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Paramount e Warner Bros.: negociação de acordo pode acontecer em outubro

Paramount, estados e WGA devem negociar em outubro para tentar resolver a disputa antitruste que trava a fusão com a Warner Bros.


A novela da fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery ganhou mais um capítulo — e, pela primeira vez em algum tempo, existe a possibilidade concreta de que a história termine sem precisar chegar até o julgamento.


As partes envolvidas na disputa antitruste deverão participar de negociações de acordo no fim de outubro, em uma tentativa de resolver o processo que atualmente impede o avanço da fusão avaliada em aproximadamente US$ 110 bilhões.

A determinação veio da Justiça americana nesta sexta-feira, 11 de setembro, que ordenou que a Paramount e os procuradores-gerais dos estados que contestam a operação encontrem datas para dois dias consecutivos de negociações. A Writers Guild of America (WGA), que também move uma ação contra a fusão, participará das conversas.

Ou seja: depois de meses de processo, ameaça, taxa bilionária e troca de acusações, chegou a hora daquele momento clássico de qualquer reunião de família: “Tá bom, mas o que você quer para acabar com essa briga?”

Uma fusão de US$ 110 bilhões travada nos tribunais


A Paramount Skydance anunciou em 2026 um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery por aproximadamente US$ 110 bilhões.

O problema é que uma coalizão de 12 estados americanos, liderada pela Califórnia, entrou com uma ação para impedir a operação, alegando que a união das empresas reduziria a concorrência nos mercados de televisão, cinema e distribuição de conteúdo. A WGA também entrou com seu próprio processo, argumentando que a concentração poderia prejudicar roteiristas e trabalhadores da indústria.

A fusão acabou sendo colocada em espera até que as questões antitruste sejam resolvidas.

O julgamento está marcado para começar em 2 de março de 2027, com previsão de duração de 12 dias de tribunal.

Agora, entretanto, as negociações de outubro podem mudar completamente esse calendário.

Paramount já deixou claro que quer um acordo


A Paramount vem pressionando para encontrar uma solução que permita concluir a aquisição antes que a disputa se prolongue ainda mais.

Em agosto, representantes da empresa já haviam iniciado conversas com o gabinete do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, sobre uma possível solução. Bonta afirmou que estaria disposto a negociar, mas indicou que as medidas oferecidas pela Paramount até então não seriam suficientes.

O grande problema está no tipo de compromisso que os estados querem.

A Paramount já prometeu, por exemplo, manter pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas durante três anos, com uma janela teatral mínima de 45 dias.

Mas os estados argumentam que compromissos desse tipo — chamados de remédios comportamentais — podem ser difíceis de fiscalizar e fazer cumprir.

Bonta e outros procuradores-gerais defendem medidas mais estruturais, que poderiam envolver mudanças mais profundas nos ativos das empresas.

E tem uma conta de US$ 7 milhões por dia


Como se a situação já não fosse suficientemente complicada, existe um relógio financeiro correndo.

A partir de 1º de outubro, a Paramount começará a acumular uma chamada ticking fee de US$ 7 milhões por dia, valor previsto no acordo com os acionistas da Warner Bros. Discovery enquanto a transação não for concluída.

Com o julgamento previsto apenas para março de 2027, a conta poderia chegar a aproximadamente US$ 1,2 bilhão até o fim do julgamento, dependendo de quando a operação for concluída.

E é justamente essa conta que tornou a negociação ainda mais urgente.

A Paramount chegou a pedir que os estados e a WGA apresentassem uma garantia de US$ 1,88 bilhão para cobrir possíveis prejuízos caso a empresa vença a disputa judicial depois de ter sido impedida de concluir a aquisição. Uma audiência sobre esse pedido está marcada para 24 de setembro.

Os estados, naturalmente, não acharam a ideia maravilhosa.

A treta está longe de acabar


Apesar da nova rodada de negociações, isso não significa que a fusão esteja garantida.

Os procuradores-gerais continuam defendendo que a operação representa uma ameaça à concorrência, enquanto a Paramount sustenta que a aquisição será positiva para o mercado e para consumidores e criadores.

A empresa afirma ainda que já obteve autorizações regulatórias em 69 jurisdições e que os processos movidos pelos estados e pela WGA são os últimos obstáculos para a conclusão da transação.

Portanto, outubro pode ser decisivo.

Se as partes encontrarem uma solução aceitável, o processo poderá caminhar para um acordo e o julgamento de março talvez nem seja necessário.

Se não houver entendimento...

Bom, aí teremos mais alguns meses de documentos judiciais, audiências, bilhões de dólares e executivos tentando explicar por que US$ 110 bilhões não são suficientes para comprar tranquilidade.

David Ellison também colocou pressão na mesa


A negociação ainda ganhou uma camada adicional de tensão depois que David Ellison, CEO da Paramount Skydance, afirmou que a empresa poderia começar a retirar suas operações da Califórnia a partir de 1º de outubro caso não houvesse avanço nas negociações com o estado.

Bonta respondeu acusando Ellison de tentar pressionar a Califórnia para aceitar a operação.

A disputa, portanto, deixou de ser apenas uma discussão sobre concorrência e passou a envolver também questões políticas e econômicas relacionadas à presença histórica de Hollywood no estado.

Outubro pode ser o mês decisivo


Depois de tantas idas e vindas, a ordem para que Paramount, estados e WGA participem de negociações no fim de outubro representa uma mudança importante no processo.

Ainda não existe acordo.

Ainda não existe garantia de que os estados desistirão da ação.

E muito menos existe certeza de que a fusão será concluída.

Mas agora existe oficialmente uma mesa de negociação.

E, considerando que a alternativa é um julgamento em março de 2027 enquanto a Paramount vê US$ 7 milhões evaporarem por dia, talvez todo mundo tenha finalmente descoberto que conversar pode ser mais barato do que brigar.

US$ 110 bilhões em jogo e uma conta de US$ 7 milhões por dia.

É aquele tipo de reunião em que ninguém pode chegar dizendo: “Depois a gente vê isso.”

O que acontece agora?


  • 24 de setembro: audiência sobre o pedido da Paramount por uma garantia de US$ 1,88 bilhão.
  • 1º de outubro: começa a cobrança da ticking fee de US$ 7 milhões por dia.
  • Fim de outubro: Paramount, estados e WGA devem participar de dois dias consecutivos de negociações.
  • 2 de março de 2027: início previsto do julgamento antitruste, caso não haja acordo.
  • Valor da operação: aproximadamente US$ 110 bilhões.

Fontes:

Variety: Paramount e estados devem iniciar negociações para acordo em outubro
Bloomberg Law: Paramount é orientada a iniciar negociações de acordo no fim de outubro
Reuters: Paramount acusa procurador-geral da Califórnia de contradizer argumentos sobre a garantia
Paramount: Empresa apresenta argumentos sobre os custos do atraso da fusão

Poeta, Bacharel em Radio, TV E Vídeo, Estrela, Editor e Co-criador do Papo Blast, Especialista em piada ruim, Viciado em séries e filmes, está mais perdido que Lost e acredita que Sharknado é um clássico subestimado mas vocês não estão prontos para essa conversa.


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