Cinema

Crítica: Maria Madalena, empoderada e apóstola evangelista

Filme vem para desmitificar a fama de Maria Madalena


Maria Madalena do diretor Garth Davis (Lion) estreia no próximo dia 15 de março no Brasil, e traz uma versão diferente da história de uma das mulheres mais famosas da Bíblia.


Maria Madalena é conhecida como prostituta, equívoco registrado pelo Papa Gregório I. O que muitos não sabem, é que em 2016 o Vaticano assumiu Maria Madalena como Apóstola Evangelista de Jesus de Nazaré.

O longa metragem traz a história de fé, de uma mulher que enfrentou o regime tradicional da família e da sociedade e o machismo, e acompanhou a saga de Jesus, propagando a palavra. O elenco tem Joaquim Phoenix (Jesus) e Rooney Mara como Maria Madalena.

O batismo de Maria Madalena

O filme é uma bela produção com seus cenários desérticos, construções de pedra, e o rio como um outro personagem, importante para o batismo das "novas ovelhas" e fonte de renda e alimentação.

Rooney Mara está surpreendente no papel, e junto com Phoenix compartilham uma química que traz diálogos emocionantes para envolver o telespectador.

Maria Madalena antes de iniciar sua história de fé

Joaquim Phoenix tem seus bons momentos, mas muitas vezes se perde. Seu primeiro discurso na praia, é lamentável, partindo desse ponto, a maioria das cenas em multidão sua atuação não é boa, sendo compensada nos diálogos ou nas cenas com os apóstolos.
Em uma das umas últimas cenas, a da crucificação, o ator não transparece sofrimento, transformando um dos cortes mais importante em algo sem emoção.

Os apóstolos são apresentados, não todos eles, tendo destaque para Pedro (Chiwetel Ejiofor) e Judas (Tahar Rahim). O personagem de Pedro é levado por um caminho e no final é modificado bruscamente, de uma forma que deixa o público pensando, se foi uma falha de roteiro ou algo intencional para trazer uma nova imagem do apóstolo. Quanto a Judas é a melhor construção da figura do traidor já feita em um filme de tema religioso, mostrando em sua saga o motivo da sua traição.

Apóstolo Pedro por Chiwetel Ejiofor

Judas e Maria Madalena após o batismo

O roteiro inicia de forma inovadora, com a intenção de criar uma nova (e verdadeira) imagem para Maria Madalena, mas no último ato do filme a protagonista é deixada como coadjuvante, e mais uma vez a figura de Jesus é exaltada. Ou seja, o maior equívoco do filme, onde a intenção é trazer a coragem e o empoderamento de uma mulher injustiçada por séculos para mais uma vez um homem assumir o centro da história.

Maria Madalena é um filme que vem para revolucionar a história da igreja, originar perguntas, criar polêmica, ferir o conservadorismo, e mostrar as consequências de ser uma mulher a frente do seu tempo, diante do tradicionalismo e machismo de uma sociedade patriarcal desde da Era de Cristo.

Abra sua mente, e não perca Maria Madalena nos cinemas!!!

Ficha Técnica


Nome: Maria Madalena
Nome OriginalMary Magdalene
Origem: EUA
Ano de produção: 2018
Lançamento: 15 de Março de 2018
Gênero: Drama, Religioso
Classificação:  14 anos
DireçãoGarth Davis
Elenco: Ariane Labed, Chiwetel Ejiofor, Denis Ménochet, Hadas Yaron, Irit Sheleg, Joaquin Phoenix, Lubna Azabal, Rooney Mara, Ryan Corr, Tahar Rahim, Tcheky Karyo
Polly Wannele é nordestina, arquiteta, viajante, cinéfila, leitora e viúva de Han Solo. É uma Jedi, mas todos falam que é uma Sith por ter gênio do capiroto.
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