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Gracindo Júnior morre aos 83 anos: relembre a carreira do ator

Gracindo Júnior morreu aos 83 anos. Ator de Dona Beija e O Casarão teve mais de 50 anos de carreira na TV, cinema e teatro.


A televisão brasileira perdeu nesta semana um de seus nomes mais experientes. Gracindo Júnior morreu na noite de terça-feira, 1º de setembro, aos 83 anos, no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória artística que atravessou mais de cinco décadas e praticamente acompanhou a evolução da própria televisão brasileira.


A morte foi confirmada nesta quarta-feira (2) pelo ator Leonardo Brício, amigo e colega de longa data de Gracindo. A causa da morte não foi divulgada. Segundo Brício, ele estava ao lado dos filhos e da esposa do artista no momento de sua morte.

Mais do que o ator lembrado por Dona Beija, Gracindo Júnior foi também diretor, produtor e supervisor de dramaturgia. Trabalhou no teatro, rádio, cinema e televisão e participou de momentos importantes da história da TV brasileira — inclusive da própria inauguração da Globo.

E existe ainda uma curiosidade que torna sua história particularmente interessante: ele era filho de Paulo Gracindo, um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos.

Mas Gracindo Júnior passou a carreira inteira tentando provar que não precisava viver à sombra do pai.

E conseguiu.

Gracindo Júnior começou no rádio aos 15 anos


Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943, Gracindo Júnior entrou no mundo artístico ainda adolescente.

Em 1959, aos 15 anos, fez um teste para a Rádio Nacional, onde trabalhou não apenas como ator, mas também como redator e disc-jóquei. Pouco depois, expandiu sua atuação para o teatro.

Foi nos palcos que começou a construir sua identidade profissional, participando de montagens como A Escada, além de clássicos como A Megera Domada, de Shakespeare, e O Burguês Fidalgo, de Molière.

A televisão viria logo depois.

Ele estava lá quando a TV Globo começou


Um dos capítulos mais curiosos da carreira de Gracindo Júnior aconteceu em 1965.

Ele fazia parte do elenco contratado pela Globo antes mesmo de a emissora iniciar oficialmente suas transmissões. Naquele mesmo ano, apareceu em Rosinha do Sobrado, uma das primeiras novelas da história do canal, e posteriormente também esteve em Padre Tião.

Ou seja: Gracindo Júnior não apenas trabalhou na televisão brasileira.

Ele praticamente cresceu junto com ela.

Ao longo dos anos seguintes, participou de produções como A Rainha Louca, A Próxima Atração, Os Ossos do Barão, O Bem-Amado e Supermanoela.

E foi justamente em O Bem-Amado que voltou a dividir cena com o pai.

O Casarão colocou pai e filho como o mesmo personagem



Um dos trabalhos mais marcantes de Gracindo Júnior aconteceu em O Casarão, novela de 1976 escrita por Lauro César Muniz.

A trama utilizava diferentes períodos históricos para contar a trajetória de uma família. Gracindo Júnior interpretou João Maciel em sua juventude, enquanto seu pai, Paulo Gracindo, interpretou o mesmo personagem em uma fase mais velha.

Era uma situação praticamente simbólica.

Pai e filho interpretando o mesmo personagem em momentos diferentes da vida.

O trabalho acabou se tornando um dos exemplos mais curiosos da parceria entre os dois artistas e ajudou Gracindo Júnior a consolidar seu próprio espaço na dramaturgia brasileira.

E ele não ficou apenas na frente das câmeras.

Em 1976, também estreou como diretor de teatro com A Longa Noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho.

Do outro lado das câmeras, Gracindo também fez história


A carreira de Gracindo Júnior não pode ser resumida aos personagens que interpretou.

Ele também ocupou funções importantes nos bastidores.

Em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo, acompanhando processos que envolviam montagem, edição, sonorização e desempenho do elenco. Depois, passou a dirigir novelas, programas e outros projetos.

Entre seus trabalhos como diretor estiveram Memórias de Amor, Marron-Glacé e Os Trapalhões.

Sim, Gracindo Júnior também passou pela direção de Os Trapalhões.

Ele ainda participou dos primeiros trabalhos envolvendo videoclipes musicais exibidos pelo Fantástico, mostrando uma faceta da carreira que muita gente talvez nem associe ao ator.

Dona Beija foi um dos grandes momentos de sua carreira


Se existe um papel que ajudou a manter Gracindo Júnior na memória de uma geração inteira, esse papel está em Dona Beija.

Exibida pela TV Manchete em 1986, a novela estrelada por Maitê Proença se tornou um dos grandes fenômenos da emissora.

Gracindo Júnior interpretou Antônio Sampaio, dividindo o protagonismo com Maitê Proença. Os dois já haviam trabalhado juntos anteriormente em A Marquesa de Santos, de 1984, também na Manchete.

A parceria entre os dois acabou se tornando uma das marcas daquela fase da televisão brasileira.

E Dona Beija permanece até hoje como um dos trabalhos mais lembrados da carreira do ator.

A carreira continuou muito além de Dona Beija


Depois da passagem pela Manchete, Gracindo Júnior voltou a trabalhar em produções da Globo.

Entre seus trabalhos estão Mandala, O Salvador da Pátria, Rainha da Sucata, Explode Coração, Anjo de Mim, Esplendor e Celebridade.

Em Mandala, viveu Creonte, enquanto em O Salvador da Pátria interpretou Ricardo Ribeiro.

Já em Celebridade, de 2003, apareceu como Ubaldo Quintela, personagem que havia passado 15 anos preso.

A carreira também passou pela Record, onde participou de produções como Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo e Rei Davi.

Foi justamente em Cidadão Brasileiro que conheceu Leonardo Brício, que anos depois faria uma das homenagens mais emocionadas após sua morte.

Cinema também fez parte da história


Se na televisão Gracindo Júnior construiu uma carreira gigantesca, no cinema a história não foi diferente.

Ele participou de filmes como Os Homens que eu Tive, Os Trapalhões na Serra Pelada, Floresta das Esmeraldas, Bufo e Spallanzani, A Selva, Primo Basílio e Segurança Nacional, entre outros.

Também manteve uma relação intensa com o teatro, atuando, produzindo e dirigindo dezenas de peças ao longo da vida.

Em outras palavras, Gracindo Júnior pertencia a uma geração de artistas que não precisava escolher uma única função.

Atuava, dirigia, produzia, escrevia e fazia televisão.

A homenagem de Leonardo Brício



A notícia da morte ganhou um tom ainda mais pessoal após a manifestação de Leonardo Brício.

Os dois trabalharam juntos em Cidadão Brasileiro e posteriormente em Rei Davi, na qual Gracindo interpretou o rei Saul.

Brício relembrou a amizade construída ao longo dos anos e afirmou que os dois passaram a ter uma relação de verdadeira irmandade. Ele também contou que estava junto aos filhos e à esposa de Gracindo no momento da morte.

A declaração ajuda a dimensionar não apenas o profissional, mas também a figura humana que existia por trás de tantos personagens.

O último trabalho de Gracindo Júnior


A carreira do ator não terminou nos grandes clássicos da televisão.

Gracindo continuou trabalhando até os últimos anos de sua vida, passando por produções da Record, GNT e streaming.

Seu último trabalho na televisão foi uma participação na série Homens?, do Prime Video. Outras fontes também registram A Queda, filme gravado em 2022, como seu último trabalho cinematográfico.

Nos últimos anos, entretanto, estava afastado das telas.

Em 2025, Maitê Proença publicou fotos de uma visita ao ator, que já não trabalhava regularmente na televisão.

Velório acontece nesta quinta-feira


O velório de Gracindo Júnior está marcado para quinta-feira, 3 de setembro, no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro.

A cerimônia terá início às 12h10, com a cremação prevista para as 14h10.

Gracindo deixa a esposa, Daisy Poli, além de filhos e netos.

Um nome que ajudou a construir a televisão brasileira


A morte de Gracindo Júnior representa mais do que a despedida de um ator conhecido por uma novela de sucesso.

Ele pertenceu a uma geração que ajudou a construir a televisão brasileira desde seus primeiros anos, atravessou diferentes emissoras, gêneros e formatos e ainda encontrou espaço para trabalhar no teatro e no cinema.

Foi ator.

Foi diretor.

Foi produtor.

Foi supervisor de dramaturgia.

E, acima de tudo, construiu uma carreira própria.

Ser filho de Paulo Gracindo poderia facilmente ter se tornado uma prisão profissional. Gracindo Júnior fez o contrário: transformou o sobrenome em ponto de partida, não em destino.

Mais de 50 anos depois de começar no rádio, sua história termina deixando uma quantidade impressionante de personagens, novelas, filmes e peças.

Para quem cresceu assistindo televisão brasileira, provavelmente existe algum Gracindo Júnior escondido na memória.

E talvez essa seja a melhor definição para um artista de sua geração: ele não precisou de um único personagem para ser lembrado. A própria carreira virou personagem na história da nossa televisão.

Fontes: Viva, CNN Brasil, Gshow, UOL Splash, Veja São Paulo

Poeta, Bacharel em Radio, TV E Vídeo, Estrela, Editor e Co-criador do Papo Blast, Especialista em piada ruim, Viciado em séries e filmes, está mais perdido que Lost e acredita que Sharknado é um clássico subestimado mas vocês não estão prontos para essa conversa.


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