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Crítica: Doctor Who - 10ª Temporada

Temporada emocionante prepara o terreno para despedidas da série

Muito se esperava depois da emotiva estréia da 10ª temporada moderna de Doctor Who. Afinal, seria o ano de despedida de Peter Capaldi e do showrunner Steven Moffat e o primeiro episódio vinha carregado de emoção e frescor que há muito não se via na série britânica

Depois de um começo brilhante com "A Piloto", em que conhecemos Bill Potts (a talentosíssima Pearl Mackie), o 12º Doutor (Capaldi) embarca em sua tradicional viagem para impressionar a nova companheira, sempre sob os olhares de reprovação de Nardole (Matt Lucas), que, mais do que um alívio cômico, se tornaria a voz da razão de um cansado Doutor.

Em alguns momentos da temporada, arcos pareceram um pouco arrastados. Foi o caso de "Extremis", episódio interessante sobre um grande esquema de dominação alienígena que toma conta da Terra desde o início da evolução humana. Porém, ao entrar em seu terceiro episódio seguido, que apelou até mesmo para uma falsa regeneração, o arco já se tornara exaustivo e confuso, destoando da qualidade do restante da temporada.
O Monges de "Extremis" - arco de três episódios destoou da qualidade geral da temporada
Em compensação, episódios como o thriller de "Toc Toc" e a guerra de "A Imperatriz de Marte" relembram a série clássica de Doctor Who como nem mesmo Russel T. Davies havia conseguido no início do revival, mais uma vez mostrando a grande capacidade de atuação de Capaldi como o Doutor, especialmente quando apoiado por um roteiro de qualidade.

Outro ponto alto desse 10º ano fica por conta de Matt Lucas. Seu Nardole deixou de ser o alívio cômico incômodo dos últimos especiais de natal para se tornar uma companhia digna de ser lembrada por toda a história do seriado. O androide se mostrou inteligente, competente e "secretamente durão", como diria Bill Potts.

Falando em Bill, a química entre Capaldi e Pearl Mackie é comparável a de outras companhias consagradas, como David Tennant/Catherine Tate e Matt Smith/Karen Gillan, mas com uma relação de pai e filha emocionante, que vai se tornando cada vez mais dolorida quando nos aproximamos do final de temporada.
O Doutor e Bill em "Sorria"
A questão sexual de Bill, aliás, tratada com alarde e preocupação por tabloides e portais antes da estréia da série, foi desenvolvida naturalmente ao longo da temporada, sem nenhuma exploração desnecessária dessa característica da personagem. O próprio Doutor, em determinado momento, admite, sem problemas, uma paixão por outro personagem do mesmo sexo, algo que vinha sendo indicado desde a era de Davies como produtor.

O finale "O Doutor Cai", dividido em duas partes, acerta ao terminar a temporada com a mesma qualidade e emoção com que o ano começou: dois Mestres (John Simm, em um retorno triunfante, e Michelle Gomez, em sua última aparição como a Senhora do Tempo), muitos Cybermen e algumas tragédias rechearam o encerramento de uma das melhores temporadas do Doctor Who moderno.
Michelle Gomez e John Simm: os Mestres se unem no arco final da temporada
Pensando na saída de seus personagens, Moffat encerra brilhantemente o arco de Nardole, Bill e Missy, amarrando todas as pontas soltas que podem ter acumulado desde sua entrada na série. Já o 12º Doutor, angustiado, começa seu processo de regeneração, com flashes nostálgicos que vão trazer lágrimas aos olhos de todos os whovians, além de referências geniais às duas regenerações anteriores.

Depois de uma temporada genial e emotiva, a BBC ainda faz mistério sobre quem será o próximo Doutor. Resta agora esperar até dezembro pelo especial de Natal, o último de Capaldi, para descobrir o próximo piloto da TARDIS. A única certeza para o episódio é a presença de David Bradley (Harry Potter, Game of Thrones), que dará vida ao 1º Doutor, já tendo interpretado William Hartnell no docudrama da série Uma Aventura no Tempo e Espaço.

Doctor Who encerrou sua 10ª temporada moderna dia 1º de julho e voltará para o Especial de Natal em dezembro de 2017, marcando a despedida de Steven Moffat como showrunner e de Peter Capaldi como o 12º Doutor.
Nicolaos Garófalo escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
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