Crítica: Vingadores: Ultimato é o ápice dos filmes de heróis

Junto com Guerra Infinita, filme forma o ápice do Marvel Cinematic Universe e alcança um nível que dificilmente será superado


Uma das críticas mais constantes sobre os filmes da Marvel, principalmente os de origens, é que eles sempre apelam para a "Jornada do Herói", o ciclo em que um herói parte para uma aventura, mesmo após recusar, enfrenta desafios, acaba sofrendo uma perda, consegue se reerguer e cumpre o seu destino. Guerra Infinita foi a primeira parte desta jornada, enquanto Vingadores: Ultimato traz o resto do ciclo (embora consiga repetir alguns de seus momentos). É um filme que faz exatamente o promete, pondo um fim adequado à tudo o que vimos no MCU até agora, só que chega lá com alguns tropeços.


Assistir Vingadores: Ultimato é um pouco mais fácil do que o esperado. Embora sejam três horas de filme, só começamos a sentir o cansaço de tanto tempo no cinema mais para o final, justamente o momento mais empolgante, quando a adrenalina sobe e você quer ver o resto. De qualquer forma, fica a dica de ir ao banheiro antes e dosar na hora de comer e beber durante a sessão, para não ter que sair.

O penúltimo filme desta fase do MCU (já que Homem-Aranha: Longe de Casa será o último) começa pouco após Vingadores: Guerra Infinita. Thanos venceu, o universo perdeu metade de todos os seres vivos. Tony Stark está em Titan com Nebulosa, enquanto o resto dos heróis está na Terra lidando com a derrota. É o ponto mais baixo de sua jornada, pois falharam no momento mais crucial.


Os trailers divulgados até então mostravam apenas a primeira parte do filme, resolvendo problemas de dar spoilers sobre a trama toda - até a melancólica cena do Stark gravando uma mensagem no espaço é algo que acontece nos primeiros minutos. E ela dita o tom de boa parte do filme. Lembre-se, eles perderam e metade do universo foi junto. Há muita raiva e tristeza ao encontrar uma realidade assim. É muito mais sério do que o resto do MCU, aproximando-se de Capitão América: Soldado Invernal. Há momentos descontraídos, só que mais rápidos e que servem só para dar aquele respiro.

Logo eles se juntam com um único objetivo: reverter o que Thanos fez. Até este momento, o filme vem redondinho. Só que é a partir daí que ele começa a mostrar os seus problemas, tentando dividir a ação entre gente demais de forma a resolver qualquer ponta solta deixada ao longo das produções anteriores.


Começa que o time é formado praticamente com os Vingadores originais. Sim, temos algumas pessoas que vieram depois, como Nebulosa, Rocket Raccoon e Rhodes (o Máquina de Combate), mas o foco é ter a equipe original. É o reencontro desde Era de Ultron, com todos focados em um único objetivo, deixando de lado as diferenças. Isso já começa a dar dicas do que virá pela frente.

Com tanta gente assim, o filme começa a ter um problema de ritmo, pulando de um lado para o outro de forma a mostrar todo mundo. E como a equipe original é o destaque, muitos dos coadjuvantes aparecem muito pouco e, em alguns casos, aparecem sem nem mesmo falar uma palavra ou participar da batalha final.

Parece que não gostei do filme, mas não é bem assim. O último ato, quando começa a pancadaria, é o que todos os fãs esperaram ao longo de todos estes anos, com os Vingadores (e aliados) lutando de forma bem coreografada. Lembra de como eles lutaram no começo de Era de Ultron, cada um desempenho o seu papel e fazendo alguns ataques combinados? Aqui vemos o ápice disso, fruto da experiência de anos e a confiança mútua. E o combate é longo, carregando todo o resto da produção até o fim.

E as atuações estão ótimas, com destaque para Mark Ruffalo, em um dos filmes que ele mais participa do que está acontecendo e serve tanto de alívio cômico como um dos personagens mais equilibrados emocionalmente após tudo o que aconteceu. Outro que chama a atenção é Robert Downey Jr., que já é um favorito dos fãs, mas que mostra seu talento com um Tony Stark muito mais humano e centrado. Sai um pouco da arrogância para aparecer o futurista que realmente acredita nos Vingadores.


A intenção original era escrever com spoilers, porém é difícil fazer isso. É uma experiência que precisa ser vivida sem expectativas ou conhecimento prévio e, parafraseando o filme, "se eu te disser o que vai acontecer, então não vai mais acontecer". A única coisa que posso dizer é que, como muitos fãs já suspeitavam, ele encerra a história de alguns personagens, abrindo as portas para um novo MCU, com uma nova equipe formada por outros heróis.

Mesmo com os tropeços na parte central da trama, Vingadores: Ultimato sobe novamente o patamar dos filmes de heróis, e para um ponto que talvez a própria Marvel não consiga superar. Se considerarmos o arco todo (Guerra Infinita e Ultimato), pode ser que tenhamos o magnum opus da empresa, a obra-prima que todos os filmes seguintes tentarão alcançar, mas sem sucesso.

Ficha Técnica:


Título: Vingadores: Ultimato
Título original: Avengers: Endgame
País: EUA
Data de estreia: 25 de abril de 2019
Gênero: Ação, Fantasia
Classificação: 12 anos
Duração: 182 minutos
Distribuidora: Disney
Direção: Joe Russo, Anthony Russo
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Brie Larson, Paul Rudd, Don Cheadle, Karen Gillan, Danai Gurira, Bradley Cooper, Gwyneth Paltrow, Jon Favreau, Benedict Wong, Tessa Thompson, Josh Brolin, Tilda Swinton, Robert Redford

Jornalista formado na FIAM-FAAM, escreve sobre suas três paixões: games, carros e cultura pop. Assinou textos para Nintendo World, Car and Driver, iG Carros e agora passa os dias falando de carros no Motor1.com Brasil.

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