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Review: Clarity: The Seven Demons of Vanguardia é o “Hollow Knight” que ninguém esperava?

Clarity: The Seven Demons of Vanguardia mistura plataforma 2D, combate e magia em uma jornada contra sete demônios. Confira nossa análise.


Nem todo demônio precisa ser derrotado com força bruta. Alguns precisam ser enfrentados de frente, entendidos e, principalmente, superados. Essa é a proposta por trás de Clarity: The Seven Demons of Vanguardia, jogo de ação e plataforma 2D desenvolvido pela Team Quantum Games. Apesar de apresentar uma estrutura que imediatamente faz pensar em Metroidvania, o próprio jogo se define como uma aventura de plataforma casual, construída ao redor da exploração de grandes áreas, combate contra demônios e aquisição de poderes elementais.


Lançado originalmente para PC em 2024, Clarity ganhou uma nova vida em 2026 com sua chegada aos consoles, incluindo PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch. A versão para consoles conta com publicação da eastasiasoft.

E aqui está a primeira coisa que precisamos deixar clara: Clarity tem boas ideias, uma identidade visual simpática e uma temática mais profunda do que sua aparência sugere, mas tropeça justamente quando tenta transformar essas ideias em uma experiência realmente marcante.

Uma jornada contra sete demônios


A história começa de maneira bastante simples.

Um jovem presencia a morte do pai pelas mãos de um poderoso demônio do relâmpago. Movido pela vingança, ele parte em uma jornada para enfrentar sete demônios espalhados por diferentes regiões de Vanguardia.

Até aí, temos aquela velha receita conhecida dos videogames:

"Meu pai morreu. Vou ficar forte. Vou matar o desgraçado."

Só que Clarity tenta ir além dessa premissa.

Os demônios representam diferentes dificuldades e conflitos que podem ser interpretados como metáforas para problemas enfrentados pelas pessoas na vida real. O jogo trabalha conceitos relacionados a sofrimento, perda, solidão, vícios, dificuldades emocionais e a necessidade de enfrentar os próprios "demônios".

É uma abordagem interessante porque transforma uma aventura aparentemente simples em algo mais introspectivo.

O protagonista não está apenas tentando derrotar monstros. Existe uma leitura possível de que ele está tentando lidar com a própria dor.

E, curiosamente, é justamente aí que Clarity consegue ser mais interessante do que sua estrutura de jogo deixa transparecer.

Sete mundos, sete demônios



A aventura é dividida em sete regiões, cada uma associada a um dos demônios.

Os ambientes possuem características elementais distintas, incluindo áreas de fogo, lava, gelo e veneno. Cada região funciona como um grande espaço de exploração no qual o jogador precisa atravessar plataformas, enfrentar inimigos, encontrar itens e eventualmente chegar ao chefe.

Uma das principais características de Clarity é permitir certa liberdade na ordem em que os demônios são enfrentados.

Ao derrotá-los, o jogador recebe novas espadas demoníacas e habilidades associadas aos elementos.

Isso cria uma espécie de sistema de vantagem elemental.

A ideia é simples: determinados poderes funcionam melhor contra determinados inimigos e chefes.

Na teoria, isso cria espaço para experimentar diferentes rotas e estratégias.

Na prática, porém, a implementação é um pouco menos impactante do que poderia ser.

Clarity é um Metroidvania?



Aqui está uma das discussões mais interessantes envolvendo o jogo.

Se você olhar para screenshots, mapas, exploração, habilidades desbloqueáveis e áreas enormes, provavelmente vai pensar:

"Isso aí é Metroidvania."

Só que não exatamente.

A própria descrição oficial do jogo deixa claro que Clarity não pretende ser um Metroidvania tradicional. A estrutura está muito mais próxima de um jogo de plataforma 2D com exploração.

E essa diferença é importante.

Em um Metroidvania tradicional, novas habilidades normalmente abrem caminhos anteriormente inacessíveis e fazem o jogador retornar constantemente a áreas antigas para descobrir novos segredos.

Clarity utiliza alguns desses elementos, mas não os desenvolve com a mesma profundidade.

A análise do Games Asylum, por exemplo, destaca justamente essa sensação de que o jogo parece ter sido construído para ser um Metroidvania, mas acabou optando por uma estrutura mais convencional de plataforma.

E talvez esse seja um dos maiores "e se?" do projeto.

Clarity tinha material para ser um Metroidvania mais interessante.

Mas decidiu não ser.

Jogabilidade: simples, rápida e funcional



No controle, Clarity entrega aquilo que se espera de um bom platformer 2D.

O protagonista possui movimentos como:

  • Pulo duplo;
  • Dash;
  • Rolamento;
  • Ataque com espada;
  • Magia;
  • Movimentação aérea;
  • Habilidades elementais.

A movimentação é relativamente fluida e incentiva o jogador a manter o ritmo durante a exploração.

O combate também é direto.

Você pode utilizar ataques físicos com a espada ou recorrer à magia alimentada pela chamada Clarity, recurso obtido ao derrotar inimigos.

Essa combinação evita que o combate fique limitado exclusivamente ao tradicional "chega perto e bate".

A magia permite lidar com determinados inimigos de maneira diferente e acrescenta uma camada estratégica que funciona especialmente bem quando combinada com as fraquezas elementais.

O problema está na precisão



Nem tudo funciona perfeitamente.

Uma das críticas mais recorrentes nas avaliações é justamente a falta de refinamento em alguns aspectos da jogabilidade.

A análise do Gaming Nexus atribuiu 65/100 ao jogo e destacou problemas envolvendo alcance dos ataques, hitboxes dos inimigos e precisão durante determinadas sequências de plataforma. O wall jump e alguns movimentos descendentes podem causar situações em que o jogador acaba corrigindo demais a posição do personagem.

Isso não transforma Clarity em um jogo ruim.

Mas é o tipo de problema que faz diferença em um jogo de plataforma.

Porque quando você erra um salto, quer saber que errou.

Não quer ficar pensando:

"Fui eu ou a física decidiu me sacanear?"

E essa sensação aparece ocasionalmente.

Os chefes são o grande destaque

Se existe uma área em que Clarity consegue justificar sua proposta, são os confrontos contra os sete demônios.

Cada chefe possui características próprias e está relacionado a um elemento específico.

Além de serem os principais obstáculos da aventura, os demônios também são responsáveis por fornecer novas armas e poderes.

Isso cria uma estrutura bastante tradicional, mas funcional:

explorar → enfrentar inimigos → chegar ao chefe → aprender suas fraquezas → derrotá-lo → ganhar um novo poder.

O problema é que a dificuldade desses confrontos pode variar bastante.

Quando o jogador possui o elemento adequado para determinado chefe, algumas batalhas acabam ficando fáceis demais. Essa foi outra crítica apontada pelo Gaming Nexus: determinadas fraquezas elementais podem diminuir significativamente a necessidade de aprender os padrões de ataque do inimigo.

Ou seja, o sistema elemental é interessante, mas também pode acabar sabotando parte do desafio.

Exploração: grande, talvez até demais


Os mapas de Clarity são extensos.

Muito extensos.

E isso pode ser uma qualidade ou um problema, dependendo do que você espera do jogo.

Existem colecionáveis, habilidades e outros elementos espalhados pelos cenários, e explorar os mundos pode render recompensas.

O problema é que tamanho não significa necessariamente profundidade.

Algumas áreas parecem grandes simplesmente porque são grandes.

É aquela velha diferença entre:

"Olha quantas coisas existem para descobrir!"

e

"Olha quanto chão eu preciso atravessar para chegar ao próximo ponto."

Algumas análises sentiram exatamente isso: os mapas possuem uma escala considerável, mas nem sempre apresentam conteúdo suficiente para justificar toda essa extensão.

E essa é uma crítica bastante justa.

A arte desenhada à mão é um dos grandes acertos


Visualmente, Clarity tem personalidade.

O jogo utiliza uma estética desenhada à mão, com ambientes coloridos e uma apresentação que lembra ilustrações de fantasia.

Não estamos falando de um título AAA com milhares de animações e efeitos cinematográficos.

E nem precisa.

O charme aqui está justamente na simplicidade.

Os diferentes biomas ajudam a criar variedade visual e fazem cada região parecer diferente da anterior.

É um daqueles casos em que o estilo artístico consegue compensar algumas limitações técnicas.

A direção de arte também combina com a proposta mais simbólica da história.

Os mundos não funcionam apenas como fases. Eles ajudam a construir a sensação de que o protagonista está atravessando diferentes manifestações de seus próprios conflitos.

E o som?


Aqui Clarity perde um pouco de força.

A trilha sonora cumpre seu papel, mas dificilmente será a primeira coisa que você lembrará depois de terminar o jogo.

Os efeitos sonoros também são funcionais, sem apresentar o mesmo nível de personalidade encontrado na direção artística.

Não chega a ser um desastre.

É simplesmente uma área em que o jogo poderia ter ousado mais.

Uma trilha sonora realmente memorável poderia ter ajudado bastante a criar identidade para cada um dos sete mundos e, principalmente, para os confrontos contra os demônios.

A temática é melhor do que parece


Talvez esse seja o aspecto mais interessante de Clarity.

Por baixo de sua aparência de jogo indie simples existe uma tentativa genuína de falar sobre questões humanas.

Os sete demônios podem ser interpretados como representações de diferentes dificuldades que uma pessoa enfrenta durante a vida.

Isso muda a maneira como enxergamos a aventura.

O protagonista começa querendo vingança.

Mas a jornada pode ser interpretada como algo maior: uma busca por recuperação e superação.

É uma abordagem que algumas análises também destacaram como um dos elementos mais significativos do jogo.

E o mais interessante é que Clarity não precisa ficar despejando discursos filosóficos na cabeça do jogador para transmitir isso.

A mensagem está presente na própria estrutura da aventura.

Você enfrenta um problema.

Aprende com ele.

Adquire novas ferramentas.

E segue em frente.

Convenhamos: não é uma metáfora ruim para a vida.

Onde Clarity poderia ser melhor


O jogo apresenta alguns problemas que impedem que ele saia da categoria de "bom indie" para algo realmente memorável.

Hitboxes e combate

O alcance dos ataques e algumas colisões nem sempre parecem tão precisos quanto deveriam.

Isso é especialmente perceptível em segmentos de plataforma mais exigentes.

Progressão pouco aproveitada

O jogo apresenta habilidades e poderes que poderiam transformar completamente a exploração, mas nem sempre utiliza esses recursos de maneira criativa.

Mapas grandes demais

As áreas extensas dão sensação de escala, mas nem sempre existe conteúdo suficiente para preencher esses espaços.

Chefes fáceis com a estratégia correta


O sistema elemental pode transformar algumas batalhas em encontros muito mais simples do que deveriam ser.

Algumas ideias são abandonadas

O jogo apresenta determinadas mecânicas interessantes logo no início, mas algumas delas acabam sendo pouco exploradas posteriormente.

Essa é uma pena particularmente grande.

Porque o jogador percebe o potencial.

E fica esperando o jogo finalmente dizer:

"Agora vamos usar isso de verdade."

E, às vezes, esse momento simplesmente não chega.

Clarity vale a pena?


Aqui a resposta depende bastante do tipo de jogador que você é.

Se você procura um Metroidvania gigantesco, complexo e cheio de caminhos interligados, provavelmente vai sair decepcionado.

Clarity não é Hollow Knight.

Não é Ori.

Não é Blasphemous.

E tentar colocá-lo nesse mesmo ringue seria injusto com o próprio jogo.

Agora, se você gosta de jogos independentes de plataforma 2D, exploração relativamente livre, chefes com fraquezas elementais e experiências mais curtas, Clarity pode entregar uma aventura divertida.

O jogo também tem uma vantagem importante: o preço de entrada é baixo.

Na PlayStation Store, por exemplo, a versão PS4/PS5 aparece com preço regular de US$ 9,99 e, na consulta realizada, estava em promoção por US$ 7,99.

Isso muda bastante a avaliação de custo-benefício.

Um jogo que talvez não justificasse uma etiqueta de US$ 30 ou US$ 40 pode fazer muito mais sentido na faixa dos dez dólares.

Plataformas


Clarity: The Seven Demons of Vanguardia está disponível para:

  • PC;
  • PlayStation 4;
  • PlayStation 5;
  • Xbox One;
  • Xbox Series X|S;
  • Nintendo Switch.

A versão para PC chegou originalmente em outubro de 2024, enquanto a expansão para consoles ocorreu em 2026. A versão Steam confirma o lançamento original em 9 de outubro de 2024 e lista Team Quantum Games como desenvolvedora e publicadora da versão para PC.

Ficha técnica


Jogo: Clarity: The Seven Demons of Vanguardia
Desenvolvedora: Team Quantum Games
Publicadora: Team Quantum Games / eastasiasoft
Gênero: Plataforma, ação, aventura
Estilo: Plataforma 2D / side-scroller
Modo: Single-player
PC: Steam
PlayStation: PS4 e PS5
Xbox: Xbox One e Xbox Series X|S
Nintendo: Switch
Lançamento original: 9 de outubro de 2024
Lançamento nos consoles: 1º de julho de 2026

A página oficial da Steam descreve o jogo como uma aventura de plataforma 2D na qual o jogador enfrenta sete demônios, obtém suas espadas e poderes mágicos e pode utilizar diferentes habilidades para avançar pelos mundos.

Prós


✔ Direção de arte desenhada à mão
✔ Movimentação rápida e divertida
✔ Sistema de magia e elementos interessante
✔ Sete chefes com características próprias
✔ Liberdade na ordem de enfrentamento dos demônios
✔ Temática mais profunda do que aparenta
✔ Preço acessível
✔ Experiência relativamente direta

Contras


❌ Hitboxes poderiam ser mais precisas
❌ Algumas mecânicas são pouco exploradas
❌ Mapas grandes nem sempre possuem conteúdo proporcional
❌ Trilha sonora pouco memorável
❌ Alguns chefes ficam fáceis quando suas fraquezas são exploradas
❌ Progressão poderia ser mais criativa
❌ Pode decepcionar quem espera um Metroidvania tradicional

Veredito: Clarity é bom, mas poderia ter sido muito melhor


Clarity: The Seven Demons of Vanguardia é um daqueles jogos que deixam uma sensação curiosa.

Você termina a aventura e percebe que existe algo genuinamente interessante ali.

A ideia dos sete demônios como representações de conflitos pessoais funciona.

A direção de arte funciona.

A movimentação funciona.

O sistema elemental funciona.

Os chefes funcionam.

Mas quase tudo parece estar a um pequeno passo de funcionar melhor.

É como se a Team Quantum Games tivesse construído a base de um jogo que poderia ser muito maior, mas tivesse decidido parar antes de transformar todo aquele potencial em algo realmente excepcional.

E talvez essa seja a melhor maneira de resumir Clarity: não é um jogo ruim. É um jogo de boas ideias que nem sempre consegue explorá-las até o limite.

Para quem procura uma experiência indie acessível, com plataforma 2D, combate, exploração e uma temática emocional escondida por trás da fantasia, vale dar uma chance.

Para quem procura um novo Metroidvania para passar dezenas de horas descobrindo cada canto do mapa, melhor baixar a expectativa.

Nossa nota: 7/10

Clarity: The Seven Demons of Vanguardia não vai revolucionar o gênero, mas entrega uma aventura simpática, acessível e com uma mensagem que acaba sendo mais importante do que a própria jornada de vingança.

Às vezes, o verdadeiro chefe final não está no fim da fase.

Está dentro da gente.

E esse, meu amigo, não dá para derrotar apertando quadrado.


Poeta, Bacharel em Radio, TV E Vídeo, Estrela, Editor e Co-criador do Papo Blast, Especialista em piada ruim, Viciado em séries e filmes, está mais perdido que Lost e acredita que Sharknado é um clássico subestimado mas vocês não estão prontos para essa conversa.


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