Crítica: Era uma vez minha primeira vez, de novo Thalita Rebouças

Era uma vez minha primeira vez, que estreia dia 17 de setembro nos cinemas, é mais um filme baseado em livro de Thalita Rebouças


Baseado no livro de Thalita Rebouças, “Era uma vez minha primeira vez”, que estreia dia 17 de setembro nos cinemas, é um filme para quem é fã e acompanha a carreira da autora, uma vez que suas narrativas ainda são muito anos 2010. O mundo se transformou, especialmente nos últimos 5 anos, e Thalita segue escrevendo o mesmo tipo de história com seus personagens rasos.

Sinopse

Baseado no livro de Thalita Rebouças, o filme “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” é uma adaptação para o cinema que aborda de forma leve, madura e descomplicada as descobertas e os ritos de passagem da juventude. A história acompanha quatro amigas - Teresa, Clara, Tuca e Patty - que descobrem que o despertar da sexualidade acontece de forma única para cada uma. O filme é uma narrativa sensível sobre expectativa, amizade e o limite entre pressa e descoberta.
Uma coisa que me incomoda nos longas baseados nos livros da Thalita Rebouças, é que a narrativa não aprofunda a história das personagens. A gente sabe que elas são adolescentes se jogando em novas experiências e descobrindo sua sexualidade. No entanto, a narrativa não aprofunda quem são essas garotas para entendermos suas motivações, ou até mesmo como o passado influencia suas decisões. Que tipo de pais elas têm? São uma família tradicional, ou mais moderna?


Por exemplo, a personagem Clara, interpretada pela atriz Castorine, é uma garota empoderada que tem apoio psicológico para conseguir aceitar seu corpo tamanho G. Essa aceitação é apresentada de forma muito corrida na narrativa, que foca o tempo todo no objetivo sem permitir um tempo para refletir sobre o para quê.

Considerando que, em “Era uma vez minha primeira vez”, os personagens são adolescentes, no alto de seus 17 anos, acredito que, no decorrer do longa, eles sobem o tom além da conta, ao falar sobre brinquedos sexuais. Aqui, não estou sendo a defensora da moral e dos bons costumes, principalmente porque acho a família tradicional uma das maiores mentiras já inventadas pela humanidade. Falei, tô leve! Mas, considerando que é difícil para muitos responsáveis entenderem que seus filhos têm uma vida sexual ativa, quem dirá imaginar que eles já usam esse tipo de artifício. Nesse contexto, preciso comentar que essa cena não acrescentou nada, porque dá para tratar do assunto sem precisar pesar a mão.

Quando falamos de narrativas voltadas para adolescentes, que são pessoas em desenvolvimento, não precisamos criar mais uma demanda além das que eles já têm que administrar, que, no caso, é a descoberta da própria sexualidade. Pois, falamos de algo difícil para alguém tão jovem lidar, inclusive para os que não são tão jovens também. Assim, quando o filme toca nesse assunto, traz para a mesa mais uma questão, tanto para as adolescentes, quanto para seus responsáveis, que não faz diferença para o que está sendo apresentado. Aliás, acredito que essa temática fará alguns responsáveis proibirem seus filhos de assistir ao filme.


“Era uma vez minha primeira vez” é mais do mesmo entre tantos filmes produzidos com base nos livros de Thalita Rebouças; portanto, não temos novidades. O que se torna um problema quando o longa vai competir pela atenção do público com outros conteúdos audiovisuais mais alinhados com o contexto histórico-social em que vivemos. Pode até parecer hipocrisia, visto que ultimamente escolho narrativas leves - porque de pesado já basta a vida. Também porque quero me distrair e não escrever um artigo. Entretanto, quando o conteúdo tem adolescentes como público, acho que um certo cuidado é necessário.

Ficha Técnica

Título: Era uma vez minha primeira vez
Título original: Era uma vez minha primeira vez
País: Brasil
Data de estreia: 17 de setembro de 2026
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Distribuidora: Paralela Filmes
Direção: Claudia Castro
Elenco: Castorine, Lívia Silva, Leticia Braga, Duda Matte, Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta.

Kika Ernane, Karina no RG, e sou multitasking (agora que aprendi o significado do termo segura). Uma mulher como muitas da minha geração, que ainda não descobriram como aproveitar a liberdade que lutaram tanto para conseguir. Muito menos administrar todas as tecnologias disponíveis. Enfim, estou sempre aprendendo.


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