E isso significa que a produção não precisou ficar encaixando seus personagens em um grande plano previamente determinado.
Segundo Mundy, a equipe sabia que John Stewart, interpretado por Aaron Pierre, teria papel importante no futuro do DCU, mas ninguém obrigou a série a conduzir o personagem até um determinado ponto para conectá-lo a outros projetos.
“Não fomos forçados a nada.”
A declaração resume bem a abordagem adotada por Gunn e Safran para o novo universo da DC: permitir que cada produção tenha sua própria identidade, em vez de transformar tudo em uma enorme máquina de referências.
‘Lanterns’ quer ser diferente
Criada por Chris Mundy, Damon Lindelof e Tom King, Lanterns aposta em uma abordagem bem diferente do que muitos poderiam esperar de uma série sobre super-heróis espaciais.
A produção acompanha Hal Jordan (Kyle Chandler) e seu jovem parceiro John Stewart (Aaron Pierre) em uma investigação com clima de thriller policial.
A história começa em Rushville, Nebraska, após o assassinato de quatro alienígenas disfarçados durante uma partida de futebol americano.
E o episódio piloto ainda guarda uma grande surpresa: uma segunda linha temporal revela que Hal Jordan foi encontrado morto no mesmo campo dez anos depois.
Ou seja, o sujeito mal começa a investigação e o roteiro já manda um spoiler do tamanho de um caminhão.
James Gunn não ficou colocando o dedo em tudo
Mundy explicou que Gunn estava extremamente ocupado com Superman (Confira nossa crítica aqui) durante o desenvolvimento de Lanterns, mas, mesmo assim, confiou bastante na equipe.
Para o showrunner, o fato de Gunn também ser roteirista e diretor ajudou na relação profissional, já que ele entende os desafios envolvidos na criação e produção de uma série.
Mas a liberdade não significava ausência total de conexão com o DCU.
John Stewart, por exemplo, também estará em Man of Tomorrow, sequência de Superman, mas Mundy afirma que Lanterns não precisou preparar artificialmente o personagem para essa participação.
A série simplesmente contou a história que queria contar.
E a 2ª temporada? Já tem gente trabalhando nela
Aqui está a parte mais interessante.
Embora a segunda temporada de Lanterns ainda não tenha sido oficialmente aprovada, Chris Mundy e Christopher Cantwell, cocriador de Halt and Catch Fire, já estão desenvolvendo uma possível continuação.
Segundo Mundy, eles estão trabalhando no projeto há aproximadamente seis semanas e devem conversar em breve com os responsáveis pela produção.
A ideia, caso a segunda temporada aconteça, é evitar simplesmente repetir a fórmula da primeira.
“Contaremos a história de uma maneira um pouco diferente, para que pareça nova.”
Mundy também deixou claro que existe uma condição básica para a continuação: o público precisa querer voltar para esse universo.
A equipe está satisfeita com o trabalho realizado na primeira temporada, mas sabe que uma segunda temporada só fará sentido se houver interesse suficiente dos espectadores.
Hal Jordan já estava condenado desde o começo
Outro detalhe interessante da entrevista envolve Kyle Chandler.
Mundy revelou que a morte de Hal Jordan apresentada no episódio piloto já fazia parte do plano desde o início.
Ou seja, não foi uma decisão tomada no meio da produção nem uma tentativa de surpreender o ator ou o público de última hora.
Chandler sabia desde o começo o destino de seu personagem.
Mundy brincou, inclusive, com o fato de já ter feito algo parecido com o ator em Bloodline, série em que também trabalhou com Chandler.
Pelo visto, quando Chris Mundy chama Kyle Chandler para uma série, o ator deveria começar perguntando:
“Tá, mas eu morro quando?”
John Stewart está em boas mãos
A escolha de Aaron Pierre para viver John Stewart também foi comentada.
Mundy explicou que o ator já havia sido considerado antes mesmo de Rebel Ridge ganhar destaque, embora o sucesso do filme tenha ajudado a mostrar ainda mais o talento de Pierre.
Para a equipe, o principal fator foi simplesmente acreditar que ele tinha o perfil e a capacidade necessários para interpretar o personagem.
E agora Pierre terá a oportunidade de ocupar uma posição cada vez mais importante dentro do novo DCU.
Uma série de Lanterna Verde sem precisar parecer uma série de super-heróis
Talvez essa seja a maior aposta de Lanterns.
Em vez de começar pelo espetáculo cósmico, a série prefere apresentar personagens, investigação, mistério e drama, usando a mitologia dos Lanternas Verdes como parte da história.
A inspiração em True Detective, combinada com elementos de Ozark, Watchmen, Lost e outros trabalhos dos criadores, deixa claro que a intenção é construir algo com identidade própria.
E Chris Mundy parece bastante consciente de que isso pode gerar resistência entre os fãs.
Para ele, quem acompanha Lanterna Verde há décadas possui uma relação emocional muito forte com o personagem. E essa preocupação é legítima.
A estratégia, portanto, é conquistar essa confiança mostrando que a equipe realmente se importa com o material.
Agora é esperar a decisão da DC
Por enquanto, a situação é simples: a 2ª temporada de Lanterns ainda não está oficialmente confirmada, mas a equipe já está trabalhando em uma possível continuação.
Chris Mundy e Christopher Cantwell estão desenvolvendo a história enquanto aguardam a decisão dos responsáveis pelo DCU.
Se a renovação acontecer, a promessa é de uma segunda temporada diferente, com novos caminhos para personagens que o público já conhece.
E, considerando que a primeira temporada ainda está começando sua jornada, o futuro de Hal Jordan e John Stewart pode estar apenas começando.
No novo DCU, pelo menos uma coisa parece estar clara: James Gunn quer que os Lanternas tenham espaço para contar sua própria história.
Fonte: The Hollywood Reporter



