Cinema

Crítica: Te quiero, imbécil – comédia romântica que debocha do estilo de vida dos millennials

Te quiero, imbécil fala sobre as mudanças que os Apps de relacionamento causaram nas relações, através da perspectiva de um homem que se manteve fora


Te quiero, imbécil comédia romântica da Netflix é o tipo de filme que quando você começa a assistir pensa “não acredito que ele não percebeu que essa é garota certa”. E como já entendeu o final, se diverte com o meio esperando que algo surpreendente aconteça, mas não é o caso.

Marcos é um homem que viveu os últimos anos de existência imerso num namoro longo. Como um exemplar de sua geração, estava confortável com a vida que tinha. No entanto, o final do relacionamento deixa Marcos disponível no mercado, o que o obriga a voltar para pista. 

Sinopse

Marcos leva um fora da namorada. Para dar a volta por cima, ele se reinventa com a ajuda de uma amiga de infância e de um guru da internet.


Te quiero, imbécil fala sobre as transformações que os aplicativos de relacionamento causaram nas relações humanas, a partir da perspectiva de uma pessoa que se manteve à margem dessa mudança. Quando se vê sozinho Marcos restaurar suas habilidades de conquista, mas as coisas não são mais como ele lembrava. Assim, o filme foca nos perrengues enfrentados por ele ao tentar se adaptar a nova realidade.
Como Marcos, Quim Gutiérrez, decide manter a mente aberta e mergulhar fundo, a primeira coisa que faz é procurar um guru, Ernesto Alterio, online. Uma crítica explicita aos coaching que se tornaram febre, entretanto, não são capazes de resolver a própria vida, quiçá de outro. Como alguém que já fez coaching, posso dizer que é ter alguém mandando você fazer o que você já sabe que precisa fazer, porém o que muda são as ferramentas utilizadas no processo.



Como todo herói precisa de um parça, afinal se trata de uma jornada, o melhor amigo Diego, Alfonso Bassave, é quem vai assessorar nosso protagonista durante o retorno. Apresentando todo tipo de App de encontro e baladas. O típico cara que não abre mão de ser solteiro, porém, não faz a menor ideia do que está fazendo com a própria vida.


O que eu seria se fosse outra pessoa?

Raquel, Natalia Tena, a amiga de infância, é uma pessoa que terminou o ensino médio, jogou a mochila nas costas e foi viver experiências. O exemplar característico da Geração Y, indivíduos que não estão interessadas em acumular bens, mas vivências. Que conquista Marco com seu estilo de vida livre das amarras sociais que estabelece como uma pessoa de sucesso deveria ser.
Como se não bastasse ,Marcos perde o emprego, ainda precisa voltar morar com os pais, que viviam felizes sua vida de casal que cumpriu sua missão (nasceu, cresceu, se multiplicou e agora quer curtir a aposentadoria).



O mais interessante sobre os pais de Marcos é que eles estão realizados e não sofrem com a crise do ninho vazio. Na verdade, eles gostam da liberdade que finalmente conquistaram. Apesar do apoiar o filho, não estão muito interessados em manter essa situação por muito tempo e, também não mudam sua rotina por causa da sua presença.
Enfim, o filme é interessante pela nostalgia, com alguns clássicos da música dos anos 1990. Contudo, é só entretenimento mesmo, nada muito profundo.


Ficha técnica

Título: Te quiero, imbécil
Título original: Te quiero, imbécil
País: Espanha
Data de estréia: 15 de maio de 2020
Gênero: Romance, Comédia
Classificação: 14 anos
Duração: 87 minutos
Distribuidora: Netflix
Direção: Laura Mañá
Elenco: Quim Gutiérrez, Natalia Tena, Alfonso Bassave, Alba Ribas, Patricia Vico, Ernesto Alterio, Núria Valls e Vanessa Castro.


Kika Ernane, Karina no RG, e sou multitarefa (designer, ilustradora, redatora, escritora e na caça de mais uma habilidade). Uma mulher como muitas da minha época, que ainda não descobriram como aproveitar a liberdade que lutaram tanto para conseguir. Muito menos administrar todas as tecnologias disponíveis. Enfim, estou sempre aprendendo.


Disqus
Facebook
Google