O resultado é um jogo que conquista pela direção artística, pela excelente trilha sonora e por um combate divertido, mesmo tropeçando em alguns problemas de movimentação e precisão dos controles.
Uma aventura simples, mas cheia de personalidade
A história acompanha Hidalgo Bladewing, uma coruja guerreira que desperta após dois anos para descobrir que seus antigos companheiros foram dominados pelo vilão Omega Wing.
Com a ajuda da espada falante Mezameta, Hidalgo precisa libertar seus amigos enquanto atravessa oito regiões diferentes de Judanest, um mundo que mistura tecnologia futurista, cultura oriental e muito neon.
O roteiro não tenta reinventar a roda. A clássica luta entre bem e mal funciona justamente por servir de pano de fundo para a ação constante.
Roguelite opcional é o grande diferencial
Um dos aspectos mais interessantes de Atomic Owl é permitir que cada jogador escolha como deseja aproveitar a campanha.
Quem gosta do gênero roguelite pode manter a estrutura tradicional, reiniciando após perder todas as vidas e utilizando melhorias permanentes adquiridas com Meza.
Já quem prefere uma experiência mais próxima dos clássicos jogos de ação e plataforma pode optar pelo modo tradicional, reduzindo bastante os elementos roguelite e tornando a progressão mais direta.
Essa liberdade faz com que o jogo consiga agradar públicos diferentes.
Combate rápido e arsenal variado
O combate é facilmente o ponto alto da experiência.
Ao longo da aventura, Hidalgo desbloqueia diferentes armas, incluindo:
- Espada rápida;
- Chicote de médio alcance;
- Espada pesada com alto dano;
- Martelos arremessáveis;
- Ataques especiais com elementos como fogo, veneno e eletricidade.
Cada arma possui vantagens próprias, incentivando o jogador a alternar constantemente durante as batalhas.
Os confrontos são rápidos, dinâmicos e bastante satisfatórios, principalmente contra grandes grupos de inimigos.
Pixel art impressiona do começo ao fim
Visualmente, Atomic Owl demonstra muito carinho.
A pixel art desenhada à mão apresenta cenários extremamente coloridos, cheios de neon e referências à cultura japonesa.
As cidades futuristas, templos, florestas e fortalezas possuem ótima variedade, enquanto o design dos personagens ajuda a criar uma identidade própria para o universo do jogo.
Mesmo utilizando um estilo bastante popular entre indies atuais, Atomic Owl consegue se destacar pela qualidade da direção artística.
Trilha sonora merece aplausos
Se existe um aspecto praticamente unânime entre as análises, é a qualidade da trilha sonora.
As músicas compostas por XENNON e Shibuya 84 utilizam synthwave para acompanhar perfeitamente o ritmo acelerado da aventura.
Desde o menu inicial até as batalhas finais, as faixas ajudam a criar uma atmosfera energética que combina perfeitamente com o visual cyberpunk do jogo.
É uma daquelas trilhas que facilmente entram na playlist depois de terminar a campanha.
Nem tudo funciona tão bem
Apesar das muitas qualidades, Atomic Owl possui alguns problemas que impedem voos mais altos.
O principal deles está na movimentação.
Os pulos nem sempre respondem com precisão, a escalada de paredes pode gerar movimentos inesperados e algumas plataformas parecem escorregadias, tornando determinadas sequências mais frustrantes do que desafiadoras.
Outro ponto citado por diferentes jogadores é a câmera, que em alguns momentos se afasta demais, dificultando visualizar ataques durante combates mais caóticos.
Também há críticas direcionadas à espada falante Mezameta, cujas piadas podem dividir opiniões ao longo da campanha.
Vale a pena jogar Atomic Owl?
Sim.
Atomic Owl talvez não revolucione os jogos de ação em plataforma, mas entrega exatamente aquilo que promete: uma aventura divertida, bonita e repleta de personalidade.
O combate é excelente, a trilha sonora é memorável e o visual conquista imediatamente. Os controles poderiam ser mais refinados, especialmente durante as seções de plataforma, mas isso não compromete totalmente a diversão.
Para fãs de jogos em pixel art, ação 2D, hack-and-slash e experiências inspiradas na era dos 16 bits, Atomic Owl é uma excelente recomendação.
Veredito
Atomic Owl é um daqueles indies que demonstram paixão em cada detalhe. Sua combinação de combate veloz, ambientação cyberpunk, personagens carismáticos e excelente trilha sonora faz da aventura uma experiência bastante agradável.
Embora ainda existam arestas na movimentação e no design de algumas fases, principalmente nas seções de plataforma, o saldo final é positivo.
Se você procura um jogo retrô moderno que respeita suas inspirações e ainda oferece a opção entre um modo roguelite ou uma campanha mais tradicional, Atomic Owl merece um espaço na sua biblioteca.







