Cinema

Crítica: Mamonas Assassinas - O Filme, nem o clima de nostalgia salva o longa

Mamonas Assassinas – O Filme é cinebiografia que apresenta o fenômeno musical dos anos 1990 para as novas gerações é narrativa que não emplaca


Dia 28 de dezembro, Mamonas Assassinas - O Filme, cinebiografia que visa apresentar a banda para as novas gerações e resgatar seus sucessos, estreia nos cinemas de todo o Brasil. Bora descobrir se o longa também consegue conquistar o país como os garotos de Guarulhos no passado?

Sinopse

Estamos em Guarulhos na década de 90. Dinho, Sérgio, Samuel, Julio e Bento são garotos típicos da época com pouco dinheiro e muitos sonhos. Eles nem imaginam que o humor debochado e inteligente, tão característico do grupo de amigos, irá mudar suas vidas para sempre. De algumas tentativas fracassadas ao sucesso absoluto, em pouco tempo, eles se tornaram o maior fenômeno musical brasileiro da década: os Mamonas Assassinas.


Os Mamonas Assassinas era uma banda tão presente na TV nos anos 1990, que até esquecemos que sua história de sucesso, meteórica, durou apenas 8 meses. Aliás, o acidente que encerrou a vida e carreira da banda foi um dos eventos televisivos mais controversos da década de 1990, dado que a tragédia foi explorada à exaustão durante cobertura jornalística que ignorou todos os limites da privacidade e luto.

Mamonas Assassinas - O Filme é um conteúdo audiovisual que num certo momento da narrativa você para e pensa “algo de errado não está certo”. Com sua narrativa corrida, que em determinadas cenas não entrega o que promete. Sensação que pode ter sido causada por seu roteiro fragmentado, que salta de um evento para outro sem grandes explicações.

Apesar de alguns atores serem muito parecidos com os músicos da banda, especialmente Ruy Brissac (Dinho), alguns personagens e arcos dramáticos estão desconexos. Para ilustrar podemos citar a rivalidade entre os irmãos Sérgio e Samuel, surge como uma solução preguiçosa para criar tensão e apimentar o longa, porém ficou jogada e mais atrapalha mais do que causa!!


O dilema das cinebiografias

Quando falamos de cinebiografias, alguns ajustes são realizados para deixar o roteiro mais cativante, como os Mamonas Assassinas era uma banda muito presente nas casas dos brasileiros, seus familiares também eram conhecidos, principalmente do vocalista Dinho. No entanto, a narrativa além de não explorar essa característica do grupo, apenas mostrando o quanto os familiares foram importantes para o sucesso dos Mamonas, ainda fez adaptações um tanto questionáveis. A namorada de Dinho é um exemplo da adaptação que não funcionou

Por acompanhar sempre que possível seu namorado, a modelo era uma pessoa bem conhecida nos anos 1990, chegando a estampar capas de algumas revistas na época. Por isso, quando a personagem Adriana, Fefe Schneider, surge na tela, o estranhamento é inevitável. Afinal ela é uma personagem fictícia em uma narrativa biográfica, sendo uma representação um tanto controversa de alguém muito presente na rotina da banda.


Claro que algumas escolhas são necessárias para estruturar uma narrativa mais interessante, todavia as feitas em Mamonas Assassinas - O Filme comprometeram, bastante, o roteiro. Afinal de contas, a nostalgia também é um diferencial do longa, sendo um dos motivos de ir ao cinema, especialmente para a geração que viveu o fenômeno Mamonas. Ocorre que, algumas adaptações são mais decepcionantes do que acertadas.

Enfim, Mamonas Assassinas - O Filme é uma tentativa de apresentar na telona o impacto do fenômeno Mamomas, na cultura pop dos anos 1990, que não emplaca. Um filme que não aprofunda a história do quinteto de Guarulhos, apesar de reviver as canções que marcaram gerações.


Ficha técnica

Título: Mamonas Assassinas – O Filme

Título original: Mamonas Assassinas – O Filme

País: Brasil

Data de estreia: 28 de dezembro de 2023

Gênero: Comédia, Biografia

Duração: 95 minutos

Classificação: 12 anos

Distribuidora: Imagem Filmes

Direção: Edson Spinello

Elenco: Ruy Brissac, Rhener Freitas, Adriano Tunes, Robson Lima, Jessica Cores, Jarbas Homem de Mello, Guta Ruiz, Ronaldo Mourao, Cristina Sano, Pedro Abranches, Pedro Pauleey, Graciely Junqueira, Leandro Luna, Felipe Reis, Eduardo Acaiabe, Ronaldo Gontijo, Thiago Adorno, Clara Santana, Rafael Monteiro, Fefe Schneider, Joãozinho, Ton Prado, Nadine Gerloff, Patrick Amstalden, Nathália Serra , Alex Gruli, Isabela Quadros, Giulia Shanti, Isa Prezoto e Beto Hinoto.



Kika Ernane, Karina no RG, e sou multitasking (agora que aprendi o significado do termo segura). Uma mulher como muitas da minha geração, que ainda não descobriram como aproveitar a liberdade que lutaram tanto para conseguir. Muito menos administrar todas as tecnologias disponíveis. Enfim, estou sempre aprendendo.


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