Quase 30 anos depois, as irmãs Owens estão de volta — e Da Magia à Sedução – Feitiço de Amor traz as irmãs Owens de volta em uma continuação que mistura nostalgia, comédia, romance e terror. tinha uma tarefa nada fácil: reencontrar a magia do primeiro filme sem depender apenas da nostalgia. Como alguém que cresceu apaixonada por Sally e Gillian, fui para a cabine com expectativas altas. E a boa notícia é que a continuação conseguiu me surpreender.
Eu sou filha dos anos 90, e isso diz muito sobre a minha percepção sobre este filme.
Em 1999 ou 2000, quando assisti ao primeiro Da Magia à Sedução em casa, porque eu nem tinha idade para tê-lo visto no cinema, me apaixonei pelas irmãs Owens. Anos depois, neste ano, acabei revisitando aquela história ao descobrir que o filme original era baseado em uma série de livros.
Dito isso, eu estava muito animada com a ideia de Da Magia à Sedução – Feitiço de Amor. Mesmo que minha última experiência com a Nicole Kidman tenha sido horrível, ainda eram as irmãs Owens. E fico muito feliz em dizer que o filme atendeu, e muito, às minhas expectativas.
O roteiro é bem amarradinho e consegue equilibrar comédia, romance e momentos mais sombrios sem deixar nenhum desses elementos dominar a história. Há uma ou outra cena que poderia facilmente ser cortada, mas, no geral, o ritmo funciona muito bem. O filme sabe quando brincar, quando apostar no romance e quando deixar a história avançar para um tom mais emocional.
E existe uma coisa importante: Da Magia à Sedução – Feitiço de Amor não exige que você seja fã do primeiro filme para conseguir acompanhar a história. Quem nunca assistiu ao original provavelmente vai perder o peso de algumas referências e certos momentos podem passar despercebidos, mas isso não impede a compreensão ou o envolvimento com a trama. O filme consegue funcionar por conta própria, enquanto recompensa quem já conhece a história das irmãs Owens.
Isso, para mim, é particularmente importante em uma continuação que chega tantos anos depois. Existe uma diferença entre construir uma história para quem já ama aqueles personagens e simplesmente apostar que o público vai aparecer movido pela nostalgia. Felizmente, Feitiço de Amor parece entender essa diferença. Ele revisita elementos conhecidos, mas não passa o tempo todo tentando lembrar ao espectador por que o primeiro filme era querido.
Também gostei das escolhas envolvendo o elenco. A troca da atriz que interpreta a filha de Sally faz sentido dentro da própria proposta da história, já que Evan Rachel Wood já pareceria velha demais para ser filha da personagem de Sandra Bullock.
Outra coisa que chamou minha atenção foi a aparência das duas protagonistas. Não sei dizer se foi resultado de edição, maquiagem ou uma combinação dos dois, mas Sandra Bullock e Nicole Kidman parecem mais jovens em boa parte do filme. No caso de Nicole, há ainda algo especialmente curioso: seu rosto recupera uma movimentação que, em trabalhos mais recentes, parecia bastante limitada. É um detalhe pequeno, mas que chama atenção justamente porque estamos falando de uma personagem que continua sendo tão importante para a história.
E é impossível falar da continuação sem falar da relação dela com o primeiro filme. Para quem tem uma ligação afetiva com as irmãs Owens, reencontrar esse universo depois de tantos anos tem naturalmente um peso diferente. Há referências, personagens e situações que ganham outra dimensão quando você conhece a história anterior. Ao mesmo tempo, o filme não fica dependente desse vínculo para funcionar.
No meu caso, essa conexão vai ainda mais longe por causa da própria Sally. Existe algo muito bonito em acompanhar uma personagem que, de certa forma, precisa reencontrar uma parte de si mesma que havia deixado para trás. Para quem cresceu assistindo ao primeiro filme, é fácil enxergar um pouco de si nesse processo.
Então, se você alguma vez já quis que a colher do chá se movesse sozinha, tentou acender uma vela soprando ou adoraria uma margarita à meia-noite, Feitiço de Amor pode te levar a lugares que você tinha esquecido dentro de si. Assim como Sally reencontra a magia que enterrou tão fundo em si mesma, talvez o filme faça você lembrar que um dia também quis fazer um feitiço.
Talvez esse seja justamente um dos maiores méritos de Da Magia à Sedução – Feitiço de Amor: ele consegue revisitar as irmãs Owens sem depender exclusivamente da nostalgia. Há referências para quem já conhece esse universo, mas também existe uma história própria acontecendo aqui. E, no meu caso, sair da cabine com a sensação de ter reencontrado uma parte daquela menina que se apaixonou por Sally e Gillian foi, sem dúvida, uma das melhores surpresas.
Ficha Técnica
Título: Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor
Título original: Practical Magic 2
País: EUA
Data de estreia: 10 de setembro de 2026
Gênero: Comédia, Fantasia, Romance
Duração: 110 minutos
Classificação: 12 anos
Distribuidora: Warner Bros. Pictures
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel
Elenco: Sandra Bullock, Nicole Kidman, Joey King, Maisie Williams, Xolo Maridueña, Lee Pace, Solly McLeod, Stockard Channing e Dianne Wiest.


