A experiência de voltar a assistir Arquivo X em 2021

A busca pela verdade ainda continua firme e forte contra o teste do tempo.


Tudo começou em uma noite. Uma presença dentro de um quarto. A voz de sua irmã de 8 anos chamando seu nome enquanto ela é levada por algo ou alguém. Uma voz dentro da própria cabeça dizendo para que ele não tivesse medo, que ela estaria bem. 

Um desejo tão intenso de acreditar nessas palavras que iniciou uma jornada. Rumo à Universidade de Oxford. Rumo ao FBI. Rumo a um projeto paralelo que não era do agrado de seus supervisores. Rumo a uma parceria com uma médica enviada pelos próprios para invalidar seu trabalho. Rumo à verdade. E foi assim que Fox Mulder e Dana Scully vieram à vida. E foi assim que Arquivo X surgiu.

Primeiro contato

Era o começo de 2016. Eu estava voltando para casa com meus primos mais novos. Havia uma lanchonete no meio do caminho. Naquela hora estava passando um comercial no antigo FOX Channel

Ainda que não pudesse ouvir, a estética daquele teaser de 30 segundos foi suficiente para que eu parasse para contemplá-lo através de uma pequena janela e chegasse em casa fascinado, querendo descobrir o que era aquilo que havia acabado de assistir. 

Eu me lembro dos dias seguintes. Das iniciativas para promover o então retorno da série. Do movimento, que incentivava os fãs, a partir de determinada data, a assistirem um episódio por dia das temporadas originais para terminar a maratona justamente na estreia da então 10ª temporada. Eu me lembro da maratona de 24 horas com alguns dos episódios mais importantes do show. Eu me lembro de ter assistido o icônico episódio da comunidade de vampiros da 5ª temporada. Eu me lembro de ter assistido ao series finale... mas eu não me lembro da razão, na época, para ter parado de acompanhar a série na metade da 3ª temporada.

Nada Importante Aconteceu Hoje


É o ano de 2021. Praticamente uma nova vida. O sentimento de recomeçar aquela jornada rumo ao porão do escritório do FBI em Washington floresceu novamente. Foi uma daquelas decisões impulsivas, onde o corpo quase que se move por si só, onde você simplesmente ignora as pendências da faculdade e os diversos planejamentos para poder manter em dia as 8 séries que você havia se comprometido a acompanhar anteriormente.

Minha maior surpresa foi perceber o quão sólidos são os episódios iniciais. Além de estabelecer a base da tão conhecida mitologia da série, os episódios "monstros da semana" tem uma preocupação singular em oferecer uma atmosfera de mistério e suspense, especialmente "Squeeze/Assassino Imortal", o 3º episódio da série, que possui uma trilha sonora que gera um certo nível de incômodo para que o espectador saiba que ele está lá e ele vai atacar, você só não sabe por onde.

Entretanto, nada disso seria possível se não fosse pelos intérpretes dos protagonistas. Enquanto David Duchovny, desde a primeira fala, demonstra conforto com o material que lhe foi dado, poucas vezes tendo reações exageradas, reforçando sua forte crença no extraordinário, eu devo dar o mais que merecido destaque à atuação de Gillian Anderson. Considerando que este foi o trabalho que a levou ao status de estrela pela qual ela é conhecida, em nenhum momento ela deixa transparecer sua relativamente pouca experiência como atriz. As reações da Scully são pontuais e passam o exato nível de surpresa que alguém passaria ao ter seus ideais questionados e não possuir uma resposta concreta para tal afronta.

A Verdade


Dizer que Arquivo X foi, e ainda é, um sucesso é, no mínimo, um eufemismo. Se tratando de números, estamos falando de uma audiência média de aproximadamente 15 milhões de pessoas por episódio durante as 9 temporadas originais somente nos EUA e um filme que conseguiu se ligar satisfatoriamente com o arco mitológico do show, introduzir a própria série para uma nova audiência e arrecadar quase 190 milhões de dólares em bilheteria.

Se considerarmos somente o impacto cultural, além da solidificação dos nomes de David Duchovny e Gillian Anderson em Hollywood, muitas vezes se é atribuído a Arquivo X o mérito de, senão criar, popularizar um jeito até então único de consumir entretenimento. A utilização de arcos narrativos maiores que chegam a durar anos a fio. Uma forte presença orgânica que levou à popularização de discussões e teorias em fóruns dedicados a tais assuntos durante a explosão da internet nos anos 1990. A popularização do termo shippar porque Mulder e Scully tinham um relacionamento pessoal e profissional tão bem elaborado e executado que o desejo dos excers pela sua união ultrapassava a barreira linguística...

Mas, acima de tudo, a mensagem continua relevante, principalmente agora. O que é a verdade? O que não é verdade? E se aquilo que nos disseram ser a verdade não for realmente a verdade? Será que podemos realmente confiar naqueles que dizem serem portadores da verdade? Eu sei que parece ser papo de teoristas da conspiração, mas quando você se pega questionando sua própria realidade a partir de uma série de ficção científica sobre alienígenas e experimentos com humanos, não se pode negar que está diante de uma produção sólida e bem executada, que sobrevive ao teste do tempo, consegue entreter toda uma nova geração de pessoas e deixar uma semente de dúvida na parte de trás da cabeça.

A verdade está lá fora. 
Mais perto do que imaginamos. 
E eu estou ansioso para finalmente vê-la como um todo.

Só queria dizer que os posters originais são simplesmente lindos.
Eles possuem uma estética simples que enfatiza o lado fantástico da série com precisão.

Escreve para o GeekBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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