Pokémon Journeys - Crítica: os primeiros 39 episódios

Uma aventura só termina quando outra começa. E, neste grandioso mundo, Ash e Go já estão bem direcionados em suas respectivas Jornadas Pokémon.


Originalmente, o Cartoon Network Brasil exibiria Jornadas Pokémon, a nova temporada do anime, em sua grade no dia 21 de setembro. Porém, por motivos desconhecidos ao público, a estreia da versão dublada foi adiada para 5 de outubro. Apesar disso, a chegada das novas aventuras de Ash e Pikachu a terras brasileiras é a desculpa perfeita uma oportunidade para analisar os quase 40 episódios exibidos até o momento na terra do sol nascente e se, de fato, vale a pena acompanhar essa nova jornada.

Um passado cada vez mais presente 

Após voltar para casa depois de suas aventuras em Alola, Ash é convidado pelo Professor Carvalho a visitar um novo laboratório Pokémon que será inaugurado na cidade de Vermillion. Depois de alguns eventos envolvendo voar nas costas de um Lugia com um garoto chamado Go, ambos são convidados pelo responsável pelo novo instituto de pesquisa, o Professor Sakuragi/Cerejeira, a se juntarem a seu centro como assistentes, viajando por todas as regiões do mundo Pokémon investigando e registrando eventos peculiares envolvendo as criaturas de bolso.

No meio destas viagens, eles adquirem uma noção maior dos objetivos que desejam conquistar: Go quer capturar todos os Pokémon existentes como uma maneira de conseguir capturar o Mew, um sonho que ele possui desde mais novo. Ash, após visitar Galar, quer derrotar Leon, atual campeão da região e primeiro colocado da World Coronation Series, um campeonato mundial ranqueado de batalhas. Nenhum desses sonhos parecem fáceis, mas eles não são de desistir tão facilmente. 

Senhoras e senhores, seus co-protagonistas, Ash e Goh!

Em relação ao Ash, a principal aposta da temporada é na continuidade da sua história como protagonista. A proposta de viajar por todas as regiões, junto com o campeonato mundial, gera a expectativa de rever antigos companheiros de jornada e antigos rivais para ter uma revanche. A teoria é maravilhosa e faz os olhos de qualquer fã brilhar, mas a prática ainda precisa de aperfeiçoamento porque, inicialmente, os roteiristas ainda se limitavam a pequenos diálogos, frames estáticos e pequenas participações de personagens secundários.

Um novo elenco, uma nova abordagem

Na época da estreia da nova temporada, haviam discussões sobre se a presença do Goh seria o início de uma transição de protagonistas, mas creio que não seja o caso. A dupla de protagonistas representa as duas principais vertentes de Pokémon: as batalhas e as capturas e o roteiro dos episódios, tirando um em específico que não possui participação do dono do Pikachu, são geralmente feitos para que ambos os elementos se interlacem.

Atualmente, ele possui 65 monstrinhos. A maioria dessas capturas foi feita somente com o jogar de uma Pokébola comum em algum Pokémon que estava passando por aí, no melhor estilo Pokémon GO (por isso o nome, obviamente). Algumas podemos questionar se foram força do roteiro para fazer acontecer, principalmente se considerar que, como ele mesmo falou, só se envolve em batalhas quando for realmente necessário, mas, quando batalhas são necessárias, dá para notar a influência do Ash em seu estilo de luta, o que o torna um treinador com muito potencial.

Koharu/Chloe está recebendo um tratamento diferente das outras amigas que acompanharam Ash em outras temporadas. Ao invés de ser uma treinadora já estabelecida desde o começo da temporada (como Iris e Misty), ou uma iniciante que possui um objetivo (como o Showcase da Serena ou os Contests de May e Dawn), a filha do professor Sakuragi/Cerejeira começa alheia ao mundo Pokémon, sendo apenas uma estudante cujo Yamper da família é mais apegado a ela.


Que o futuro desta garota seja tão brilhante.
Só te peço isso, roteiro.

Mas o roteiro, gradativamente, está fazendo ela demonstrar fascínio e curiosidade pelos monstrinhos de bolso. Ela já teve pequenas pequenas doses de aventura com os meninos, aparecendo em poucos episódios, mas tendo presença significativa. Ela não é uma treinadora, mas já teve seus momentos de batalha. Ainda é cedo para dizer qual será seu papel dentro da temporada, mas, como disse a própria mãe da garota, tudo a seu tempo. Só torço para que não seja demasiadamente longo e que sua presença seja mais relevante conforme a trama avança.

Até mesmo a Equipe Rocket recebeu uma nova abordagem. Ao invés de um time fixo, eles ganharam de "presente" do Giovanni uma máquina igual às de chiclete onde você insere uma moeda, gira o trinco e um sabor sortido sai. Mas o que sai são Pokémon sortidos para batalha. Não sei qual foi a intenção que a equipe teve ao fazer essa mudança, mas ela não traz muitos benefícios a Jessie, James e Meowth. Não ajuda em seu fator cômico, muito menos os fazem ser uma ameaça maior do que já eram em sagas anteriores (que não era lá muita coisa). Na verdade, os roteiristas sacrificaram um dos pontos fortes do trio: a dinâmica e o vínculo emocional que eles tinham com o time que eles mesmos montavam. 

E que venha o futuro

É perceptível a preocupação da equipe por trás da nova temporada em construir uma história que sustenta a si mesma sem os fanservices, principalmente neste estágio inicial. Por isso que os roteiristas utilizam-se de pequenas doses da nostalgia que vêm das refêrencias ao passado do Ash e do retorno de antigos protagonistas, sem muitos abusos ou recorrências, o que pode ser, simultaneamente, um ponto positivo e negativo. 

Diante deste cenário, Jornadas Pokémon mostra-se ser uma produção decente, que consegue cativar o espectador com uma história, que não foge de seus padrões e limitações, mas que mostra-se autossuficiente e divertida, e uma promessa de que a paciência de hoje será recompensada com doses maiores de referências, reparações históricas e retornos, tudo isso dentro de um contexto orgânico. É um movimento arriscado, mas estou, de certa forma, confiante a respeito do que vem aí.

No futuro, referências assim serão mais frequentes.
E eu estarei lá para presenciar.


P.S.: sim, o bebê de Burnet e Kukui/Bruna e Nogueira nasceu. Ele se chama Lei. E a mãe já está chamando o Ash de irmão mais velho. Dá para ouvir meus gritos de felicidade daí?

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