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Crítica: 13 Reasons Why - 1ª Temporada

Até agora, essa é a série mais comentada no Twitter. E com razão.



Sim, eu sei que faz quase um mês desde que o seriado foi lançado no serviço de streaming Netflix, mas só agora que pude terminar a temporada. E posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que 13 Reasons Why é uma produção de qualidade que faz jus a toda a agitação ao redor do show até hoje. Confira aqui minhas impressões sobre o show. Tentarei não me aprofundar na trama geral, evitando assim possíveis SPOILERS.


Produzida por Selena Gomez e inspirada no livro homônimo de Jay Asher, 13R.W. (sigla de 13 Reasons Why, Os 13 Porquês em tradução livre), conta a história de Hannah Baker, mais especificamente, os 13 motivos e responsáveis de ter cometido suicídio através de fitas K7. Acompanhamos o show pela perspectiva de Clay Jensen.

Devo começar elogiando a evolução dos personagens, que não se limita somente às suas respectivas fitas, mas vai indo ao longo de toda a série, assim como uma possível conspiração a respeito da existência das fitas em questão e do envolvimento do Clay. Nada é preto no branco, jogado na cara, estereotipado. Tudo é relativo. A sua opinião sobre gostar de determinado personagem ou não varia de episódio para episódio, pois, querendo ou não, todos são vítimas das circunstâncias.

Os protagonistas do seriado
Ao tentar recriar a realidade de um adolescente no ensino médio, que é considerado por muitos, inclusive eu, como a fase mais complicada da vida, o roteiro, junto com uma ótima atuação, conseguiu criar um sentimento de empatia com aquele que der uma chance ao drama. Não são poucos os momentos onde me identifiquei com os protagonistas da série por causa do medo, do bullying, da insegurança, do sentimento de traição, de um coração partido.

Fora a trama dos estudantes, existe a trama dos adultos, dos pais que querem entender os filhos quando eles decidem se afastar do convívio contínuo. Nesse caso, eu devo citar, principalmente, Kate Walsh (a eterna Dra. Addison Montgomery de Grey's Anatomy e Private Practice), a intérprete de Olívia Baker, mãe da Hannah, por sua atuação, considerando, é claro, seu papel na produção. Olivia foi uma das que mais se desenvolveu ao longo dos 13 episódios, passando de uma mãe em choque pelo ocorrido a uma mãe cada vez mais disposta a encontrar respostas.

#VoltaAddison
Outro ponto positivo é a fotografia dos episódios, que mesclam flashbacks de quando Hannah estava viva com o dia a dia após o suicídio, em uma alternância que, propositalmente, pode deixar o espectador confuso, o que é bom. A atmosfera pesada que os produtores almejavam atingir, creio eu, funcionou.

Se foi difícil para nós convivermos com esse ambiente denso, imagine para os atores, que entre as gravações, tocavam no piano posto no set de gravação e recebiam cães de tratamento para aliviar, para, quem sabe, manter o psicológico estável para as cenas posteriores, principalmente as dos 3 últimos episódios.

Da esquerda para a direita: Katherine Langford (Hannah), Selena Gomez (produtora) e Dylan Minette (Clay)

Não posso deixar de falar da trilha sonora, que é tão protagonista quanto os protagonistas do seriado. Ela casa muito bem, quase que perfeitamente, com seus respectivos momentos, o que pode render muitas pesquisas sobre que música é aquela através de serviços como Shazam! e Google Now, lembrando que a própria Selena contribuiu para essa coisa que acaricia nossos ouvidos com Only You:


Recentemente, o criador do livro, Jay Asher, afirmou estar interessado em uma segunda temporada do show. Creio que a ideia de continuar a série só seria válida caso a intenção seja explicar algumas pontas soltas que foram deixadas no último episódio e desenvolver ainda mais os personagens, pois acredito que o potencial total dos atores ainda não foi atingido.

Existe uma discussão internet afora sobre o seriado "romantizar" o suicídio, o que, creio eu, é algo relativo àquele que assiste, mas venho aqui enfatizar que ESSA OBRA É UMA FICÇÃO. QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE É MERA COINCIDÊNCIA.

Já peço desculpas pela metáfora a seguir, mas 13 Reasons Why é um diamante no meio da mina de ouro que são as produções originais da Netflix. Eu, que não esperava muito, saí rasgando elogios para a produção. Claro que os pontos negativos estão lá, mas eles são quase nada comparado a tudo que o show tem a oferecer.
Gian Luca escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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