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Paramount e Warner Bros.: acabou a novela? Paramount fecha acordo e destrava fusão com a Warner Bros.

Paramount e 12 estados chegam a acordo sobre a fusão com a Warner Bros. Discovery. Entenda as condições que destravaram o negócio.


Depois de meses de processos, ameaças, audiências, bilhões de dólares envolvidos e uma quantidade respeitável de drama hollywoodiano, a novela Paramount-Warner finalmente ganhou um novo capítulo — e, desta vez, com acordo.

A Paramount Skydance chegou a um acordo com 12 procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos para encerrar o processo antitruste que tentava impedir a aquisição da Warner Bros. Discovery.


O acordo remove o principal obstáculo jurídico que ainda estava segurando a operação de aproximadamente US$ 111 bilhões, considerada a maior fusão da história de Hollywood.

E não demorou para a outra batalha cair também: a Writers Guild of America (WGA), sindicato que representa roteiristas, anunciou igualmente um acordo para encerrar sua ação contra a fusão.

Em outras palavras: Paramount + Warner Bros. está muito mais perto de virar uma única empresa.

O acordo com os estados


O acordo foi fechado entre a Paramount e uma coalizão de 12 estados, liderada pela Califórnia.

A ação judicial argumentava que a fusão poderia reduzir a concorrência no mercado de entretenimento, diminuir a produção de filmes e aumentar preços para consumidores.

O acordo não impede mais a operação, mas estabelece uma série de compromissos que deverão ser cumpridos pela nova empresa e que serão fiscalizados judicialmente durante vários anos.

Entre as principais condições estão:

  • investimento adicional de US$ 300 milhões por ano na produção cinematográfica nos Estados Unidos;
  • pelo menos US$ 1,5 bilhão adicionais em produção doméstica ao longo de cinco anos;
  • compromisso de lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas, com aumento posterior para 32 em determinados anos;
  • criação de um fundo de US$ 47,5 milhões para trabalhadores afetados pela fusão;
  • compromissos relacionados às negociações de distribuição de canais de TV;
  • medidas destinadas a preservar a independência editorial de CBS e CNN;
  • manutenção das operações da Paramount na Califórnia;
  • compromisso de não vender os lotes da Paramount Studios e da Warner Bros. na Califórnia durante pelo menos cinco anos.

Ou seja: David Ellison não conseguiu simplesmente pegar as duas empresas, colocar dentro de uma sacola e sair correndo.

Teve que deixar algumas garantias pelo caminho.

E aquela ameaça de sair da Califórnia?


Aqui está uma das partes mais interessantes da negociação.

Durante a disputa, David Ellison havia ameaçado retirar as operações da Paramount da Califórnia caso o acordo não avançasse até 1º de outubro.

A situação chegou a ser tratada como uma espécie de ultimato dentro da disputa com o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta.

Agora, pelo acordo, a Paramount se compromete justamente a manter suas operações no estado e não vender os históricos lotes da Paramount e da Warner Bros. durante pelo menos cinco anos.

Então aquela mudança de Hollywood para algum lugar do mapa virou, pelo menos por enquanto, assunto para outra temporada.

US$ 7 milhões por dia: a contagem regressiva foi interrompida


Outro elemento importante da novela era o chamado “ticking fee”.

Caso o fechamento do negócio fosse atrasado, a Paramount estava sujeita a uma cobrança de aproximadamente US$ 7 milhões por dia a partir de 1º de outubro.

A data estava se aproximando perigosamente.

O acordo anunciado agora evita que essa contagem regressiva se transforme em mais uma conta gigantesca para a empresa.

Depois de meses discutindo bilhões, ninguém parecia particularmente interessado em começar outubro olhando para um relógio que custava sete milhões de dólares por dia.

E a WGA?


A outra grande frente judicial também foi encerrada.

A Writers Guild of America, que representa roteiristas de Hollywood, havia entrado com uma ação própria para tentar impedir a fusão.

O sindicato argumentava que a concentração de empresas poderia prejudicar roteiristas e aumentar o poder das companhias sobre o mercado de trabalho.

Depois que os 12 estados chegaram ao acordo com a Paramount, porém, a WGA decidiu também encerrar sua ação.

Em comunicado, o sindicato afirmou que continua acreditando que a fusão poderá causar danos aos roteiristas e à indústria, mas destacou que prosseguir sozinho com uma batalha antitruste extremamente cara não era uma opção simples depois que os procuradores-gerais chegaram ao acordo.

Portanto, a WGA não apresentou o acordo como uma mudança de posição sobre os riscos da fusão. O sindicato decidiu encerrar o processo diante das novas circunstâncias jurídicas.

Mas a fusão já está concluída?


Ainda não é simplesmente apertar um botão e pronto.

O acordo com os estados ainda depende da aprovação judicial, embora remova justamente um dos principais obstáculos que impediam o fechamento da operação.

A ação dos estados estava programada para chegar a julgamento em 2 de março de 2027.

Agora, com o acordo, esse confronto judicial deixa de ser o caminho principal para determinar o destino da fusão.

A Paramount também já havia informado que tinha obtido autorizações regulatórias em 69 jurisdições, apontando que os processos dos estados e da WGA eram os últimos grandes obstáculos para o fechamento.

O que passa a existir debaixo desse guarda-chuva?


É aqui que a coisa fica realmente gigantesca.

A combinação reúne dois dos maiores grupos de entretenimento do mundo.

De um lado, temos a Paramount, com:

  • Paramount Pictures;
  • CBS;
  • Paramount+;
  • Nickelodeon;
  • MTV;
  • Comedy Central;
  • Showtime;
  • entre outras marcas.

Do outro:

  • Warner Bros.;
  • HBO;
  • HBO Max;
  • CNN;
  • DC Studios;
  • Cartoon Network;
  • Adult Swim;
  • Discovery;
  • além de um enorme catálogo de filmes e séries.

É uma concentração gigantesca de propriedades intelectuais, estúdios, canais, plataformas de streaming e operações de notícias.

E é justamente esse tamanho que tornou a fusão tão controversa do ponto de vista antitruste.

A promessa dos 30 filmes por ano


Uma das condições mais interessantes do acordo é justamente aquela que David Ellison já vinha defendendo publicamente antes mesmo da resolução da disputa.

A nova empresa terá que manter uma produção cinematográfica relevante, com pelo menos 30 lançamentos por ano nos cinemas, além dos compromissos adicionais estabelecidos pelo acordo.

Em determinados anos, a obrigação aumenta para 32 filmes.

Também existe a exigência de investimento adicional na produção doméstica americana.

Isso é especialmente relevante porque uma das preocupações levantadas pelos estados era justamente a possibilidade de uma empresa combinada reduzir a quantidade de filmes produzidos e distribuídos.

Agora, pelo menos no papel, existe uma obrigação judicial para impedir que isso aconteça.

E CNN e CBS?


Outro ponto importante é a questão jornalística.

O acordo estabelece mecanismos para preservar a independência editorial da CNN e da CBS, incluindo uma estrutura de supervisão voltada para esse objetivo.

Isso ganha importância porque a fusão não envolve apenas estúdios de cinema e plataformas de streaming.

Ela também coloca sob o mesmo guarda-chuva importantes operações de televisão e jornalismo.

A preocupação com concentração de poder na mídia, portanto, não desaparece simplesmente porque o processo foi encerrado.

O acordo estabelece mecanismos específicos para lidar com parte dessas preocupações.

O que os estados ganharam?


O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que o acordo resolve as preocupações antitruste apresentadas pelos estados e inclui compromissos considerados importantes para trabalhadores, produção cinematográfica e consumidores.

A própria Califórnia destaca que o acordo prevê cinco anos de compromissos judicialmente exigíveis, além do investimento adicional de US$ 1,5 bilhão em produção cinematográfica doméstica e do fundo de US$ 47,5 milhões para trabalhadores afetados.

Ao mesmo tempo, Bonta deixou claro que o acordo não representa uma declaração de apoio à fusão em si. A posição apresentada pelo procurador-geral foi que as condições negociadas resolveriam as preocupações antitruste levantadas no processo.

Essa distinção é importante.

A ação que pretendia bloquear a operação terminou em acordo; isso não significa que todas as críticas à concentração de mídia desapareceram.

O que muda para o público?


Essa é provavelmente a pergunta que interessa mais ao consumidor.

Na prática, a fusão poderá colocar Paramount+ e HBO Max dentro de uma mesma estrutura corporativa, além de combinar catálogos gigantescos de filmes e séries.

Isso abre possibilidades de integração entre serviços, distribuição de conteúdo e estratégias de streaming.

Mas também levanta perguntas: os preços vão mudar?

Os serviços continuarão separados?

Haverá um pacote único?

Filmes da Paramount poderão aparecer no HBO Max?

O catálogo da Warner chegará ao Paramount+?

E o que acontece com os cinemas?

Por enquanto, essas respostas dependem da estratégia que a nova companhia adotará após a conclusão da operação.

O acordo judicial estabelece diversas obrigações de produção e distribuição, mas não determina exatamente como a empresa deverá montar seus futuros serviços de streaming.

E o nome? ParaBros?


Durante meses, Hollywood acompanhou a negociação quase como uma série própria.

Tivemos:

Paramount contra estados.

Paramount contra WGA.

David Ellison contra Rob Bonta.

US$ 7 milhões por dia.

A ameaça de abandonar a Califórnia.

Pedido de US$ 1,88 bilhão em garantia.

Audiência atrás de audiência.

E agora chegamos ao momento em que a grande questão deixa de ser “será que a fusão vai acontecer?” e passa a ser: “o que Hollywood vai virar depois que ela acontecer?”

A expressão “ParaBros”, que circulou durante a negociação, pode até parecer brincadeira, mas descreve uma combinação empresarial realmente gigantesca.

A maior fusão de Hollywood está praticamente na reta final


O acordo entre a Paramount e os 12 estados elimina o principal processo que ameaçava impedir a aquisição da Warner Bros. Discovery.

A WGA também encerrou sua ação.

As autorizações regulatórias internacionais já estavam avançadas.

E os compromissos assumidos pela Paramount agora criam uma série de obrigações que deverão ser cumpridas durante os próximos anos.

Ainda existem etapas formais até a conclusão definitiva.

Mas, depois de toda essa novela...

David Ellison finalmente conseguiu abrir a porta da Warner.

Agora começa a parte realmente interessante.

Porque uma coisa é comprar a Warner.

Outra completamente diferente é descobrir o que fazer com ela.

E considerando que estamos falando de Paramount, Warner Bros., HBO, CBS, CNN, Paramount+, HBO Max, DC, Nickelodeon e dezenas de outras marcas, o próximo capítulo dessa história provavelmente vai dar assunto por muito tempo.

Hollywood acabou de ganhar um novo chefão.

Agora vamos descobrir qual será o tamanho do estrago — ou da transformação — quando essa fusão começar a funcionar de verdade.

Fontes:
Variety — Paramount Settles Antitrust Case With State AGs
Variety — Terms of the Paramount Settlement
Variety — WGA Settles Antitrust Lawsuit
Reuters — Paramount wins Warner Bros takeover after settling lawsuits
Attorney General da Califórnia — anúncio oficial do acordo

Poeta, Bacharel em Radio, TV E Vídeo, Estrela, Editor e Co-criador do Papo Blast, Especialista em piada ruim, Viciado em séries e filmes, está mais perdido que Lost e acredita que Sharknado é um clássico subestimado mas vocês não estão prontos para essa conversa.


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