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South Park cutuca EUA, Arábia Saudita e Cartman abraça “ciência racial” no episódio de Ação de Graças

Cartman apela à “ciência racial” na Turkey Trot financiada pela Arábia Saudita enquanto South Park vira alvo do Departamento de Guerra.


South Park voltou ao Comedy Central com um episódio de Ação de Graças que abraça tudo que a série faz de melhor: caos, sátira política e aquela ousadia desconfortável que só Matt Stone e Trey Parker dominam. Dessa vez, Eric Cartman mergulha no vale sombrio — e obviamente equivocado — da “ciência racial” para tentar vencer a corrida anual Turkey Trot, agora financiada pela Arábia Saudita.


A trama começa com South Park quebrada. A prefeito precisa salvar o evento tradicional da cidade, e a solução encontrada é pedir dinheiro para o Reino da Arábia Saudita, que anda distribuindo cheques a meia Hollywood — uma cutucada certeira no festival de comédia patrocinado pela KSA, que virou polêmica no mundo real.

Quando o prêmio de US$ 5.000 é anunciado, os alunos da escola entram em delírio competitivo. Cartman, sempre ele, decide aplicar sua “metodologia científica” para montar a equipe perfeita. O plano inclui escalar Tolkien Black, por puro estereótipo racial — algo que a série cutuca com sutileza zero, como Cartman sempre exige. Tolkien rebate: “Só porque sou negro não significa que corro rápido.” Mas Cartman prefere confiar em sua pseudociência absurda.

Enquanto isso, o episódio injeta seu habitual ataque ao noticiário político. Pete Hegseth, agora chefe do Departamento de Guerra, invade South Park para libertar Peter Thiel, mas acaba desencadeando uma verdadeira operação militar por engano, achando que a multidão da corrida é uma rebelião da Antifa. A confusão escala ao ponto do presidente Trump intervir por telefone, exigindo foco. Uma sátira perfeita da mistura de paranoia, guerra cultural e incompetência performática.

A corrida finalmente acontece — ou tenta — enquanto o Departamento de Guerra atira para todos os lados achando que está salvando o país. No final, por puro desespero, Cartman convence Tolkien a correr. Ele não é veloz, nunca disse que era, e está exausto. Ainda assim, graças ao empurrão literal e figurado de Cartman, Tolkien cruza a linha de chegada. Vitória conquistada pela “ciência racial”, como Cartman proclama, enquanto o episódio deixa claro o ridículo da ideia.

A carnificina burocrática termina com Hegseth preso na cadeia de South Park, ironicamente ao lado de Peter Thiel. E a cidade segue firme, como sempre, alimentada pela eterna mistura de sátira social, caos político e idiotice genial.

A 28ª temporada termina em 10 de dezembro — e se este episódio serve de termômetro, o final promete mais pólvora. No Brasil, os episódios começam a ser transmitidos ao vivo às sextas-feiras  no canal Comedy Central e chegam ao Paramount+ no dia seguinte à exibição.

Poeta, Bacharel em Radio, TV E Vídeo, Estrela, Editor e Co-criador do Papo Blast, Especialista em piada ruim, Viciado em séries e filmes, está mais perdido que Lost e acredita que Sharknado é um clássico subestimado mas vocês não estão prontos para essa conversa.


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