Apesar das discussões internas, o documentário foi lançado conforme o cronograma em 3 de junho e rapidamente se tornou um dos títulos mais assistidos da plataforma.
Medo de processos teria motivado a discussão
De acordo com duas fontes ouvidas pela Variety, a principal preocupação da Netflix não era a repercussão nas redes sociais, mas sim uma possível batalha judicial com o espólio de Michael Jackson, conhecido por defender agressivamente a imagem do artista na Justiça.
Uma das fontes afirmou que os executivos ficaram receosos de enfrentar perdas financeiras caso fossem processados.
No entanto, a Netflix contestou essa versão em comunicado enviado à publicação.
"As alegações de que a Netflix reconsiderou o lançamento ou mudou seus planos devido a pressões externas são imprecisas. A série estreou conforme planejado e permaneceu no Top 10 da Netflix por três semanas."
Documentário revisita o julgamento de 2005
Dividida em três episódios, Michael Jackson: The Verdict reexamina o julgamento criminal enfrentado pelo cantor em 2005, quando ele foi absolvido de todas as acusações, incluindo abuso sexual infantil.
A produção reúne depoimentos de pessoas que acreditavam na culpa de Jackson, além de entrevistas com defensores de sua inocência, como:
- Brian Oxman, advogado da família Jackson;
- Raymone Bain, ex-assessora de imprensa do cantor;
- Dois jurados que participaram do julgamento;
- Uma fã que acompanhou o processo presencialmente.
A família de Gavin Arvizo, denunciante do caso, não participou do documentário.
Histórico de disputas judiciais
Segundo a Variety, o receio da plataforma tem fundamento no histórico do espólio de Michael Jackson.
Nos últimos anos, os herdeiros moveram ações contra diferentes empresas de mídia, incluindo:
- HBO, por causa do documentário Leaving Neverland, posteriormente retirado da HBO Max;
- ABC, em razão do especial The Last Days of Michael Jackson, encerrado por meio de um acordo judicial.
Até o momento, porém, a Netflix não recebeu nenhuma notificação oficial relacionada ao novo documentário.
Fãs organizaram campanha contra a série
A reportagem também afirma que a plataforma recebeu um grande volume de reclamações após o anúncio da produção.
Uma petição criada no Change.org pedindo a retirada da série ultrapassou 188 mil assinaturas, enquanto diversos fãs afirmaram nas redes sociais que cancelariam suas assinaturas da Netflix em protesto.
Segundo uma das fontes ouvidas pela Variety, parte dos e-mails enviados à empresa teria sido identificada posteriormente como proveniente de bots.
Lançamento teve divulgação discreta
Ainda de acordo com a reportagem, a Netflix adotou diversas medidas para reduzir a exposição do documentário antes da estreia.
Entre elas estariam:
- anúncio oficial apenas duas semanas antes do lançamento;
- restrição de entrevistas com os realizadores;
- ausência de sessões para a imprensa antes da estreia;
- envio de orientações de segurança para profissionais envolvidos na produção;
- uso de um endereço de e-mail dedicado para comunicações sobre o projeto.
Mesmo cercado por controvérsias, Michael Jackson: The Verdict estreou em 3 de junho e registrou 17,8 milhões de visualizações nos primeiros cinco dias, alcançando o primeiro lugar em 61 países e figurando no Top 10 em 89 mercados, segundo dados citados pela Variety.
Fonte: Variety.


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