Cinema

Crítica: Rogue One - Uma História Star Wars

Rogue One - Uma história de Star Wars é um dos melhores filme da franquia, mesmo não tendo Sabre de Luz e Jedis.



Vivemos em um mundo o qual sempre soubemos que existem dois lados dentro do universo Star Wars, o Lado da Luz e o Lado Negro. A verdade sobre esse universo é absoluta, nasce Anakin Skywalker, ele morre, nasce Darth Vader. Surge Luke Skywalker, ele treina, ele vence a Guerra. Tendo essas verdades, admitimos que tudo não se passa de uma aventura fantasiosa, onde o bem sempre vai vencer mal, pelo menos até agora.


Rogue One: Uma História Star Wars é o primeiro spin-off da franquia, produzido pela Disney, e ele foge de toda a formula padrão, deixando de ser um universo preto e branco e mostrando que a galáxia distante é cinza, onde vemos o outro lado da guerra entre a Aliança Rebelde e o Império. Neste lado o temos uma Aliança sem idealismos, entregue a meios questionáveis para atingirem seus objetivos, decisões militares difíceis e pouco honradas são tomadas e no meio deste ambiente surgem espiões e assassinos.

O filme tem um ótimo trabalho de direção feito por Gareth Edwards (Godzilla), temos planos lindos durante o filme, especialmente quando vemos a Estrela da Morte em cena, claro tudo isso é favorecido pela tela do IMAX. Além dos planos criados, há uma temática explicita de um filme de guerra, mostrando ótimas cenas de ação, tanto em batalhas no solo ou no espaço.

A mistura de efeitos especiais e práticos é linda, quando vemos as maquinas de guerra AT-ATs e AT-STs entrando em cena, podemos sentir sua presença ameaçadora e peso no campo de batalha. Outro momento que mostra um show nos efeitos, ocorre quando a Estrela da Morte é acionada e a destruição de um planeta acontece, um espetáculo aos olhos.


O elenco é bem diversificado, cada personagem possui características e personalidades diferentes, eles não são os heróis que esperamos. Fogem à todos os moldes de mocinhos. Alguns admitem terem feito coisas que não se orgulham pela causa que acreditam, personagens que mostram que nem todos os rebeldes possuem a mesma linha de pensamento, dentro da própria aliança tem seus conflitos.

O Saw Gerrera (Forest Whitaker) é um sobrevivente de guerra, mostrando como uma pessoa pode ser moldada através do sofrimento e terror das batalhas contra o Império, isso é refletido em seu corpo e também em sua mente. Capitão Cassian Endor (Diego Luna) é um órfão de guerra, o qual cresceu no meio dela, calejado pelas batalhas que viveu e disposto a fazer qualquer coisa pelo ideal que acredita.
Jyn Erso (Felicity Jones) é uma personagem extremamente carismática, porém tem sua motivação questionável durante o filme, sendo rasa sua busca e transformação até se tornar a aquela que vai ser o ponto de união do esquadrão. Isso pode ter ocorrido pelos cortes e refilmagens que o longa teve durante o processo de pós-produção, onde vemos que faltam cenas que desenvolvem a personagem, algumas quais que são apresentadas no trailer e não no filme.

O mesmo mal ocorre com o vilão da trama, Orson Krennic (Ben Mendelsohn), onde nos trailers podemos sentir a presença de um ser muito mais ameaçador no qual é apresentado. Porém graças o Diretor Krennic, podemos ver como a hierarquia dentro império funciona, com disputas pelo poder e reconhecimento através das interações com os membros de maior escalão.

Mas os maiores destaques são a sinceridade de K-2SO (Alan Tudyk) e a amizade de Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e Baze Malbus (Wen Jiang). K2 é um droid imperial que foi reconfigurado e hoje luta ao lado dos rebeldes, o qual acaba se tornando alivio cômico. Sua personalidade traz um mix da tagarelice do C-3PO com o humor característico de Sherlock, vivido pelo ator Benedict Cumberbatch na série homônima. Já Chirrut e Baze são os clássicos amigos inseparáveis de longa data, o qual respeitam e convivem com as diferenças um do outro, a química entre os dois roubam a cena durante o filme, um relacionamento lindo, enquanto Baze é alguém desacreditado da Força, Chirrut é um crente fervoroso dos preceitos da Força.

Por falar em A Força, ela foi apresentada com uma visão diferente da qual conhecemos. A mitologia presente no filme se aproxima muito mais há uma religião, em aspecto divino, do que em forma de poder interior dos Jedis. Tal forma se reforça em cenas em que se recita uma espécie de oração para a Força.


Agora a maior arma de Rogue One é maneira de como nos mostram o universo de Star Wars, temos novas criaturas e ambientes que apensar de serem novos são todos familiares, mas o melhor de tudo é a visão mais realista e dramática que temos ao assistirmos. Até a trilha de Michael Giacchino, responsável pelas trilhas de Doutor Estranho e pela trilogia nova de Star Trek, traz um tom nostálgico da clássica trilha de John Williams.

O prequel da trilogia clássica é recheado de fanservices, temos que engradecer o ótimo trabalho de reconstrução digital realizado de um personagem e pela aparição do nosso amado Darth Vader. Gereth é fã assumido dele, e aumenta o mito do maior vilão de todos os tempos e de como ele pode ser assustador, mas sem exageros, mostrando o por que ele é tão temido e amado ao mesmo tempo.


Rogue One: Uma História Star Wars consegue trazer uma visão nova e revigorante para série, que muitos fãs gostariam de ver. Apesar de ser previsível o desfecho final, ainda mais por ser um prequel de um dos maiores filmes de todos os tempos, temos uma explosão de emoções ao acompanhar essa história, rimos, choramos, torcemos e nos emocionamos. Ele é sim um dos melhores filmes da franquia Star Wars, mesmo trazendo ideias e pontos de vista novos, sem seguir uma receita de bolo da série principal.

“Eu estou com a Força, e a Força está comigo”
Willian Chicanoski é nascido na Rússia Brasileira, Programador de Sistema por formação, Nerd por paixão. Cinéfilo, fã do Aquaman, Desbravador da Terra Média, viajante de uma galáxia muito, muito distante, aquele que chegou ao topo da Torre Negra, tem o dom de falar coisas aleatórias, desastrado, viciado em café e barbudo.
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