Crítica: Coringa é uma viagem em uma mente doente

Filme que retrata a origem de um dos maiores vilões do Batman é violento e intenso


Quando as polêmicas sobre o filme do maior e mais emblemático vilão do morcego começaram a surgir, confesso que achei exagero, após conferir com meus próprios olhos posso afirmar que Coringa é um filme perturbador, violento e insano, ou seja, é um filme digno deste personagem.


Coringa, do diretor Todd Phillips, é uma história original e fictícia sobre o icônico vilão nunca antes vista no cinema. A versão de Phillips sobre Arthur Fleck, interpretado de maneira memorável por Joaquin Phoenix, mostra um homem lutando para se integrar à sociedade despedaçada de Gotham. Trabalhando como palhaço durante o dia, ele tenta a sorte como comediante de stand-up à noite... mas descobre que a piada é sempre ele mesmo. Preso em uma existência cíclica, oscilando entre a realidade e a loucura, Arthur toma uma decisão equivocada que causa uma reação em cadeia, com consequências cada vez mais graves e letais, nesta exploração ousada do personagem.

O filme te divide em relação aos sentimentos, o espectador sabe que ele em algum momento irá virar o vilão que todos conhecem mas, Arthur Fleck é um personagem tão carismático que te faz torcer para que ele se dê bem na vida e melhore.


O tom melancólico te dá uma sensação ser um filme longo, principalmente na primeira metade, o que remete bem a vida de Arthur, uma coisa monótona e entediante. Arthur é a personificação de uma pessoa comum, ele mora com a mãe e trabalha para tentar sobreviver em um mundo brutal e violento onde os ricos ditam as regras e os pobres lutam pela sobrevivência (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).


A trilha sonora é um personagem invisível que dita o ritmo da trama, ela te envolve o tempo todo, não é para menos já que a música foi composta por Hildur Guðnadóttir (da série da HBOChernobyl”, “Sicario: Dia do Soldado”).

Precisamos falar de Joaquin Phoenix



Sempre que se fala em um novo Coringa, surgem aqueles comentários de quê será que irá superar o outro, etc. Pois bem, em 1989 Jack Nicholson encantou com seu jeito lunático e trouxe uma grande representação do personagem. Em 2008 mais uma vez fomos agraciados com o talento de um ator dando vida a este icônico personagem: Heath Ledger. Heath Ledger fez um personagem tão incrível que acabou sendo maior até que o Batman em seu próprio filme.


Joaquin Phoenix agora entra para esse grupo de pessoas que interpretaram esse personagem tão intrigante. O que o difere dos seus antecessores é o fato de estar apresentando um personagem bem mais complexo. O Coringa de Phoenix tem uma profundidade maior, afinal é um filme deste personagem, mas a interpretação e a transformação que o ator traz é de arrepiar. O ponto alto é quando, no filme, Arthur sai de cena e entra o Coringa, as mudanças sutis e repentinas na postura e e no modo de agir do personagem mostram que realmente é um mergulho na mente psicótica e doente deste vilão. Será que agora o Oscar dele vem?

Ficha Técnica


Nome: Coringa
Nome Original: Joker
Origem: EUA
Ano de produção: 2019
Gênero: Drama
Duração: 122 min
Classificação: 16 anos
Direção: Todd Phillips
Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Frances Conroy, Zazie Beetz

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