Cinema

Crítica: Assassin's Creed, A fé do salto dos games para cinema

Assassin's Creed veio para ser o divisor de águas, mas, não foi bem o que aconteceu.

Durante anos na indústria cinematográfica recebemos adaptações de jogos. Convenhamos que o histórico não é muito bom e sofremos com grandes decepções.  A Ubisoft tinha uma missão difícil: Adaptar uma franquia de sucesso e que possui uma legião de fãs, respeitando essa franquia, e ao mesmo tempo apresentar um filme que mostre o universo de Assassin’s Creed para o grande publico.


Apesar da Ubisoft estar envolvida com a produção desde o início, algo que não é comum em outras adaptações, e o Azaizia Aymar, diretor de marcas na Ubisoft, afirmar que este filme seria um divisor de águas, o resultado não representou muito bem essa intenção.

Começamos com a escolha interessante de não adaptar a história de nenhum jogo da franquia, a qual poderíamos considerar uma sábia decisão para expandir as histórias do Clã dos Assassinos para outras mídias e apresentar este mundo para novos consumidores. Isso seria perfeito se a trama do filme não fosse a mesma que o primeiro jogo com uma roupagem nova, algo muito comum entre os jogos da Ubisoft.

O roteiro criado para contar essa história é simples e não exige que você tenha conhecimento do enredo dos jogos, é possível assistir e entender o que está acontecendo. Porém, várias situações ocorrem sem ter uma explicação coerente do que se passa em tela.

A guerra entre os Templários e Assassinos é apresentada de maneira superficial e em nenhum momento temos uma introdução sobre o que é a Ordem dos Templários e quem são os clãs dos Assassinos. Ao invés disso, nos é mostrado as duas facções em conflito por um artefato místico, chamado A Maçã do Éden, sobre o qual não sabemos nada a respeito, e constantemente apenas dizem que ele tem o poder de dar e tirar o Livre Arbítrio da humanidade, sem uma explicação de como tal artefato funciona ou simplesmente sua origem.

Outro ponto mal justificado é o método de regressão utilizado dentro do filme. É dito que o DNA possui as memórias dos antepassados, mas nunca dizem como isso foi descoberto e como elas são acessadas. A Animus, máquina usada para reviver as memórias, se for pensar com uma visão de engenharia, é ridícula. Não faz sentido ela ser em uma sala inteira com um braço mecânico e hologramas para simular os movimentos do antepassado e exibir imagens das memórias. O capacete de realidade virtual apresentado durante os games seria muito mais eficiente e coerente para trama, fora que o fato de usarem as Lâminas Ocultas junto com a regressão não tem propósito algum.

O Salto de Fé, marca registrada de Assassin’s Creed, é outro ponto mal justificado. Não podemos tirar o mérito do salto ter sido realizado por um dublê em uma altura de 38 metros mas, no contexto do filme, a manobra é tratada como um grande feito dos assassinos, só que nunca explicam porquê é tão importante.

Além dos problemas de roteiro, temos uma grande falha com os personagens mal desenvolvidos e com atuações bem medianas de atores subaproveitados. Jeremy Irons não convence como o vilão principal, Dr. Alan Rikkin, sem transmitir nenhum tipo de ameaça para a trama. Já Marion Cotillard tem uma atuação comum no papel de Sofia Rikkin, filha de Dr. Rikkin, uma cientista que acredita que irá realizar um grande bem para humanidade de uma maneira bem ingênua. A personagem chega a ser tão decepcionante quanto a Talia al Ghul, interpretada pela própria Marion em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

A maior decepção do filme encontra-se em Michael Fassbender, tanto o personagem Callum Lynch e de Aguilar de Nerha. Por mais que haja o esforço do mesmo, ele não escapa de uma atuação simples, salvo por pequenos momentos, como o domínio do espanhol durante as memórias de Aguilar e também pelo ataque de loucura de Callum, onde começa a cantar ao ser levado para Animus.

Em aspectos técnicos, Justin Kurzel se sobressai em relação ao restante do filme. A fotografia utiliza uma paleta de cores escura e pastel, o qual favorece as cenas durante o cenário da Espanha, apresentando um ambiente perigoso e vívido, também há mais de um momento onde vemos os personagens segurar a Maçã do Éden na contraluz, o que nos oferece uma estética bonita e interessante.

As cenas de ação tornam-se cansativas e confusas durante grande parte do longa, devido ao uso excessivo da câmera nervosa e do obturador baixo, o que piora com o uso do efeito 3D, tonando-se totalmente descartável. O que dá uma injeção de empolgação é a trilha sonara, mas que em alguns momentos fica fora de contexto com as cenas.

O longa parecia a oportunidade perfeita para salvar o triste histórico dos filmes baseados em games, mas mesmo assim ele falha em apresentar um filme que se sustente por si só, sem ser depende dos jogos para ter um entendimento pleno. Sendo prejudicado pelo péssimo roteiro, Assassin’s Creed não é o divisor de águas que nos foi vendido. Os fãs dos jogos provavelmente ficaram mais satisfeitos por causa de algumas poucas referências, mas, no fim, o longa não fará falta para quem não assistiu.

Assassin's Creed (2016) (Assassin's Creed)
País: EUA
Classificação: 12 anos
Estreia: 12 de Janeiro de 2017
Duração: 1h55 min.
Direção: Justin Kurzel
Roteiro: Adam Cooper , Bill Collage , Michael Lesslie
Elenco: Michael Fassbender , Marion Cotillard, Jeremy Irons, Ariane Labed , Michael Kenneth Williams , Brendan Gleeson 
Willian Chicanoski é nascido na Rússia Brasileira, Programador de Sistema por formação, Nerd por paixão. Cinéfilo, fã do Aquaman, Desbravador da Terra Média, viajante de uma galáxia muito, muito distante, aquele que chegou ao topo da Torre Negra, tem o dom de falar coisas aleatórias, desastrado, viciado em café e barbudo.
Este texto não representa a opinião do GeekBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Facebook