Séries

Fã cria teoria que vai mudar a forma como vemos Stranger Things

E não é que faz sentido?!


Nos últimos tempos, poucas pessoas não foram contagiadas pelo fenômeno que é nova série do Netflix, Stranger Things  (se você ainda não viu, talvez lendo nossa resenha você também queira entrar nessa febre). O motivo não precisa nem ser questionado: a série é ótima e, como poucos seriados são capazes, Stranger Things consegue condensar uma história muito bem feita em apenas oito episódios sem deixar pontas soltas. Praticamente todos os questionamentos levantados enquanto assistimos a série são respondidos nos episódios, por isso até agora não havia nenhuma teoria sobre a série, até que o estudante Abner Pereira levantou um questionamento capaz de mudar toda a forma como vemos a série.



E se o mundo invertido não for uma realidade paralela, mas sim o futuro? A partir dessa pergunta, a teoria foi fundamentada em vários pontos:

Hawkins


O nome da cidade em que a série se passa pode ser uma referência ao renomado físico Stephen Hawkings, um dos maiores nomes na área de física quântica, mais especificamente na área que diz respeito a teorias de dobras no espaço-tempo e buracos de minhoca – a teoria explicada pelo professor Clarke unindo dois pontos de uma folha após furá-la com uma caneta. Na série, a fenda seria um portal que dobra o tempo e leva o viajante não para o universo invertido, mas para uma Hawkins distópica no futuro. Outro ponto levantado é que há algo relacionado ao campo magnético da fenda, que atrai a agulha das bússolas da HNL (como observado por Dustin), onde está a fenda, já que a manipulação do espaço-tempo gera distúrbios no campo magnético.

Mountauk


Stranger Things originalmente se chamaria Mountauk e esse nome já dá uma dica: Mountauk foi supostamente uma série de projetos secretos do governo norte-americano localizados em Camp Hero, na Estação da Força Aérea de Mountauk, Long Island, em Nova York, entre o fim dos anos 60 até 1983. Pesquisadores sustentam que o projeto pretendia desenvolver, em segredo, um conjunto de armas de guerra psicológica visando a supremacia na Guerra Fria. A ideia era direcionar pulsos eletromagnéticos contra o inimigo para induzi-lo a sintomas de esquizofrenia. Eram feitas também experiências em tanques de privação sensorial (como os que Eleven é obrigada a entrar em algumas cenas): ao unir o cérebro a um computador, a mente foi capaz não só de materializar objetos como também abrir uma fenda espaço/tempo, possibilitando viagens no tempo através da mente. O Projeto Montauk teria terminado de forma abrupta: em 1983 (lembrando que é o ano em que começa a história de Stranger Things), numa experiência ao conectar a mente com o hiperespaço, um pesquisador libertou sem querer um monstro vindo do futuro, que destruiu completamente  as instalações e matou diversos funcionários e cientistas. Isso tudo parece familiar?


O russo e o monstro


Enquanto ainda estava na HNL, Eleven acessa o mundo invertido mentalmente. Na mente de Eleven, ela encontra as pessoas no salão escuro com espelho d’água, que, segundo essa teoria, seria a consciência dela. Com seus poderes, Eleven consegue encontrar uma pessoa de cada vez usando a mente.  Em uma desses acessos, Eleven encontra um russo e logo em seguida escuta o som do monstro e um episódios depois ela encontra o próprio monstro naquele lugar. Se Eleven só consegue contatar uma pessoa de cada vez, por que há um homem russo no mesmo ambiente em que está o monstro? Como ela uniria essas realidades tão diferentes ao mesmo tempo? A resposta é que uma das realidades talvez não seja tão distinta: talvez uma das realidades seja a consciência de Eleven.

O mundo invertido


Depois que Eleven toca no monstro no salão escuro, a saída encontrada pela natureza para dar um jeito no desequilíbrio no espaço/tempo foi abrindo uma fenda entre o futuro e o presente, já que os dois seres haviam tido contato. A parede se racha, onde, após algum tempo, se tornará a sala do portal, no subsolo do laboratório. Através dos episódios, é possível ver o processo de contaminação desse andar.

O próprio laboratório, aliás, já é visualmente igual ao mundo invertido. Não é difícil imaginar que isso foi evoluindo até tomar toda a cidade num futuro próximo. Vale ressaltar também que, no segundo episódio, quando a equipe do Dr. Brenner vai até a casa de Will atrás de pistas, eles encontram uma gosma se espalhando no galpão em que o menino foi levado. Outro ponto a ser ressaltado é a cena em que a mãe do Will encontra um esqueleto humano no mundo invertido: se o “Vale das Sombras” é só uma versão “dark” de Hawkins, por que existe um esqueleto lá, que inclusive parece estar lá a bastante tempo? Como o próprio xerife Hopper diz, a cidade de Hawkins era pacata e sem crimes ou desaparecimentos, sendo assim, não é possível que o esqueleto seja de um antigo rapto do monstro, mas sim que o esqueleto pertencia àquele lugar, o que indicaria que humanos já habitaram normalmente o outro lado em algum espaço de tempo.

Vendo também as artes oficiais de Aaron Sims, podemos reparar claramente que o mundo invertido se parece muito mais com um futuro pós-apocalíptico do que com uma realidade paralela. Isso explica também como há construções humanas do outro lado: a resposta vem do fato que nós afetamos fisicamente o mundo invertido, como quando queimando o monstro no corredor da casa de Will e o chão fica marcado para Joyce e Hopper do outro lado, já que ações no presente mudam o futuro (enquanto o futuro não altera o passado, por isso as ações lá só afetam eletricamente a Hawkins “do presente”).
Por isso, é possível concluir que o mundo invertido é na verdade a Hawkins do futuro, que pode ter ficado daquele jeito em consequência da contaminação do alastramento da fenda pela cidade e/ou por algum evento catalisador que a série ainda pode mostrar. Independente do motivo, isso explica que o alcance do caos é limitado: pode ser que apenas Hawkins ou sua região esteja “invertida”, não o mundo inteiro.

O monstro



 Em recentes entrevistas, os produtores da série, os irmãos Duffer, afirmaram algumas coisas interessantes, entre elas o seguinte : “Sobre o mundo invertido, temos um documento de 30 páginas que explica sobre o que ele significa, de onde o monstro veio e por quê”. Atente-se para a frase “de onde o monstro veio”. Essa dá uma pista de que o monstro veio de algum lugar, quer dizer que ele não pertence ao mundo invertido. Isso fortalece o pensamento de que não é da natureza do outro lado ser mal e invertido só por ser, mas que ele se tornou mal com a chegada do monstro. Outra pista nessa frase está em “o monstro”: “o monstro “significa que é um único monstro, ou seja, não existem outros dele. Se todo o mundo é invertido e paralelo ao nosso, por que o único monstro que há no mundo estaria em Hawkins? Isso fortalece mais ainda a ideia que somente Hawkins está um caos e que foi dominada pelo monstro, num futuro . E qual a relação do monstro com a cidade? Pensando nisso, chegou-se a uma chocante conclusão: o monstro é a Eleven.

Aparentemente ela nem sempre foi o monstro, mas ao se sacrificar no final da temporada, ela encontra seu destino como em um looping temporal e se une ao seu futuro. Por mais que Eleven seja uma menina boa e inocente, sua transformação no monstro é uma consequência dos anos traumas e sofrimentos nas mãos do Dr. Martin Brenner sendo abusada, usada, controlada, enclausurada, entre outras terríveis coisas que as cobaias do projeto MKUltra sofriam, somados com a sua genética mutante, o que desencadeou  a transformação. Vale lembrar também que, embora seja uma pessoa boa e que se mostrou capaz de amar os amigos, Eleven já matou várias pessoas na série, o que significa que ela tem uma espécie de personalidade dupla, cuja série deu as seguintes referências:
  • O Demogorgon: dentre inúmeros monstros do famoso Dungeons & Dragons (inclusive os que o Will realmente teria chance de matar com uma bola de fogo), a série pode ter escolhido o Demogorgon em especial pela característica marcante de ter duas cabeças, cada uma com uma personalidade individual. De acordo o perfil canônico, cada uma delas fica arquitetando planos para destruir a outra e se libertar. Outro ponto a se ressaltar é que o Demogorgon da série provavelmente  é “a” Demogorgon, já que consegue colocar ovos (como é visto quando Joyce e Hopper vão resgatar Will).
  • X-MEN 134: No primeiro episódio, Will aposta uma corrida com Dustin, valendo uma HQ dos X-MEN ed. 134. Essa hq em especial tem tudo a ver com a Eleven: nessa história, os X-men são sequestrados e levados para o espaço, sendo resgatados pela Jean Grey e pelo Wolverine, mas quando eles estão voltando para a Terra as coisas dão errado e Jean acaba se sacrificando. Só que ela não morre e, quando ressurge, se autor denomina Fênix, muito mais poderosa e perigosa. Essa entidade dentro dela vai sendo manipulada até ela virar a Fênix Negra. É nesse ponto que Jean enlouquece e explode planetas e mata geral. O Professor Xavier consegue contê-la e a leva a tribunal para ser julgada pela galáxia. Ao invés do julgamento ela sugere um duelo a fim de salvá-la. Quando, no meio da batalha, Jean sente que a Fênix Negra está acordando novamente, ela decide se sacrificar de novo. Essa história tem um claro paralelo com Eleven: a boa garota com poderes psíquicos poderosíssimos que se sacrifica pelos amigos com intuito de protege-los de algo pior e de uma versão maligna dela mesma. Outra coincidência (proposital?) é o nome Jane, que foi dado por Terry Ives à filha sequestrada que é a Eleven, que se assemelha muito ao nome de Jean.
Há também outras dicas menores que aparecem na série para fortalecer essa teoria, entre elas:

  • Todas as artes conceituais para o monstro mostram um monstro humanoide, o que pode sugerir que ele já foi humano;
  • Ao entrar no quarto de Nancy, Eleven olha uma foto de Barb e parece a reconhecer, entretanto, como isso seria possível se elas nunca se encontraram? Seria isso algum bug de memória, já que no futuro o monstro pega Barb?;
  • Em toda a cena do monstro paralisado por Eleven, o braço esquerdo do monstro nunca é mostrado, pois é no braço esquerdo que Eleven tem tatuado o número 011. Outro ponto é que o numeral é a junção de dois números iguais, simbolicamente os dois lados de uma moeda: Eleven e o monstro;
  • O xerife Hopper deixa waffles na floresta, mesmo lugar onde o monstro apareceu pela primeira vez para Will.

Normalmente as teorias servem para explicar questionamentos, mas essa teoria abre espaço para questionamentos antes nunca pensados. Depois de lê-la, é difícil não levantar mais e mais perguntas sobre o futuro (literalmente) dos personagens da cidade de Hawkins.


Fonte

Marcela Souto escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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