Séries & TV

Crítica: Agents of S.H.I.E.L.D. - Temporada Final

A primeira série da Marvel para TV encerra sua trajetória com um resultado à altura dos 7 anos de aventuras.


Protegendo o ordinário do extraordinário. Depois dos eventos do primeiro Vingadores, essa se tornou a principal missão da S.H.I.E.L.D. Desde o começo, isso não se mostrou uma tarefa fácil. E, depois da ascensão da H.Y.D.R.A. de dentro da agência, o extraordinário se tornou cada vez mais presente. Mas sempre havia um grupo de agentes que sempre superavam as expectativas quando o assunto era defender a Terra. E, nesta temporada, nem o tempo seria capaz de impedi-los de cumprir tal dever.

História


Desta vez, os inimigos são os Chronicoms, a raça alienígena de Enoch. Devido às ações de Izel, seu planeta natal, Chronyca-2, foi destruído. A primeira ação dos sobreviventes foi sequestrar Fitz e Simmons para que os dois construíssem uma máquina do tempo para impedir a invasão, mas não deu certo. O segundo movimento foi invadir a Terra e torná-la sua nova colônia, mas a S.H.I.E.L.D. interveio. Por fim, os ETs, de posse da Toolbox, pretende viajar através do tempo procurando janelas de oportunidades para apagar a existência de seu inimigo da história da humanidade e fazer do planeta seu novo lar.

Dada a natureza incomum onde estão inseridos, a presença de diálogos expositivos se mostra justificável, sem subestimar nem superestimar o conhecimento de personagens e espectador, principalmente sobre um assunto tão vasto que é a viagem no tempo. Nem a própria Simmons, que arquitetou o plano junto ao Fitz, só descobre alguns detalhes cruciais para o sucesso da missão junto aos outros agentes, e aqueles que ela sabe e compartilha aos demais agentes sempre deixa a sensação de que ela esconde algo, principalmente quando o assunto é o paradeiro do cientista.

Fãs de FitzSimmons, preparem-se para serem torturados. De novo.

Um outro ponto positivo dos roteiristas foi equilibrar a importância dos atuais integrantes da Zephyr One. Além das tiradas cômicas, que aqui se mostram mais naturais do que na temporada anterior, a produção explora novas dinâmicas entre os personagens e, através disso, retrata temáticas como depressão, isolamento, trauma e até morte, todos com a devida relevância dentro da trama, sendo que esse último possui um dos melhores monólogos da série inteira. Fora isso, todos executam uma função crucial na execução do delicado plano final, que exigiu um nível a mais de detalhes por parte dos roteiristas para contornar, complementar e preservar os acontecimentos do season finale anterior.

Como os próprios criadores admitiram, o final da 5ª temporada foi escrito para servir como um series finale caso a série tivesse sido cancelada na época, logo uma comparação entre o final que teríamos e o final que temos parece cabível. Os dois episódios oferecem ao fã uma sensação de satisfação, recompensa e melancolia que um series finale pede, mas, enquanto "The End" transmite uma maior sensação de emergência devido a sua maior tendência à ação e suas cenas melhor coreografadas e até mais satisfatórias, "What We're Fighting For" oferece o fechamento merecido a todos os personagens e promove alguns fan-services que são surpreendentes e afetam a posição da série dentro do MCU.

Produção


A produção fez um ótimo trabalho de caracterização neste ano final.

As temporadas 6 e 7 foram escritas e gravadas simultaneamente, uma manobra para economizar no orçamento da produção. Ao longo deste último ano, é visível que a economia valeu a pena, tanto pelas cenas em CGI durante a reta final da série, como, principalmente, no grau de fidelidade que as diferentes eras que agentes e Chronicoms visitam são retratadas, desde os cenários externos, passando pelo figurino, até os objetos de decoração em cenários internos. Esta preocupação aos detalhes visuais também é usada para demonstrar, sutilmente, alguns aspectos socioculturais de cada década.

Por bem ou por mal, experimentação sempre foi um dos principais pontos da produção e, no último ano, isso não seria diferente. Ao contrário da temporada passada, onde a maioria dos experimentos resultavam em fillers de medianos a ruins (eu estou falando de você mesmo, episódio do cassino alienígena), agora o sentimento de filler não existe. Inclusive um dos melhores episódios da temporada, o primeiro trabalho de Elizabeth Henstridge como diretora, é nesse formato.

Graças à trama de viagem no tempo, os 13 episódios finais contaram com um relativamente grande número de participações mais que especiais, desde pequenos cameos pelo puro fan-service, o que não é algo ruim, até adições que mudam coisas que dávamos como certas. E, ainda que a ausência do Fitz seja sentida, a companhia do Enoch de Joel Stoffer e o retorno de Enver Gjovak como Daniel Sousa oferecem dinâmicas tão interessantes e naturais com os demais protagonistas que não parecem que suas adições ao elenco são recentes. É como se eles fossem parte da equipe desde sempre.

Órfãos de Agent Carter, essa é para vocês.

Por falar no Fitz, devido ao envolvimento de Iain de Caestecker com outros projetos, o tempo de tela do cientista foi drasticamente reduzido. Porém, graças à criatividade dos roteiristas, essa falta do ator se transformou em mais uma oportunidade de fazer aquilo que eles sabem fazer de melhor: torturar fãs e personagens com um crescente número de perguntas sem respostas sobre o destino do personagem, aumentando, semanalmente, a tortura, o desespero, o medo pelo pior aumente e segurando essa sensação até o último minuto antes da verdade vir à tona.

O adeus dos espiões


"Com todo o respeito senhor, não seguimos em frente. Guardamos este lugar em nossos corações. Fechamos e trancamos a porta e visitamos de tempos em tempos. Não seguimos em frente, mesmo depois de dizermos adeus."
Jemma Simmons (5x22)
Considero que a exibição do series finale de Agents foi um evento especial a todos os envolvidos, desde a equipe de produção que conseguiu, por 7 anos, mesmo com as barreiras impostas pela ABC e pela própria Marvel, contar uma história de qualidade consistente usando, com sabedoria, a liberdade limitada que lhe fora concebida e dar importância a personagens e elementos da editora que muitos julgariam "esquecíveis" até a pequena, mas leal, fanbase que deu um suporte contínuo ao show em meio aos rumores de cancelamento, mudanças de horário de exibição e o hate gratuito que levavam de fãs do MCU ou de outras produções televisivas que levavam o nome da editora. 

Mesmo com as séries da Fase 4 sendo canônicas dentro do MCU, tenho certa crença de que, tirando WandaVision, nenhuma será tão diversa, experimental, ouso até dizer memorável, quanto Agents. Ela foi a primeira, a mais longa e uma das poucas séries (provavelmente a única) da Marvel TV que teve uma finalização apropriada. Nada vai tirar esse mérito da produção.

"Eu vivi um vida cercado por heróis. Nenhum deles maiores que vocês"
(Philip J. Coulson)

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