Crítica: Dark 3ª Temporada

No começo não entendia nada, no final parecia que tava no começo.



Finalmente, depois de quase 4 anos, desde a estreia de sua primeira temporada na Netflix, entendemos (ou não) o que se passa no universo (multiverso) de Dark. A série alemã vem dando o que falar desde sua 1ª (primeira) temporada, por ter dado um nó na cabeça dos fãs da estória.


Prometendo trazer uma temporada final com encaixes e resolução para que a narrativa pudesse emfim ser encerrada, o autor Ronny Schalk, encontra saída nas brechas deixadas pelas temporadas anteriores, mesmo algumas resoluções sendo extremamente simples para a proposta da série.

Sinopse:

Quatro famílias residentes da cidade de Winden são envolvidas em acontecimentos estranhos que parecem se repetir a cada 33 anos, o desaparecimento de crianças é um dos mistérios que ligam três épocas diferentes da mesma cidade. Passado presente e futuro não estão dispostos em uma linha contínua, mas sim em uma teia com diversas ramificações. O jovem Jonas Kahnwald (Louis Hofmann) encontra na morte de seu pai (que se suicidou), no desaparecimento do irmão mais novo de sua namorada, numa caverna e uma usina nuclear,  indícios de que, nesta cidade, nada acontece por acaso e resolve buscar respostas.


Envolvendo vários  pontos clássicos da ficção científica, como viagem no tempo e universos paralelos, base para uma trama confusa e misteriosa. Nada nunca é o que parece e toda ação tem um efeito inesperado. Com uma quantidade grande de arcos duranta cada temporada, o autor consegue nos deixar "mais perdidos do que cego em tiroteio", e ao mesmo tempo curiosos com o que vem a seguir.

Suas duas primeiras temporadas foram bem estruturadas, o roteiro bem elaborado, para que quando todas as pontas começassem a se encaixar, nada mais faria sentido outra vez. O autor conseguiu esse efeito de forma primorosa nas primeiras temporadas, e de certa forma na terceira também, mas vamos chegar lá. O tom sombrio e iluminação é mais um dos pontos fortes da série, sempre misterioso, por vezes melancólico e imersivo.

A abordagem de diversos temas também é bem empregado, como relacionamentos tóxicos e abusivos, feminismo, sexualidade, autoafirmação e amor próprio trazem essa carga dramática para essa ficção científica. Algo me leva a crer que tanto na primeira quanto na segunda temporada, tivemos tempo suficiente para adentrar naquele universo, explorar seus personagens e suas relações, contudo isso muda um pouco nesta ultima temporada.


Por se tratar da parte final de uma estória um tanto complexa, a terceira temporada perde um pouco do encanto da submersão dos personagens. Saímos de um universo onde a viagem no tempo é possível para um onde não somente a viagem temporal, mas a interdimensional é permitida, e não temos o devido tempo para ingerir.

A temporada possui apenas oito episódios (uma quantidade comum para séries da Netflix), e tem que explicar como esse novo universo se encaixa na trama, além das novas relações entres os personagens nesse mundo invertido. Apenas isso já renderia uma temporada inteira, e ainda nos restariam dúvidas sobre as pontas soltas deixadas nas temporadas anteriores. Dessa forma não nos é permitido aprofundar nesse novo mundo, mas sim entender o básico da dinâmica, que julga-se ser suficiente para o entendimento do espectador.


O roteiro foi mais enxuto, me arrisco a dizer que até um pouco raso, porém não menos confuso e curioso. Isso me leva a crer que o fato do Apocalipse na série ter sido anunciado para o ano de 2020, fez com que o autor buscasse soluções rápidas para fechar as lacunas. Personagens secundários encontram caminhos que rapidamente culminam no final da série, aparentemente eles só possuíam uma função no enredo, que seria a continuidade do looping eterno dos ciclos de 33 anos.

Por fim a série tem um desfecho razoável, onde as coisas voltam ao seu devido lugar. Na opinião desse que voz escreve, Dark saiu de um patamar excelência, para um de "série boa", mas claro, sem desmerecer a obra, pois ela ainda se consolida como uma das melhores séries da plataforma de streaming.

Ficha Técnica


Título Original: Dark
Ano produção: 2019
Estreia: 27 de junho de 2020
Classificação: 16 anos
Distribuidora: Netflix
Roteiro: Ronny Schalk
Direção: Baran bo Odar
Elenco: Louis Hofmann, Maja Schöne, Lisa Vicari, Oliver Masucci, Jördis Triebel.
Gênero: Ficção, Suspense, Drama
Países de Origem: Alemanha

Biológo, amante da natureza, aprendiz sith. Fã de animação, séries e filmes...queria ser um dobrador de água, mas a vida lhe fez nascer na nação errada.


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