Séries

Crítica: Castlevania (Netflix) - Parte 1

Games podem sofrer adaptações que vão do ruim ao mediano, mas esse não é o caso.


Games. Jogos Eletrônicos. O mais recente e, às vezes, até mais popular, meio de entretenimento. Também considerado obras de artes visuais e sonoras. Um exemplo de cultura da era contemporânea (toma essa, Marta Suplicy). Tentar adaptar esse universo à outras mídias pode ser complicado, mas existem casos de sucesso, que realmente conquistam os fãs. Castlevania é um exemplo disso.

Prazer, Castlevania

Netflix fazendo o que a Netflix sabe fazer de melhor: sambar na cara da sociedade
até no teaser trailer

Para os que caíram de paraquedas, Castlevania é uma série de jogos de ação/aventura e temática de horror e fantasia feita pela Konami, produtora japonesa responsável por outras séries de sucesso comercial como Pro Evolution Soccer - PES e Metal Gear Solid, cujo primeiro jogo foi lançado em 1989 e conta, na maioria de seus jogos, a história dos Belmont, uma família de caçadores de vampiros que, a cada 100 anos, deve combater Drácula.

A animação foi baseada no 3º jogo, Castlevania 3 - Dracula's Curse, lançado em 1989 para o NES -  Nintendinho, cuja história se passa no século XV e fala sobre um ataque ordenado pelo próprio Drácula à Europa, mas isso a série animada faz questão de explicar e, embora o roteiro apropie-se de alguns elementos narrativos de outros jogos da franquia, ele não exige que você conheça profundamente o universo da franquia para aproveitar os 4 episódios. Ponto para Warren Ellis, roteirista e produtor executivo da 1ª temporada.


À esquerda, a capa do 1º jogo da série. À direita, a versão japonesa de uma das artes promocionais. Netflix, eu te amo e te vanglorio.

Uma animação que não é para todos


A Netflix classifica a produção como Para maiores de 16 anos. E a animação faz jus a tal classificação. O visual 2D com ocasionais elementos 3D casa muito bem com a atmosfera sombria e violenta do seriado, além do chamado "gore", ou seja, prepare-se para mortes explícitas, tanto das pessoas, como das criaturas do Drácula, corpos a céu aberto, cabeças e vísceras à exposição e sangue, muito sange. Porque isso é Castlevania.

Coisas desse tipo são deveras comuns nessa produção da Frederator Studios

Outra coisa que pode ser vista como uma afronta à religião católica é o envolvimento da Igreja nisso tudo. Estamos falando de uma época onde a Igreja perseguia e queimava pessoas que, em sua visão, estavam realizando práticas que eram uma afronta ao próprio Deus. Sem querer dar spoilers, mas essa foi uma das motivações de Drácula realizar tal ataque à Europa. Isso pode ser incômodo de pessoa para pessoa, mas não deixa de ser uma simples, porém bem-feita, adaptação do jogo e da época em que ele se passa.

Fora isso, as cenas de ação, mesmo que escassas, seguem uma "linha de evolução" que vão de algo que pode fazer o espectador questionar-se quanto à sua necessidade ou abordagem escolhida a algo que pode fazê-lo perder o fôlego com tanta coisa acontecendo.

Personagens, apresentem-se


Pode ser difícil apresentar personagens e fazê-los amadurecerem, ainda que só um pouquinho, em apenas 4 episódios de 25 minutos. Mas não é impossível. A equipe conseguiu evoluir os três protagonistas do seriado nesse curto espaço de tempo. O maior dos destaques vai para Trevor Belmont, o protagonista que passou de um bêbado perambulando por aí para um verdadeiro Belmont, um lutador com uma causa.

Um Belmont em seu habitat natural fazendo coisas de rotina

É interessante notar que o roteiro conseguiu implementar personagens que, nos jogos, não existiam ou não tinham uma história de fundo. Um passado. Claro que Castlevania não tem muito enfoque narrativo, mas a maneira com que o estúdio conseguiu lidar com isso é impressionante.

Apesar disso, existem algumas divergências entre o jogo e a animação quanto à narrativa. Enquanto no jogo, Trevor é recrutado pela Igreja para o combate, a série aborda os Belmont como "cavaleiros solitários", mal vistos pela sociedade civil e católica devido a seu envolvimento com o "sobrenatural" e o combate ao Drácula. Essa divergência é benéfica, dando um pouco mais de liberdade criativa e lançando um novo jeito de ver os protagonistas.

O Futuro


Certamente o maior mal é ter apenas 4 episódios. Mas a qualidade compensa os 100 minutos da animação nessa temporada. Como a série já foi renovada para a segunda temporada, que terá 8 episódios, fica a expectativa de que a produção mantenha a qualidade desses primeiros 4, ou até mesmo os supere, para o bem do público, sejam eles fãs ou não dos caçadores de vampiros. Agora é esperar até 2018. Vai ser uma longa, porém recompensadora, espera.

Os fãs devem estar infartando nesse momento

Gian Luca escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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