Séries

Duet: um evento musical de The Flash e Supergirl

O que era pra ser um "reencontro" de 3 dos membros de Glee se tornou um episódio mediano que tinha praticamente tudo pra dar certo


A música, dentro de um seriado, geralmente auxilia na criação do clima desejado, seja serenidade ou pânico. Mas focar um episódio somente nas músicas é um passo incerto que, feito com cuidado, conseguindo encaixar com a temática central, pode dar muito certo.


No caso de Duet, o crossover de The Flash com Supergirl, a justificativa para o povo sair cantando em todo lugar não poderia ser outra: uma dimensão alternativa criada pelo vilão Music Meister, o que é bom, já que, de certa forma, não interfere na história geral de ambos os shows.

Mas será que Duet consegue ser um bom episódio digno de lembrança ou é um filler digno do esquecimento?

As expectativas

Como fã de Glee, confesso que fiquei animado com o crossover, principalmente por causa do elenco, que, por coincidência, são ex-atores do seriado musical.

Melissa Benoist/Supergirl era Marley durante as temporadas 4 e 5. Gentil, inocente, cantava com o coração e me conquistou na sua primeira canção, um dueto de New York State of Mind com a estrela do show Rachel Berry (Lea Michelle).

Grant Gustin/The Flash era Sebastian durante a temporada 3. Apesar de ter sido a maior pedra no sapato pro povo do New Directions durante a temporada, o dueto de Smooth Criminal que ele fez com Santana Lopez (Naya Rivera) foi muito bom.


Darren Criss, o querido Blaine Anderson de Glee, foi escalado como o vilão Music Meister, e eu já esperava o ator soltando aquela voz doce e sentimental, como na performance dele em Somewhere Only We Know na temporada 2.


Não só eles, mas grande parte do elenco e da produção já possui experiência em musicais. Victor Garber (Martin Stein), Carlos Valdes (Cisco Ramon), Jesse L. Martin (Joe West) e Jeremy Jordan (Winn Schott) já estiveram em musicais da Broadway, sendo que Jordan fez parte do elenco do também seriado musical Smash e Jesse já teve um número musical na segunda temporada da série do velocista.

Por trás das câmeras, Rachel Bloom (vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical) protagonista e produtora da comédia musical da CW Crazy Ex-Girlfriend, junto com os compositores de La La Land, Benj Pasek e Justin Paul, assinam as canções originais que estão nesse episódio.

Com todo esse pessoal envolvido nesse episódio, baseando-se no clássico episódio musical Once More, With Feeling (de Buffy, A Caça Vampiros) esse evento tinha tudo pra dar certo.

Veja abaixo, em inglês e sem legendas, os bastidores do episódio:

Acertando...

O primeiro acerto do Crossover foi o momento em que ele foi introduzido. Os personagens de ambas as séries estavam em um momento de mudança, dúvida, indecisão, e havia uma carga muito dramática. O alívio cômico foi um acerto pois aliviou o clima pra seguirmos em frente com as histórias principais...

...o que leva ao segundo acerto da produção, a introdução de uma realidade alternativa que lembra muito musicais antigos (como os citados O Mágico de Oz e Cantando na Chuva). A ambientação estilo anos 80 ficou muito boa, com figurinos que lembram a época e, como não poderia deixar de falar, os gangsteres, um dos maiores clichês que poderiam ter colocado.

Outro ponto positivo foi a interpretação de Grant e Melissa, junto com um roteiro razoavelmente bem escrito (claro que estamos falando de um musical, então não espere lá muita coisa).

Dava pra ver que os atores estavam se divertindo com aquele "musical", embora definitivamente queriam sair dali. E os roteiristas exploraram, não muito, mas satisfatoriamente, a consciência de que Barry e Kara estavam em um musical (Kara tirou as palavras da minha boca em uma cena quando disse: "Convencer as pessoas em um musical é muito fácil". E é na verdade.)

...Errando...

Assim como existem vaias no fim de um show, o episódio teve suas falhas.

A primeira foi a quase inexistente exploração do vilão Music Meister.
O vilão já havia aparecido na série animada Batman: The Brave and The Bold (Batman: Os bravos e os destemidos)" e foi dublado por Neil Patrick Harris, o eterno Barney Stinson de How I Met Your Mother.

Rumores da época do anúncio do crossover afirmavam que Harris seria escalado para o papel do vilão, mas foram desmentidos. Atualmente, o ator está em Desventuras em Série da Netflix.


Apesar da ótima interpretação de Darren Criss, o roteiro superficial fez com que nosso "cara mal" parecesse um daqueles vilões secundários que vemos em episódios de séries de super-heróis por aí.

Ele fez nada demais, só pôs os dois no "coma", foi assaltar um banco e, menos de 5 minutos depois, foi pego por Wally, Hank e Cisco. No final do episódio, ele desapareceu do nada. Só.

A segunda foi os clichês. A falta de criatividade em certas partes era óbvia. Não que seja ruim clichês, mas fazer algo só de clichês é algo podre. Famílias rivais, amor proibido, morte e redenção no final, com todo mundo feliz. Fica a sensação de "eu já vi isso antes".

Outra falha foi o desenvolvimento da trama, que é muita lento. Eu fiquei com a sensação de que, por ser um musical, teríamos músicas atiradas em todo lugar, mas eu senti foi tédio do povo falando só na espera da próxima canção. Ironicamente, o Flash foi bem lento nesse episódio.

...Cantando...

Quando disseram que o episódio seria somente com músicas originais, eu já fiquei ansioso pelas canções, apesar de um pouco desapontado, porque eu realmente queria a Melissa cantando Holding Out Of A Hero (que se encaixaria muito bem nesse musical se ele fosse um pouco mais "moderno") de novo, já que ela já havia feito uma versão pra Glee na forma de dueto.



A música que eu mais gostei do episódio foi SuperFriends porque ela foi que mais mostrou a capacidade dançante e cantante Grant e Melissa, não por completo, mas foi satisfatório. Uma coisa boa dessa canção é que, além do Winn estar no piano, a letra da canção é de duplo sentido (porque eles são muito/super amigos e porque eles são super... Entendeu?) e, no meio da performance, os atores ficam se corrigindo.


Put a Little Love In Your Heart foi a que mais me lembrou performances de Glee, a que mais me deu saudade do show de Ryan Murphy, a que mais me lembrou musicais (o povo tá lá de boas, vivendo suas vidas e, no momento seguinte, tá dançando como se tudo já tivesse sido planejado) (Sim, pra mim isso é um musical)



Em muitos momentos, parecia que a letra e o ritmo da canção me causaram certa estranheza. Era como se a letra cantada não se encaixasse com o ritmo, principalmente em More I Cannot Wish You, que é uma música lenta. Talvez seja coisa da minha cabeça, mas ouça a canção e tire suas próprias conclusões:



...E seguindo em frente

Duet, em todos os aspectos, como filler e musical, foi mediano.
Novamente, dou parabéns a Grant e Melissa por terem se esforçado e terem dado o melhor deles.

Aos produtores, fica a dica: se, futuramente, forem inventar de fazer isso de novo, assistam alguns episódios de Glee ou os episódios musicais de Grey's Anatomy e Scrubs para fazer algo direito.

Não precisa ser musical, só preciso de mais crossovers desses dois.
No Brasil, The Flash e Supergirl (renovados para suas 4ª e 3ª temporada, respectivamente) são transmitidos pelo Warner Channel.

E você caro leitor? O que você pensa a respeito desse crossover?
Gian Luca escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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