A dublagem brasileira perdeu nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, um de seus grandes nomes. O ator, dublador, diretor e professor Ettore Zuim morreu aos 66 anos. A informação foi confirmada pela Associação Brasileira de Dubladores (Dublar), e a causa da morte não foi divulgada.
Para muita gente, o nome pode não ser imediatamente reconhecido. A voz, entretanto, certamente será. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Zuim emprestou seu talento a personagens do cinema, da televisão, das animações, dos animes e dos videogames.
E quando falamos em voz marcante, estamos falando de Batman, Hércules, Príncipe Encantado, Ozai, Mihawk e muitos outros.
Ettore Zuim foi a voz brasileira de Batman
Um dos trabalhos mais emblemáticos de Ettore Zuim foi interpretar Bruce Wayne/Batman na dublagem brasileira da trilogia O Cavaleiro das Trevas, dirigida por Christopher Nolan e estrelada por Christian Bale.
A parceria entre Zuim e Bale, porém, foi muito além do Homem-Morcego. O dublador também ficou conhecido por dar voz ao ator britânico em diferentes produções, tornando-se uma das vozes mais associadas a Bale no Brasil.
E o Batman não ficou restrito às telas de cinema.
Zuim também interpretou o personagem em videogames, incluindo títulos das franquias Batman: Arkham e Injustice: Gods Among Us.
Para uma geração de fãs, portanto, aquela voz grave e marcante acompanhou Bruce Wayne em praticamente todos os formatos.
De Batman a Hércules: uma carreira extremamente versátil
Se Batman foi uma de suas interpretações mais reconhecidas, Hércules, da animação da Disney de 1997, mostrou outro lado do trabalho de Zuim.
O ator também foi responsável pela voz brasileira do Príncipe Encantado, da franquia Shrek, além de interpretar personagens em produções como Psicopata Americano, O Exterminador do Futuro: A Salvação, Meia-Noite em Paris e Penetras Bons de Bico.
Ou seja: Zuim podia ser o Cavaleiro das Trevas em uma produção e, pouco depois, estar dando voz a um personagem completamente diferente em uma animação.
Essa versatilidade é justamente uma das características que ajudam a explicar a importância de seu trabalho.
Ettore Zuim também marcou os fãs de anime
E se você chegou até aqui pensando que a relação do dublador com a cultura geek terminava em Batman e Disney... não mesmo.
Zuim também participou de produções de anime.
Entre seus trabalhos está Ozai, o poderoso e ameaçador Senhor do Fogo de Avatar: A Lenda de Aang. Ele também deu voz a Dracule Mihawk em One Piece, personagem que se tornou um dos nomes mais importantes do universo criado por Eiichiro Oda.
São personagens completamente diferentes entre si, mas que carregavam algo em comum: a capacidade de Zuim de transformar a voz em parte essencial da personalidade de cada personagem.
Uma voz que também chegou aos videogames
Os games também fizeram parte do legado do artista.
Além de Batman nos jogos da DC, Zuim participou de diferentes produções ao longo de sua carreira, reforçando uma característica cada vez mais importante na dublagem moderna: o mesmo personagem precisava manter sua identidade independentemente da mídia.
Foi assim que sua interpretação de Batman atravessou cinema e videogames, criando uma associação que permanece na memória dos fãs.
Mais do que dublador: professor e diretor
O legado de Ettore Zuim não se resume aos personagens que interpretou.
Além de atuar como dublador, ele também trabalhou como diretor e professor, participando da formação e do aperfeiçoamento de novos profissionais da área.
Esse talvez seja um dos aspectos mais importantes de sua trajetória.
Um dublador pode deixar sua marca em um personagem. Um professor pode deixar sua marca em uma geração inteira de profissionais.
Por isso, o impacto de Zuim vai muito além das produções que carregam seu nome nos créditos.
As vozes que ficam
A morte de Ettore Zuim representa uma perda significativa para a dublagem brasileira.
Sua carreira atravessou diferentes gerações e gêneros: ação, fantasia, comédia, animação, super-heróis, videogames e anime. Ele deu voz a personagens que, para muitos brasileiros, simplesmente soam daquela maneira porque foi assim que os conhecemos.
Batman era uma dessas vozes.
Hércules era outra.
Mihawk, Ozai e tantos outros também.
E existe algo particularmente bonito na profissão de dublador: mesmo quando o artista deixa de estar presente, seu trabalho continua sendo ouvido.
Cada vez que alguém assistir a Batman: O Cavaleiro das Trevas, rever Hércules, reassistir a Avatar: A Lenda de Aang ou acompanhar uma cena de One Piece com Mihawk, a voz de Ettore Zuim continuará ali.
A Associação Brasileira de Dubladores lamentou a morte do profissional e destacou seu talento, sua voz única e o legado deixado para a categoria.
A causa da morte não havia sido divulgada até a publicação desta matéria.
Ettore Zuim tinha 66 anos e deixa mais de quatro décadas de história na dublagem brasileira.
Fontes: VEJA, UOL, Omelete, CNN Brasil




