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O excesso de Streaming...

Ter bons serviços vale a pena, mas fragmentar o conteúdo complica.



Em primeiro lugar, vamos colocar os panos limpos logo de cara. Adoro a Netflix, já usei o Hulu e ainda não tive a oportunidade de usar o Amazon, mas ter possibilidades de assistir o que eu quero da forma que eu bem entender é muito bom.


Dito o acima, vamos para a parte crítica da coisa, pois nem tudo vive de elogios. A questão do excesso de streaming. Por que eu digo isto? Não sei se vocês já perceberam, mas o que temos de serviços de Streaming espalhados por aí dá a entender que este é um futuro irreversível e isto é muito bom - e muito ruim.

Por que é muito bom?


Antigamente era fato que para assistir conteúdo de "qualidade" se fazia necessário, pelo menos no Brasil, fazer uma assinatura de TV fechada e, consequentemente, ter acesso a diversos canais. MTV, Globonews, Cartoon Network, HBO, ESPN, enfim, um gigantesco montante de canais onde, de acordo com a sua programação pré-definida, o telespectador sentava-se em frente a TV e esperava a hora do seu programa chegar.



O grande porém da TV por assinatura era que, no final das contas, tínhamos uma quantidade excedente de canais e uma programação extremamente repetitiva. Na verdade é algo que começou a "piorar" nos anos 2010, uma grade com diversos canais, mas muitos deles se comportando como um. Quem nunca viu o filme As Branquelas? Eu me surpreendi um dia de tanto a TNT, quanto o Space, quanto o Comedy Central ter passado o mesmo filme no mesmo dia e só não foi em horário igual porque eu acho que os canais se combinaram para não fazer isso.

Pagar caro por um conteúdo que foi, cada vez mais, ficando repetitivo e que você precisa esperar para assistir começou a cair em popularidade com o YouTube e, em seguida, com a popular Netflix. Estes dois serviços de streaming fizeram as TV's por assinatura se desesperarem.



A possibilidade de poder assistir o que quisesse e como quisesse - de acordo com as limitações destes e de outros serviços - é o lado bom da história. Num primeiro momento a Netflix arrebanhou multidões por ter uma biblioteca gigantesca de filmes, seriados e documentários, assim como um preço de assinatura bem barato.

Com os diversos acordos assinados com os estúdios cinematográficos espalhados pelo globo, a Netflix permitiu que antes filmes pirateados pudessem ser assistidos sem o ônus de ficar contra a Lei, dependendo do seu país. A possibilidade de assistir como e quando quiser torna a coisa toda ainda mais atraente e, com isto, outras empresas vieram atrás deste sucesso e os estúdios abriram os olhos e aí que vem o lado negativo.

Por que é ruim?


Com os mais diversos serviços de streaming nascendo ou que já são concorrentes direitos da Netflix - Hulu e Amazon Prime são os mais conhecidos deste meio - temos o começo da concorrência deste novo nicho. Cada empresa apostando em assinar contratos vultuosos com os estúdios para trazer os seus mais famosos filmes para os seus catálogos ou, até mesmo, fazendo parcerias com estúdios para criar os seus próprios filmes e seriados e, aqui, começa a morar o perigo.

Se, por um lado, no seu início você pagava por um serviço só para assistir quase toda a produção de entretenimento, agora a tendência é haver uma segmentação. Quer assistir filmes da Universal, vai para o Hulu, ah, quero ver da Warner, vai ter de pagar a Netflix, mas eu gosto mesmo é da Lionsgate, então se joga para a Amazon Prime (serviços e estúdios postos aleatoriamente). Apesar dos preços em conta de cada serviço, ter de pagar por dois ou mais deles para ter um conteúdo decente, no final do mês, pesa do bolso do consumidor, mas esta não é a pior parte.



Quando os estúdios fazem um acordo com estes serviços, eles ganham um percentual em cima do seu catálogo que vai ser exibido e, com o passar do tempo, filmes, seriados e afins são renovados ou não por conta do Big Data que analisa e mostra quais são estes mais assistidos e os que não.

Agora os estúdios percebem que estes serviços de streaming ganham um bela quantia por conta das assinaturas e que isto se dá por conta de seus catálogos. E o que eles pensaram? Por que não criarmos os nossos próprios serviços de streaming?

Este é o perigo


Não que monopólio seja algo bom, pelo contrário, quanto mais concorrência, menores os preços e melhores os serviços prestados, mas quando este serviço destaca-se o conteúdo de entretenimento onde os mais diversos estúdios tem os mais diversos direitos por coisa que gostamos de consumir, a coisa complica.

Quando se tem concorrência na telefonia, por exemplo, onde os serviços prestados são apenas três basicamente: Telefonia, Internet e SMS, o preço e a forma que os serviços são oferecidos é um grande diferencial, mas quando são estúdios querendo oferecer streaming a coisa complica.



Gosto dos filmes da Universal, da Fox, da Columbia, da Tristar, da Walt Disney e da Lionsgate, por exemplo, se cada um destes começarem a oferecer os seus filmes e seriados por si mesmos e os serviços forem, digamos, 7 reais, seriam 42 reais na conta todo mês e se, digamos, não fizerem os seus serviços streaming, mas colocar alguns filmes na Netflix, outros no Hulu e outros no Amazon Prime, arredondando os valores para 20 reais, são 60 reais no fim do mês.

A Walt Disney vai começar a oferecer um serviço de streaming daqui um tempo e como detentora da Marvel, da LucasArts e, agora, da Fox, ela terá um enorme peso nesta área e só o futuro dirá.

As possibilidades de consumo são muitas, boas e ruins, o grande afã é quanto você quer pagar para assistir tudo que gosta.

Daniel Gomes escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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