O filme Wicked: Parte 2 vai muito além de uma simples adaptação musical, transformando-se em uma poderosa crítica social sobre a manipulação da verdade pela mídia e sobre o valor inegociável de lutar por aquilo em que se acredita.
Sua mensagem central ressalta como discursos podem ser distorcidos para atender aos interesses de quem controla a narrativa, ao mesmo tempo, em que ressalta a importância da integridade e da resistência.
No entanto, o que destaca esta segunda parte é a abordagem vigorosa da noção de que o lar é formado pelas pessoas que o constituem, e não por limites ou estruturas pré-definidas. Essa reflexão estabelece um paralelo direto, e extremamente atual, com políticas migratórias contemporâneas, reforçando a necessidade de empatia em um mundo cada vez mais polarizado.
Dessa forma, Wicked atualiza o universo de Oz para um contexto muito mais próximo do nosso.
Alerta de Spoiler!!!!
Do Ato de Rebeldia à Falsa Morte: Um Enredo de Consequências
Se o primeiro filme se concentrou na construção da amizade entre Elphaba (Cynthia Erivo) e Glinda (Ariana Grande), culminando no emblemático número “Defying Gravity”, Wicked: Parte 2 mergulha fundo nas repercussões desse rompimento com o sistema opressor comandado pelo Mágico de Oz (Jeff Goldblum).
Após a passagem de tempo, Elphaba se torna oficialmente a inimiga número um do Estado, mesmo que continue acreditando que o povo de Oz um dia ouvirá a verdade que tenta desesperadamente revelar. É impossível não associar essa dinâmica ao fenômeno contemporâneo das fake news: mesmo quando a mentira é exposta, muitos continuam a propagá-la, movidos por crenças já corrompidas.
Enquanto isso, Glinda ascende como Porta-voz oficial do governo, manipulada por Madame Morrible (Michelle Yeoh) e transformada na nova Bruxa Boa do Norte. Seu papel é claro: dar voz ao Mágico, que raramente aparece publicamente, mantendo o controle por meio de sua imagem dócil e perfeita, em forte contraste com a figura de Elphaba, demonizada pela propaganda.
A escolha de deixar Dorothy Gale (do Mágico de Oz original) em segundo plano, sem nunca mostrar seu rosto é absolutamente correta, assim como na Broadway o foco não é nela, mas na jornada por trás. A armadilha para atrair Elphaba que é a causa da morte trágica de Nessarose (Marissa Bode), irmã de Elphaba, é motivada por um sentimento de traição que Glinda sente ao ser trocada e ter isso jogado na cara pela ex-amiga verde.
Desta vez temos um aprofundamento na história da Glinda, que nunca tinha sido mostrado, trazendo para a personagem mais peso ao ajudar Elphaba no desfecho da história. No fim, ela quer ser boa não só pra ser aceita, mas para fazer jus a todo o sacrifício da amiga, que assim como a música escolhida para dar título a parte dois, mudou ela para sempre.
As Músicas Novas: Mantendo a Essência de Oz
Para os fãs de musicais, que assim como eu, tem receio de canções avulsas e fora de contexto. Felizmente, as músicas originais inseridas em Wicked: Parte 2 cumprem o papel de aprofundar a narrativa, seguindo a mesma vibe da trilha sonora clássica.
As canções inéditas intensificam a dor interna de Glinda, tornando sua virada dramática muito mais palpável, ao mesmo tempo, em que reforçam a determinação de Elphaba. Tudo isso contribui para um clímax emocional que amarra perfeitamente os temas de amizade, resistência, identidade e sacrifício.
Ficha Técnica – Wicked: Parte 2 (2025)
Título: Wicked: Parte 2Direção: Jon M. Chu
Roteiro: Winnie Holzman (baseado no musical da Broadway)
Música: Stephen Schwartz
Gênero: Musical, Fantasia, Drama
País: Estados Unidos
Ano: 2025
Duração: Aproximadamente 2h20
Classificação indicativa: A confirmar
Baseado em: Musical Wicked, inspirado no livro de Gregory Maguire
Estreia: 20 de novembro 2025
Distribuição: Universal Pictures
Elenco Principal: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jeff Goldblum, Michelle Yeoh, Marissa Bode, Jonathan Bailey, Ethan Slater




