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A importância do Homem-Aranha voltar ao lar

Herói ganha filme solo no MCU 10 anos depois de seu início

O Homem-Aranha é conhecido mundialmente, não só por conta de suas mais de 1000 edições, mas também pelos 5 filmes lançados pela Sony entre 2002 e 2014. Em 2016, Peter Parker, desta vez na pele de Tom Holland, se juntou oficialmente ao Universo Cinematográfico Marvel em Capitão América: Guerra Civil e agora estreia seu primeiro filme solo no universo, Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Mas, qual a importância do subtítulo para o Cabeça de Teia?


Aranha x Quarteto em ASM #1
Nos quadrinhos desde 1962, quando estreou em Amazing Fantasy #15, o Homem-Aranha chegou a estrelar três números ao mesmo tempo e é, até hoje, visto como o principal super-herói da Casa das Ideias. A popularidade de Peter Parker se deu por sua proximidade com seus leitores: tímido, o adolescente era o típico nerd da época, lia quadrinhos, sofria bullying e era ignorado pelas garotas, o pacote (hoje clichê) completo. Se ver representado nas páginas, à época, catapultou o personagem a uma popularidade inesperada, saindo da condenada Amazing Fantasy para seu próprio título em 1963, se balançando pelos prédios e becos de Nova Iorque, cidade esta que abriga muitos dos principais heróis da Marvel.

Logo em sua primeira edição, o Amigão da Vizinhança tenta se filiar ao Quarteto Fantástico, que o nega rapidamente. Essa integração do jovem Homem-Aranha com outros heróis da editora se tornou parte do DNA das aventuras de Parker, com parcerias famosas com Deadpool, Wolverine, Homem de Ferro, Demolidor, X-Men e a já citada Primeira Família da Marvel.

Nada disso, porém, pôde ser traduzido para as telas. Devido aos direitos de exibição dos heróis altamente divididos no final dos anos 1990, o Homem-Aranha foi parar na Sony, onde teve 5 filmes solo, todos com seus defeitos e virtudes, mas nenhum deles com apoio completo dos fãs.

A começar pela era Maguire/Raimi, quando o diretor, Sam Raimi, em 2002, lançou um filme que mexia com as origens dos quadrinhos, dando teias orgânicas para o herói e um visual questionável para o vilão Duende Verde (William Dafoe). O próprio Aranha de Tobey Maguire tinha seus problemas. Enquanto o ator passava todo o desconforto de Peter em se relacionar com outras pessoas, sua versão mascarada não tinha o charme e o humor típicos do herói. Apesar disso, Raimi conseguiu entregar dois grandes filmes antes que a Sony decidisse interferir no que seria o questionável Homem-Aranha 3, que trazia um Eddie Brock/Venom franzino (Topher Grace), um James Franco descontrolado e uma dança inexplicável de um Peter Parker possuído.
Enterrada a primeira franquia, Mark Webb assumiu a direção de O Espetacular Homem-Aranha, trazendo Andrew Garfield para viver o herói e Emma Stone para viver Gwen Stacy. Mais uma vez, as origens do heróis sofreram algumas alterações, mas a dinâmica e a química de Garfield e Stone em tela conquistou o público. Assim como seu antecessor, o Aranha de Garfield foi incompleto: o magricela conseguiu trazer todo o humor físico e verbal do herói, mas não os problemas de socialização de Parker, retratado aqui como um skatista hipster novaiorquino. O segundo filme, A Ameaça de Electro, também teve grande interferência da Sony, que colocou diversas subtramas desnecessárias no filme, cancelando de vez a franquia.
Mas, em retrospecto, as principais críticas dos fãs em relação aos filmes se dava pelo fato de faltar aquela sensação de aventura épica das HQs que nunca chegou às telas, decepcionando muitos leitores que esperavam ver o Homem-Aranha interagindo com a cidade de Nova Iorque (e seus supermoradores).

Até que, finalmente, temos a notícia, em 2015, de que a Sony e a Marvel Studios entraram em acordo para que o Homem-Aranha integrasse o MCU, aparecendo já no alardeado Guerra Civil, de 2016. E que aparição.

Tom Holland, com 19 anos na época, era a cara do Peter Parker da linha Ultimate Marvel e sua pequena e simples participação no filme respondeu perguntas que os outros filmes não conseguiam: "quem fez a teia?" "Eu, eu sou inteligente". "Quem fez esse traje?" "Tony Stark estava de olho no moleque faz tempo". Simples, fácil, sem nenhuma repetição desnecessária.
Ultimate Homem-Aranha e Tom Holland
A chegada do Homem-Aranha no universo compartilhado da Marvel Studios é tão importante para o herói quanto qualquer grande arco que já tenhamos visto em quadrinhos e muito maior que os lançamentos anteriores, por melhor que fossem, poderiam tentar ser.

A simpatia e o humor que Holland mostrou no Brasil são típicos do herói e algo já vislumbrado no ano passado. A simples perspectiva de termos Tony Stark (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans) ou o Vingador que seja fazendo uma ponta na história devolve a sensação de que estamos vendo o adolescente que, do nada, recebeu poderes e quer fazer parte de um mundo maior (se, na longínqua primeira edição era o Quarteto Fantástico, hoje são os Vingadores).

De Volta ao Lar não é apenas um subtítulo. É um compromisso que a Marvel e a Sony assumiram de nos dar aquilo que esperamos desde 2002. E, que me desculpem Tobey Maguire e Andrew Garfield, mas Tom Holland, com 15 minutos de cena (e uma turnê de divulgação) parece já ser o Homem-Aranha mais completo que podemos esperar em tela.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar, dirigido por Jon Watts, chega aos cinemas brasileiros em 6 de julho de 2017 e terá Tom Holland como o Homem-AranhaMarisa Tomei como a Tia MayLaura Harrier como Liz AllenMicheal Keaton como o vilão Abutre e a volta de Robert Downey Jr. como Tony Stark.
Nicolaos Garófalo escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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