria, dando inveja a Milla Jovovich e sua vida na franquia Resident Evil.

Rei Ezekiel (Khary Payton) e Shiva: rei e tigresa foram pontos fora da curva em temporada fraca
O finale da série foi simbólico e um grande resumo da temporada como um todo: em uma hora de episódio, apenas 15 minutos realmente foram dignos do legado da série, com uma batalha que tentou ser épica, mas não durou o bastante para o capítulo valer a pena. O gancho final, se é que pode se chamar de gancho, deixa a impressão de que a sétima temporada não serviu para avançar em nada a história, mas apenas para tirar e repor alguns personagens. A esperança que fica com o final é de que, desta vez, os produtores cumpram com a palavra e entreguem uma temporada emocionante no 8º ano.
Nicolaos Garófalo escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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