Séries

Crítica: House of Cards - 5ª Temporada

5º ano assustadoramente real consagra série da Netflix como melhor drama da atualidade

Era de se esperar, com o conturbado momento político dos Estados Unidos, que o quinto ano de House of Cards chamasse ainda mais atenção do que as temporadas anteriores, refletindo o governo de Donald Trump. A grande surpresa, porém, foi saber que os roteiristas, no ano passado, escreveram a temporada com a certeza de que Hillary Clinton venceria o pleito e decidiram entregar a série com um palpite do que "poderia ter sido". O resultado é a melhor e mais crível temporada da série até agora.

A quinta temporada da série começa exatamente do ponto em que paramos ano passado: em meio às eleições, Frank (Kevin Spacey) e Claire Underwood (Robin Wright) precisam acalmar o povo americano após a ICO (representante fictícia do Estado Islâmico) decapitar um homem dentro dos Estados Unidos. Além da crise, o casal precisa lidar com o forte apoio do povo ao republicano Will Conway (Joel Kinnaman), que, surpreendentemente, parece estar sempre um passo a frente dos Underwood, com a ajuda de Mark Usher (Campbell Scott).

Nos bastidores, Doug Stamper (Michael Kelly) e LeAnn Harvey (Neve Campbell) tentam de tudo para amarrar pontas soltas que possam causar problemas ao Primeiro Casal, com repercussões e reviravoltas que poderiam fazer parte da delação de Joesley Batista.

Enquanto as eleições não ocorrem, Frank toma decisões polêmicas como incitar uma guerra contra a ICO dentro e fora do país e reforçar as leis de imigração para os EUA, apesar dos inúmeros argumentos contrários de aliados e opositores.
Frank (Spacey) e Claire (Wright): Primeiro Casal enfrenta temporada mais tensa do programa
Ao longo dos 13 episódios (absurdamente fáceis de se "maratonar"), é perceptível todo o cuidado da produção com cada pequeno detalhe que foi ao ar: absolutamente tudo se resolve da maneira mais tensa possível. Os diretores dos episódios, ao lado dos roteiristas, conseguiram amarrar pontas que pareciam esquecidas desde a primeira temporada, deixando claro, na última fala do ano, que chegou a hora de mudar de assunto(s).

No quesito atuações, infelizmente, nem todos brilham como de costume. Robin Wright, apesar do maravilhoso trabalho como diretora, oscila em muitos momentos e não consegue equilibrar a frieza de Claire com a carga dramática de seu relacionamento secreto com Tom Yates (Paul Sparks) e passa longe da atuação brilhante da quarta temporada. Neve Campbell também continua desconfortável como LeAnn Harvey e segue tão descartável quanto fora em 2016.

Por outro lado, Dominique McElligott continua brilhantemente seu trabalho como Hannah Conway e rouba cada cena que aparece, sendo a principal responsável por fazermos torcer por seu marido na corrida presidencial (algo que não é fácil, visto que, além de republicano, ele esteve em Esquadrão Suicida). A recém-chegada Patricia Clarkson também não demora a roubar nossos corações (e alguns cargos na Casa Branca) como a suspeita Jane Davis. Apesar de pontuais, as participações da atriz são importantíssimas para cada twist proposto na temporada e essenciais para os planos Underwood correrem bem.
Doug (Kelly) tem sua temporada mais importante até agora
E falando em atuações brilhantes, Michael Kelly merece um paragrafo próprio. Apesar de Doug Stamper continuar como o (mais que) fiel escudeiro de Frank, sua dedicação ao presidente nunca foi tão aprofundada e evidente como na quinta temporada. Doug assume crimes que não cometeu, intimida mais políticos do que nunca e arrisca basicamente tudo sem pensar duas vezes. Cada segundo em que Kelly está na tela (do celular, da TV ou do tablet), algo importante acontece e sua atuação prende o espectador, que fica sem saber as motivações do chefe de gabinete mais querido da América.

House of Cards, seja pelo roteiro, pelas atuações ou pela situação da política mundial atual, nunca pareceu tão real. A quinta temporada, disponível desde 30/5, já seria a melhor da série sem as conexões com a realidade. Essa ligação, porém, dá à temporada, e à série como um todo, mais importância do que nunca e a eleva, talvez, ao posto de melhor drama da atualidade. E se, depois de assistir, você ainda tiver alguma dúvida, basta abrir o caderno de política de qualquer jornal dos últimos meses.

A quinta temporada da versão americana de House of Cards chegou completa à Netflix em 30/5 e tem 13 episódios.
Nicolaos Garófalo escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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