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O mirabolante mundo de JoJo’s Bizarre Adventures (JoJo No Kimyou Na Bouken)

Conheça a nova “modinha” dos otakus que surgiu nos anos 80 e praticamente redefiniu o estilo de animes/mangás Seinen.


Muita porrada, explosões coloridas, personagens com atitudes irreverentes, referências ao rock clássico e uma história pra lá de bizarra. Essa é a fórmula usada por Hirohiko Araki na criação de uma das obras mais aclamadas entre os fãs de shounen e seinen. É bem provável que você já deva ter ouvido falar desse anime recentemente, até mesmo porque com seu último arco lançado em 2014 tem chamado a atenção tanto de pessoas mais velhas quanto de jovens.
JoJo’s Bizarre Adventures (mais conhecido no Japão como JoJo No Kimyou Na Bouken) começou a ser publicado pela Editora Shueisha em 1987 e segue com o desenvolvimento de sua história até hoje. Pode-se dizer que é um dos mangás com a maior duração da história, sendo poucos os títulos que se mantêm por tanto tempo no mercado sem interrupções ou hiatos, além de ser uma das obras que praticamente serviu de inspiração conceitual para a criação de tantos outros clássicos da cultura pop.

Entendendo as referências

Entre as principais influências de JoJo, destaca-se a série de jogos The King of Fighters, com alguns de seus lutadores possuindo uma aparência fortemente idealizada em um dos personagens do mangá (como o personagem Benimaru Nikaido, que foi inspirado em Jean Pierre Polnareff), há também as atitudes semelhantes (onde Kyo Kusanagi se assemelha com o Jotaro Kujo) e, em casos mais específicos, até realizando as famosas poses da série (como é o caso de uma das comemorações de vitória de Terry Bogard junto com o pequeno Rock Howard , que lembra bastante o Jotaro com o seu Star Platinum).

Além deste, vemos também referência a JoJo na série Street Fighter, onde há grande similaridades entre a as personagens Rose e Lisa Lisa, Guile e Stroheim e até entre os vilões Gill e Kars.

Como diria Michael Jackson, "AAAUUU!"

Falando um pouco mais sobre os visuais dos personagens, estes são bastante ousados e irreverentes, algo difícil de encontrar em outras obras da época (principalmente em mangás), com forte influência no estilo rockstar da cultura pop nas décadas de 80 e 90, tais como Led Zeppelin, The Beatles e Michael Jackson (este último inclusive teve uma forte influência com relação as poses feitas pelos personagens). Outra forte influência usada na obra, parte do bom e velho Rock’n Roll clássico, são o nomes de personagens com claras referências das bandas de rock desse período, tais como REO Speedwagon, Dire Straits e AC/DC (um dos principais vilões da série, Dio Brando, leva esse nome em homenagem ao músico norte-americano Ronnie J. Dio).

Uma bizarra história de gerações

A história de JoJo é divida em arcos (atualmente com o Arco 8 no mangá e Arco 4 no anime), onde cada arco se passa em um período histórico diferente, com um estilo diferente e obviamente com um personagem principal diferente.

Em suma, JoJo's Bizarre Adventures conta a história dos Joestar, uma poderosa família de origem inglesa na qual seus descendentes acabam se envolvendo nas jornadas mais obscuras e esquisitas que se possa imaginar.

A coincidência por parte da série fica a cargo do nome JoJo, que se dá devido ao protagonista de cada arco, que apresenta a sílaba (ou sonoridade) “Jo” repetida duas vezes em seu nome: Jonathan Joestar, Jotaro Kujo, Giorno Giovanna e assim por diante.

Lutas épicas são o que não faltam em JoJo
Nos primeiros arcos, os personagens possuíam um poder chamado de Hamon, que lembra bastante o Hokuto Shinken usado por Kenshiro, protagonista do anime Hokuto no Ken (1983), no qual a energia do corpo é canalizada através da respiração e fluidez do próprio sangue, com isso o usuário é capaz de realizar feitos absurdos, tais como andar sobre as águas, controlar os elementos da natureza (água, ar, fogo e terra) numa certa dosagem e explodir pessoas e seres com um simples soco. Isso cooperou até mesmo para a criação de uma mitologia envolvendo a origem desse poder, mesmo esse conceito sendo descartado arcos mais a frente.

Que o Stand esteja com você!

A partir do terceiro arco (até mesmo para criar uma identidade à parte), a ideia do Hamon foi substituída pelos Stands, que são espíritos de energia ligados aos personagens, os quais possuem forma de seres/objetos com poderes variáveis. Cada usuário deste poder possui apenas um Stand, onde este (a depender do tipo) pode proporcionar alguma vantagem para o personagem, desde revelações a cerca do futuro até lutar contra outras pessoas no lugar de seu usuário.

Os fãs piram nos "Ora! Ora! Ora! Ora! Ora!..."
Os Stands por sua vez são divididos em três categorias: Não-remotos, Remotos e Automáticos. Os Não-remotos permanecem junto aos seus donos e tem um alcance variado, porém limitado. Já os Remotos, podem se distanciar de seus donos quase/completamente à vontade, apesar de que quanto mais longe estiver de seu usuário, mais fraco o Stand ficará. E por fim os Automáticos são aqueles que agem por conta própria, independente da vontade de seu usuário. Inicialmente os Stands tinham seus nomes baseados em cartas de Tarot e deuses egípcios, com o desenvolver da série passaram a ter mais referência em músicas, artistas entre outros elementos da cultura pop da época.

Conquistando os ocidentais

Mesmo tendo fortes influências culturais (principalmente no ocidente), JoJo só começou a alastrar sua fama nessa outra parte do mapa devido ao seu terceiro arco, que inclusive culminou até mesmo na criação de um nostálgico jogo de luta para PlayStation. O jogo utilizava cenas do próprio mangá quando iniciado no Modo Campanha, o que certamente cooperou bastante para a sua procura na época. Foi em passos de tartarugas que com o tempo JoJo acabou ganhando a merecida atenção no ocidente.
Não importa de qual geração você seja: Se nasceu com sangue Joestar
está predestinado a uma vida de bizarrices

O mais curioso é que mesmo tendo seu anime produzido no período da febre das animações japonesas explodindo no Brasil, JoJo nem mesmo chegou a ter uma dublagem ou ser exibido em TV aberta. Alguns dizem que pode ter sido pelo fato da obra ter muitos nomes de artistas e bandas de rock bem famosas e na época o problema com direitos autorais poderia prejudicar as transmissoras (imagine ter que pagar uma multa por exibir uma animação apenas porque um dos personagens se chama AC/DC). No final das contas, graças ao enorme acesso que temos hoje aos animes em comparação aos anos 80 e 90, podemos desfrutar dessa obra prima que marcou uma época e pretende prosseguir se alastrando para outras partes do mundo. Certamente uma obra que, assim como os Joestar, será sempre bem lembrada e continuará conquistando gerações.
Áquila Braga escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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