O movimento, avaliado em cerca de US$ 83 bilhões, muda o tabuleiro da disputa e aumenta a pressão sobre a Paramount, comandada por David Ellison, que tenta convencer o mercado de que sua oferta de US$ 30 por ação pela Warner Bros. Discovery inteira é superior.
Com a nova estrutura, a Warner Bros. seria adquirida pela Netflix, enquanto a Discovery Global se tornaria uma empresa independente. E é aí que mora o drama.
Em documento oficial enviado aos acionistas, a Warner Bros. Discovery (WBD) revelou quanto acredita que a Discovery pode valer sozinha. Dependendo do método de análise, o valor das ações da nova empresa poderia variar de US$ 1,33 a US$ 6,86 por ação.
Segundo a WBD:
- Análises de empresas comparáveis indicam valor entre US$ 1,33 e US$ 3,24
- Avaliações por soma das partes apontam de US$ 2,41 a US$ 3,77
- Já análises baseadas em transações de aquisição sugerem um teto mais otimista, entre US$ 4,63 e US$ 6,86
Nada modesto.
A Paramount, por sua vez, segue batendo na tecla de que a Discovery valeria US$ 0 ou, no máximo, US$ 0,50 por ação, usando como referência o desempenho da Versant. Em bom português: para Ellison, esse “resto” não fecha a conta.
A divergência virou caso de tribunal. Ellison entrou com ação exigindo mais transparência sobre os critérios usados pela WBD para avaliar a Discovery e já ameaçou uma batalha por procuração, tentando convencer acionistas a rejeitarem o acordo com a Netflix.
A WBD confirmou que realizará uma assembleia extraordinária de acionistas, ainda sem data definida, para votar o negócio. Se a Paramount quiser virar o jogo, vai precisar convencer investidores de que sua proposta é mais segura, mais valiosa e menos espinhosa do ponto de vista regulatório.
Mesmo assim, Netflix e WBD afirmam que o novo acordo em dinheiro acelera o processo e reduz incertezas.
David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, afirmou que a transação aproxima “duas das maiores empresas de narrativa do mundo” e garante longevidade às marcas do estúdio.
Ted Sarandos e Greg Peters, co-CEOs da Netflix, reforçaram que o acordo é pró-consumidor, pró-criador e pró-crescimento, além de ampliar investimentos em produção original e empregos no setor audiovisual.
A Netflix jogou pesado, simplificou o acordo e colocou pressão máxima no mercado. Agora, tudo gira em torno de uma pergunta incômoda: quanto realmente vale a Discovery sozinha?
Essa resposta vai decidir se o futuro da Warner passa pelo vermelho da Netflix… ou pelo cheque da Paramount.
Negócios, streaming e vaidade corporativa. Hollywood nunca decepciona.
Fonte: THR



