Hollywood definitivamente perdeu o medo de ser sutil.
Um avião sobrevoou nesta quinta-feira (3) o complexo da Paramount Pictures, em Hollywood, carregando uma faixa com uma mensagem que provavelmente não precisa de muita interpretação:
“ELLISON IS TRUMP’S B!TCH!”
Traduzindo para o bom e velho português: “Ellison é a putinha do Trump!”
A manifestação aconteceu em meio à crescente controvérsia envolvendo David Ellison, chefe da Paramount Skydance, e sua tentativa de concluir a aquisição da Warner Bros. Discovery. A autoria do protesto ainda não foi identificada.
E, considerando que a faixa estava literalmente voando sobre a sede da empresa, podemos dizer que alguém resolveu levar o conceito de “mandar um recado” para outro nível.
Protesto acontece no momento mais delicado da fusão
A faixa apareceu enquanto a negociação entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery enfrenta uma batalha jurídica cada vez mais intensa.
A proposta de aquisição, avaliada em aproximadamente US$ 110 bilhões, transformaria a Paramount em dona de um gigantesco portfólio de propriedades de entretenimento, incluindo Warner Bros., HBO, CNN, DC e diversas outras marcas.
O problema é que autoridades americanas argumentam que a união das duas empresas poderia reduzir a concorrência no mercado audiovisual.
A Califórnia, liderada pelo procurador-geral Rob Bonta, entrou com uma ação para tentar bloquear a operação. Outros estados também aderiram à disputa.
A Paramount, por sua vez, insiste que a fusão é legal e que pretende defender o negócio nos tribunais.
E por que Trump aparece na faixa?
A mensagem não surgiu do nada.
Uma das principais fontes de controvérsia em torno da operação é justamente a relação de David Ellison com Donald Trump.
Ellison e sua família mantêm relações próximas com o presidente americano, e o empresário esteve presente em eventos ligados ao governo Trump.
Essa proximidade alimentou acusações de que a Paramount estaria recebendo tratamento favorável do governo durante o processo de aprovação da aquisição.
A empresa rejeita essa interpretação.
A questão chegou a ser discutida abertamente durante a batalha antitruste. Críticos do negócio argumentam que a relação entre Ellison e Trump levanta dúvidas sobre a independência do processo regulatório, enquanto a Paramount afirma que a operação está sendo analisada dentro dos procedimentos legais normais.
Ou seja: a faixa que apareceu no céu não inventou a discussão.
Ela apenas decidiu colocar tudo em uma frase que certamente não passaria por um departamento jurídico.
Ellison já ameaçou tirar a Paramount da Califórnia
E a temperatura subiu ainda mais nas últimas semanas.
David Ellison ameaçou retirar a Paramount da Califórnia caso o estado não aceitasse negociar uma solução para a ação antitruste que tenta impedir a fusão.
A empresa teria estabelecido 1º de outubro como prazo para que um acordo fosse alcançado antes de começar a planejar a saída.
A ameaça provocou forte reação dentro de Hollywood.
A Writers Guild of America (WGA) afirmou que a possibilidade de deixar a Califórnia seria justamente uma demonstração do perigo causado pela concentração de poder que os críticos atribuem à operação.
E existe uma questão bastante prática nisso tudo: para onde exatamente você leva Hollywood?
O complexo da Paramount não é simplesmente um escritório que pode ser colocado em caixas e despachado por FedEx.
São décadas de infraestrutura, estúdios, profissionais, fornecedores e uma enorme cadeia de produção construída ao redor da indústria cinematográfica californiana.
A promessa de 30 filmes por ano também está no centro da discussão
Para tentar convencer o mercado de que uma Paramount maior seria positiva para Hollywood, a empresa vem prometendo manter uma forte presença cinematográfica.
Entre os compromissos apresentados está a promessa de lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas caso a aquisição da Warner Bros. seja concluída.
O argumento é que a fusão permitiria combinar os recursos dos dois grandes estúdios e manter uma produção cinematográfica robusta.
Os críticos, entretanto, enxergam a situação de outra maneira.
Para eles, concentrar tantas propriedades e recursos em uma única empresa pode justamente resultar em menos concorrência e menos diversidade na produção.
É essa contradição que está alimentando boa parte da batalha pública em torno do negócio.
O protesto não diz quem está por trás da faixa
Apesar de toda a repercussão, existe uma informação importante: ninguém assumiu publicamente a autoria do protesto.
A Variety informou que não está claro quem contratou o avião ou financiou a faixa.
O protesto, portanto, pode ter sido organizado por ativistas, grupos contrários à fusão ou simplesmente alguém com dinheiro suficiente e um nível impressionante de disposição para transformar uma manhã comum em Hollywood em uma cena de filme.
A comunidade local rapidamente registrou o momento.
Imagens e comentários sobre o avião começaram a circular nas redes sociais, fazendo a mensagem viralizar.
E, sejamos honestos: um protesto com faixa em um prédio é uma coisa. Um protesto com avião dando voltas sobre Hollywood é outra completamente diferente.
A guerra pela Warner Bros. virou espetáculo
Existe uma certa ironia em tudo isso.
A Paramount e a Warner Bros. são duas empresas cuja principal atividade é contar histórias.
Agora, enquanto brigam por uma das maiores operações da história recente do entretenimento, a própria negociação está produzindo personagens, vilões, heróis, reviravoltas e frases que parecem saídas de um roteiro.
Temos:
- uma aquisição de aproximadamente US$ 110 bilhões;
- uma batalha antitruste;
- procuradores-gerais tentando impedir o negócio;
- David Ellison ameaçando retirar a Paramount da Califórnia;
- Donald Trump no centro das acusações de proximidade política;
- artistas e sindicatos criticando a operação;
- Tom Cruise defendendo o plano da Paramount;
- Mark Ruffalo atacando a fusão;
- e agora um avião chamando o chefão da Paramount de “Trump’s Bitch”.
Se alguém apresentar isso como argumento de um episódio de Succession, ninguém vai reclamar.
Mas afinal, a fusão vai acontecer?
Por enquanto, ninguém pode dizer.
A Paramount continua trabalhando para concluir a aquisição, mas a batalha judicial representa um obstáculo importante.
O processo deve avançar nos próximos meses, enquanto os dois lados tentam defender suas posições.
Para Ellison, a fusão representa a possibilidade de criar um dos maiores conglomerados de entretenimento do planeta.
Para os opositores, é exatamente esse o problema.
E enquanto advogados discutem leis antitruste, executivos negociam nos bastidores e políticos trocam acusações...
Hollywood resolveu fazer o comentário em letras gigantes no céu.
Talvez não seja a forma mais diplomática de participar de uma negociação de US$ 110 bilhões.
Mas, convenhamos: é definitivamente uma das mais difíceis de ignorar.
E fica a dúvida: quem pagou o avião?
Porque, dependendo da resposta, essa história pode ganhar um segundo episódio ainda melhor.
Fontes: Variety, CNN, Reddit



