Cinema

Documentário sobre Elon Musk promete expor o bilionário em quase 4 horas

Alex Gibney prepara um documentário de quase 4 horas sobre Elon Musk, sua ascensão ao poder, política e controversa relação com Trump.


Se existe alguém que conseguiu transformar a própria vida em um roteiro que parece exagerado demais para Hollywood, esse alguém é Elon Musk.


Bilionário, dono da Tesla e da SpaceX, responsável pelo X e uma das figuras mais controversas da política americana recente, Musk agora vai ganhar um documentário dirigido por Alex Gibney, um dos cineastas mais conhecidos do gênero.

E não estamos falando de um filminho de duas horinhas para passar no streaming enquanto você mexe no celular.

Musk terá cerca de 3 horas e 52 minutos de duração.

Sim. Quase quatro horas.

E, segundo Gibney, ainda foi necessário cortar bastante material.

Alex Gibney passou quase quatro anos acompanhando Musk


Gibney começou a trabalhar no projeto no final de 2022. A ideia inicial era produzir um documentário de aproximadamente duas horas sobre Musk, mas os acontecimentos envolvendo o bilionário simplesmente continuaram se acumulando.

Em determinado momento, o diretor acreditava ter terminado o filme.

Só que aí veio a aproximação de Musk com Donald Trump, sua participação na campanha presidencial americana e, posteriormente, sua atuação no chamado DOGE, órgão criado durante o governo Trump para promover cortes e mudanças na estrutura do governo federal.

A história ganhou um novo capítulo.

E depois outro.

E outro.

Gibney continuou filmando durante quase dois anos adicionais, chegando a trabalhar com uma versão de aproximadamente seis horas antes de reduzir o material para o corte final.

O resultado será exibido com 232 minutos, ou 3 horas e 52 minutos.

Porque aparentemente a vida de Elon Musk não cabe mais em uma trilogia.


O documentário acompanha Musk muito além da Tesla

A produção pretende fazer um retrato abrangente do empresário.

O filme percorre sua infância, os primeiros passos no Vale do Silício, a participação na criação do PayPal, a transformação da SpaceX em uma das empresas espaciais mais importantes do mundo, sua ascensão na Tesla, o projeto Starlink, os investimentos e experimentos envolvendo Neuralink e, obviamente, a controversa aquisição do Twitter — posteriormente transformado em X.

Também entram na equação sua vida pessoal, seus relacionamentos, sua enorme família e a maneira como Musk passou a utilizar sua própria plataforma para influenciar debates políticos e sociais.

Mas existe uma diferença importante.

Gibney não parece interessado apenas em responder “quem é Elon Musk?”

A pergunta central é muito maior:

como uma pessoa tão controversa conseguiu acumular tanto poder?

“É insano uma pessoa tão caótica ter tanto poder”


Uma das frases mais fortes associadas ao projeto resume perfeitamente a intenção do diretor.

Gibney considera preocupante a quantidade de influência concentrada nas mãos de Musk e questiona como alguém que frequentemente toma decisões consideradas imprevisíveis conseguiu chegar a uma posição tão poderosa.

E o documentário não pretende tratar Musk apenas como empresário.

A produção acompanha a transformação do bilionário em uma figura política extremamente influente, especialmente após sua aproximação com Donald Trump.

Segundo Gibney, Musk passou a desempenhar um papel relevante no cenário político americano ao utilizar dinheiro, influência empresarial e sua plataforma de mídia para interferir no debate público.

O documentário, portanto, pretende discutir não apenas Tesla, SpaceX ou X.

A discussão é poder.

Musk já chamou o filme de “hit piece”


A reação de Elon Musk ao documentário também faz parte da história.

Quando o projeto foi anunciado, Musk classificou a produção como um possível “hit piece”, expressão usada para descrever uma obra supostamente criada com a intenção de atacar ou prejudicar sua imagem.

Gibney, por sua vez, respondeu questionando como Musk poderia saber antecipadamente qual seria o conteúdo do filme.

E, desde então, o projeto continuou crescendo.

O que começou como um documentário sobre um dos empresários mais famosos do planeta acabou se transformando em um retrato de uma figura que passou a ocupar simultaneamente os mundos da tecnologia, mídia e política.

O filme mostra Musk durante a era Trump


Uma das partes mais importantes do documentário será justamente o período em que Musk passou a atuar diretamente na política americana.

Gibney acompanhou os acontecimentos relacionados ao DOGE e a presença de Musk dentro do governo Trump.

O filme inclui imagens de Musk em Washington e reuniões com jovens integrantes de sua equipe, além de momentos que mostram a influência conquistada pelo empresário durante aquele período.

Para Gibney, esse capítulo foi fundamental.

Se o documentário tivesse sido encerrado em 2024, a história estaria incompleta.

O diretor decidiu continuar porque Musk havia deixado de ser apenas um dos homens mais ricos do planeta.

Ele havia se tornado um personagem político.

David Byrne também entrou na brincadeira


E existe uma participação curiosa no projeto.

David Byrne, vocalista do Talking Heads, escreveu e interpreta uma música original para o documentário chamada “Let Me Sell You a Dream”.

A faixa aparece dentro do corte de 232 minutos e será submetida à disputa pelo Oscar de Melhor Canção Original.

O mais curioso é que Byrne utilizou declarações do próprio Musk como base para a letra.

Ou seja, em vez de inventar frases para representar o bilionário, a música transforma algumas de suas próprias declarações em uma espécie de poesia satírica.

Como se a realidade já não fosse estranha o suficiente, agora ela ganhou trilha sonora.

Musk estreia nos grandes festivais antes de chegar aos cinemas


O documentário terá sua première mundial no Festival de Cinema de Veneza, em 8 de setembro de 2026, fora da competição.

Depois, seguirá para o Festival Internacional de Cinema de Toronto.

Nos Estados Unidos, a estreia comercial está marcada para 16 de outubro, com distribuição da Bleecker Street.

Posteriormente, o filme será exibido pela HBO.

A escolha de Veneza não é exatamente pequena: o festival vem apostando fortemente em documentários que abordam questões políticas e sociais contemporâneas, e o filme de Gibney é um dos títulos mais comentados da programação deste ano.

Alex Gibney não é exatamente um novato em assuntos espinhosos


Para entender o tamanho da aposta, também vale lembrar quem está por trás das câmeras.

Gibney já realizou documentários sobre temas extremamente controversos envolvendo Scientology, Enron, Vladimir Putin, a Igreja Católica, Wall Street, o governo americano e crimes de grande repercussão.

Ou seja, ele não costuma escolher assuntos tranquilos.

Seu estilo é justamente investigar estruturas de poder e tentar mostrar aquilo que existe por trás da imagem pública de seus personagens.

E agora ele resolveu colocar Elon Musk no microscópio.

Boa sorte para todos os envolvidos.

Quase quatro horas para responder uma pergunta


A grande questão de Musk talvez seja menos descobrir algo que o público nunca ouviu falar e mais tentar organizar a quantidade absurda de acontecimentos que cercam o empresário.

Tesla.

SpaceX.

Starlink.

Neuralink.

Twitter.

X.

Trump.

DOGE.

Bilhões de dólares.

Disputas políticas.

Declarações controversas.

Uma quantidade impressionante de filhos.

E uma presença constante nas redes sociais.

Tudo isso virou matéria-prima para um documentário de quase quatro horas.

E ainda existe uma ironia interessante: Musk passou anos construindo uma imagem pública praticamente impossível de separar de sua própria personalidade.

Agora, Alex Gibney pretende desmontar essa imagem peça por peça.

Se vai resultar em um retrato equilibrado, uma investigação devastadora ou simplesmente em mais uma batalha pública entre Musk e seus críticos, ainda teremos que esperar.

Mas uma coisa já está garantida:

Elon Musk conseguiu transformar até um documentário sobre sua própria vida em um evento político.

E, considerando o personagem, talvez quatro horas ainda sejam pouco.

Fonte principal: The Hollywood Reporter, Variety, Reuters

Poeta, Bacharel em Radio, TV E Vídeo, Estrela, Editor e Co-criador do Papo Blast, Especialista em piada ruim, Viciado em séries e filmes, está mais perdido que Lost e acredita que Sharknado é um clássico subestimado mas vocês não estão prontos para essa conversa.


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