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Review: Blast’N Bounty — Uma caça às recompensas espacial com alma de fliperama

Blast’N Bounty mistura ação arcade, batalhas contra chefes e visual retrô em um shoot ’em up divertido, direto e cheio de personalidade.


Uma rã, sete generais e muita bala na tela


Se existe algo que os jogos de nave ensinaram ao longo das décadas, é que você não precisa de uma história complicada para justificar uma boa sessão de tiros. Basta uma nave, inimigos por todos os lados e aquela vontade quase irracional de destruir tudo o que aparecer no caminho.


Blast’N Bounty entende perfeitamente essa filosofia. Desenvolvido pela No CheckPoint e publicado pela eastasiasoft, o jogo resgata a essência dos shoot ’em ups clássicos em uma aventura espacial protagonizada por Quad, um sapo que trocou a vida de gangster pela caça às recompensas.

Só que o passado não costuma deixar ninguém em paz.

Traído pelo antigo braço direito, Quad retorna disposto a acertar as contas com os sete generais da antiga organização criminosa, os Croakers, antes de enfrentar o verdadeiro responsável por sua desgraça. O resultado é uma jornada de oito fases que aposta em ação arcade, chefes extravagantes e uma mecânica de combate que tenta dar personalidade própria à experiência.

Não estamos diante de uma revolução no gênero. A proposta é outra: entregar diversão rápida, acessível e com aquele gostinho de fliperama que transforma uma partida curta em uma desculpa para jogar mais uma vez.

Um clássico dos arcades com tempero de Mega Man




A estrutura de Blast’N Bounty lembra os jogos de nave tradicionais, mas incorpora uma ideia conhecida dos fãs de Mega Man: a liberdade de escolher a ordem dos desafios.

Dos oito estágios, sete ficam disponíveis para serem enfrentados na sequência que o jogador preferir. Cada um apresenta um dos generais, com identidade visual, inimigos e padrões de ataque próprios. Depois de derrotar todos eles, chega a hora do confronto final.

Essa liberdade ajuda a quebrar a linearidade habitual do gênero. Em vez de seguir um caminho predeterminado, você pode experimentar diferentes rotas e descobrir qual sequência funciona melhor para seu estilo.

Os adversários também têm suas peculiaridades. Entre figuras excêntricas estão uma contrabandista gananciosa, um cavaleiro autoproclamado e um antigo geólogo que entrou para a organização criminosa para financiar suas pesquisas. É uma galeria de vilões que combina perfeitamente com a atmosfera cartunesca da aventura.

A narrativa serve principalmente para dar contexto aos confrontos. Não espere um épico espacial cheio de reviravoltas: aqui, a vingança é o combustível, e os tiros fazem o resto do trabalho.

Drones: o grande diferencial do combate



A principal mecânica de Blast’N Bounty está nos drones que acompanham Quad durante as fases.

Além do disparo convencional, o jogador pode desbloquear diferentes unidades auxiliares ao derrotar os generais. Há opções com lasers, tiros em múltiplas direções, disparos para trás e mísseis teleguiados, cada uma oferecendo vantagens distintas.

Antes de iniciar uma fase, é possível escolher até três drones para compor seu arsenal. A combinação escolhida interfere diretamente na maneira de enfrentar os inimigos e controlar o espaço na tela.

Os mísseis teleguiados, por exemplo, são úteis para atingir alvos sem exigir uma mira tão precisa. Já os disparos direcionais ajudam a cobrir áreas específicas, enquanto outras opções favorecem ataques mais concentrados.

É uma mecânica simples, mas eficiente. A escolha do equipamento adiciona uma camada de estratégia sem transformar o jogo em uma planilha de gerenciamento militar.

E existe outro detalhe importante: os drones também funcionam como proteção. Quando Quad sofre um impacto, uma unidade pode ser perdida no lugar de uma vida inteira. Isso faz com que os equipamentos sejam simultaneamente ferramentas ofensivas e uma espécie de escudo.

A consequência é interessante. Quanto mais drones você mantém, maior tende a ser seu poder de fogo e sua margem para cometer erros. Quando eles desaparecem, sobreviver fica bem mais complicado.

Desviar é tão importante quanto atirar



A movimentação é rápida e responsiva, característica essencial para um jogo em que a tela pode ficar tomada por projéteis, inimigos e obstáculos.

O segredo não é simplesmente manter o botão de disparo pressionado. É aprender a se posicionar, antecipar ataques e aproveitar as oportunidades para causar dano sem se colocar em risco.

Apesar de utilizar elementos associados ao bullet hell, Blast’N Bounty não depende exclusivamente de uma chuva incessante de projéteis. A experiência privilegia a precisão, a movimentação e a escolha adequada dos drones.

Isso torna o jogo relativamente acessível para quem está começando no gênero. Ainda assim, não significa que tudo será um passeio pelo espaço. Os chefes possuem padrões de ataque que precisam ser observados, e a dificuldade aumenta conforme a campanha avança.

O confronto final, em particular, exige mais atenção do que boa parte das etapas anteriores.

Um visual que mistura nostalgia e modernidade



Visualmente, o jogo combina pixel art com modelos tridimensionais de baixa poligonagem, criando uma apresentação que evoca os clássicos sem parecer simplesmente uma relíquia desenterrada de uma coleção antiga.

As cores são vibrantes, as explosões dão vida aos confrontos e os cenários ajudam a diferenciar as fases. Os chefes também contribuem para a identidade visual, com designs exagerados que combinam com o humor da aventura.

Não é uma produção que tenta impressionar pela quantidade de efeitos ou pelo realismo. Sua proposta é mais direta: manter a ação legível, destacar os elementos importantes e fazer com que cada confronto tenha personalidade.

A trilha sonora acompanha essa intenção, com músicas energéticas e uma sonoridade que remete às aventuras espaciais clássicas. Os efeitos dos disparos e das explosões complementam o espetáculo sem roubar a cena.

O resultado é um pacote visual e sonoro competente, que demonstra cuidado mesmo dentro de uma produção de orçamento modesto.

O problema é que a diversão acaba rápido


Nem tudo, porém, funciona tão bem.

A campanha é relativamente curta. Uma partida completa pode levar pouco mais de meia hora, embora seja natural gastar mais tempo tentando melhorar a pontuação, experimentar combinações de drones e dominar os padrões dos chefes.

O problema é que, depois de concluir a aventura, faltam motivos mais robustos para continuar jogando. A ausência de modos adicionais relevantes, como um desafio de ataque contra o tempo, e de placares online competitivos limita o potencial de longevidade.

Para um jogo tão focado em pontuação e precisão, acompanhar os resultados de outros jogadores seria um incentivo interessante para voltar às fases.

A dificuldade também poderia ser mais bem calibrada. Alguns confrontos são divertidos, mas certos chefes terminam antes de desenvolver todo o seu potencial, enquanto a experiência geral pode parecer fácil demais para veteranos do gênero.

Outro ponto é a ausência de uma indicação visual clara da área exata de colisão da nave. Em um jogo no qual cada movimento conta, entender os limites do personagem ajudaria a tornar os impactos menos frustrantes.

Esses problemas não destroem a experiência, mas deixam aquela impressão de que havia espaço para ir um pouco além.

Vale a pena jogar Blast’N Bounty?


A resposta depende principalmente do que você procura.

Se a intenção é encontrar um jogo de nave com dezenas de horas de conteúdo, sistemas complexos e desafios capazes de exigir reflexos sobre-humanos, talvez seja melhor procurar outra recompensa.

Mas, se você quer uma experiência arcade descomplicada, com fases curtas, chefes divertidos e uma mecânica de armas que incentiva experimentar diferentes combinações, Blast’N Bounty entrega o que promete.

A liberdade de escolher a ordem dos generais é bem-vinda, o sistema de drones acrescenta personalidade ao combate e a apresentação visual tem charme suficiente para sustentar a aventura.

O jogo também tem uma vantagem importante: não desperdiça o tempo do jogador. É fácil começar uma sessão, enfrentar algumas fases e encerrar a partida sem sentir que ficou preso em uma experiência interminável.

A contrapartida é a mesma: quando os créditos chegam, a vontade de continuar depende muito de quanto você gosta de buscar pontuações melhores.

Veredito: uma pequena aventura espacial que sabe o seu tamanho



Blast’N Bounty não reinventa os jogos de nave, tampouco tenta competir com os grandes representantes do gênero em profundidade ou quantidade de conteúdo.

Sua força está na execução de uma fórmula conhecida.

A estrutura inspirada em Mega Man, a variedade de drones e a combinação de pixel art com gráficos tridimensionais garantem uma identidade própria. O combate é acessível, os controles são consistentes e os chefes oferecem momentos divertidos, ainda que alguns pudessem ser mais desafiadores.

Por outro lado, a campanha curta e a falta de recursos extras reduzem a vontade de voltar depois de concluir tudo.

É aquele tipo de jogo que combina com uma tarde tranquila: você liga o console, escolhe um general, destrói algumas naves e encerra a sessão satisfeito. Não vai mudar sua vida, mas também não precisa.

Afinal, nem todo jogo precisa ser uma aventura de cem horas com mapa gigantesco, árvore de habilidades e três temporadas de conteúdo adicional.

Às vezes, tudo o que precisamos é de uma rã espacial, alguns drones e uma boa desculpa para explodir coisas.

Blast’N Bounty é uma caça às recompensas modesta, divertida e competente — pena que a recompensa por terminar a campanha seja tão pequena quanto ela.

Veredito: 7,5/10 — Uma boa recompensa, sem precisar assaltar o banco


Blast’N Bounty é recomendado para fãs de jogos de nave e jogadores que procuram uma experiência arcade curta, colorida e divertida. O sistema de drones é seu maior acerto, enquanto a falta de conteúdo adicional impede que a aventura alcance voos mais altos.

É diversão de fliperama em doses concentradas: entra, atira, derrota os generais e segue a vida.

Poeta, Bacharel em Radio, TV E Vídeo, Estrela, Editor e Co-criador do Papo Blast, Especialista em piada ruim, Viciado em séries e filmes, está mais perdido que Lost e acredita que Sharknado é um clássico subestimado mas vocês não estão prontos para essa conversa.


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