Só que existe um pequeno detalhe.
Nada disso acontece aqui.
Desenvolvido pela Inlogic Software e publicado pela eastasiasoft, Nitro City Racing aposta em uma proposta bem mais simples: colocar o jogador em uma estrada praticamente infinita, cheia de trânsito, e fazê-lo dirigir o mais rápido possível enquanto desvia dos outros veículos. O jogo foi lançado em 27 de maio de 2026 para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One e Xbox Series X|S, com preço de US$ 4,99.
E é justamente aí que começa a nossa relação complicada com esse jogo.
Afinal, o que é Nitro City Racing?
Apesar de ser vendido como uma experiência de corrida arcade, Nitro City Racing está muito mais próximo de um jogo de desviar de trânsito em alta velocidade.
A ideia é simples: escolha um carro, entre na estrada e tente acumular o máximo de pontos possível.
Você ganha pontos por manter uma velocidade elevada, fazer ultrapassagens arriscadas, dirigir na contramão e passar perigosamente perto de outros veículos. Quanto mais você se arrisca, maior pode ser sua pontuação.
E bater?
Bom... geralmente significa que acabou a brincadeira.
A proposta oficial do jogo também destaca justamente essa mistura de velocidade, trânsito, desafios, personalização de veículos e diferentes modos de jogo.
O problema é que a ideia que parece interessante durante os primeiros minutos começa a mostrar suas limitações rapidamente.
Cinco modos de jogo, mas pouca variedade
Nitro City Racing possui cinco modos principais:
- Carreira
- Sentido Único
- Sentido Duplo
- Contra o Tempo
- Livre
O modo Carreira é o principal e reúne 54 missões, aumentando gradualmente a dificuldade.
Os desafios incluem coisas como atingir determinada pontuação, percorrer uma distância específica, manter determinada velocidade, fazer uma sequência de quase colisões ou dirigir pela contramão.
O problema é que, apesar da quantidade de missões, a variedade real é bastante limitada.
Você continua fazendo essencialmente a mesma coisa:
andar reto, trocar de faixa e não bater.
É como se alguém tivesse pegado uma estrada, colocado um contador de pontos em cima e decidido chamar isso de campeonato.
O perigo está nos quase acidentes
Uma das principais mecânicas de Nitro City Racing são os chamados near misses, ou quase acidentes.
Você precisa passar perto dos outros veículos sem acertá-los.
Quanto mais arriscada for a manobra, maior a recompensa. E quando você consegue encadear vários quase acidentes, pode aumentar bastante sua pontuação.
Nos primeiros minutos, isso funciona.
Existe uma satisfação genuína em atravessar o trânsito em alta velocidade, mudar de faixa no último instante e escapar por centímetros de um ônibus.
O problema é que o jogo não apresenta muitas outras ideias para complementar essa mecânica.
E quando você percebe isso, a estrada começa a parecer bem mais longa.
O modo Carreira expõe a repetição
As 54 missões são provavelmente o maior exemplo da falta de variedade.
A estrutura tenta criar uma sensação de progressão, mas os objetivos acabam reciclando as mesmas ideias.
Faça mais pontos.
Dirija mais rápido.
Passe perto de mais carros.
Percorra uma distância maior.
Fique mais tempo na contramão.
Repita.
Depois repita novamente.
E mais uma vez.
A própria quantidade de missões inicialmente parece representar uma boa quantidade de conteúdo. Na prática, porém, boa parte delas funciona como variações de poucos desafios básicos. Outras análises também destacaram justamente essa repetição como uma das principais limitações do jogo.
Onde estão as curvas?
Essa talvez seja a pergunta mais importante de toda a análise.
Onde estão as curvas?
Não é uma piada.
Nitro City Racing praticamente transforma a ausência de curvas em uma característica do jogo.
A estrada é extremamente reta e o desafio consiste em navegar pelo trânsito.
Não existem circuitos tradicionais.
Não há adversários disputando posição.
Não existe uma chegada em primeiro lugar.
Não existe aquela sensação de "última volta".
É uma experiência baseada em pontuação e sobrevivência.
E isso não seria necessariamente um problema se o jogo tivesse encontrado maneiras suficientes de tornar essa estrada interessante.
Mas não encontrou.
Os carros são legais, mas as melhorias nem tanto
O jogo oferece 10 veículos, que podem ser desbloqueados e personalizados conforme você progride.
Existe uma variedade razoável entre os modelos, incluindo carros esportivos, muscle cars, SUVs e até um caminhão.
As melhorias permitem alterar características como velocidade e frenagem, além de recursos como turbo.
A questão é que melhorar demais o carro pode acabar sendo quase contraproducente.
Se algumas missões exigem determinada velocidade, faz sentido melhorar o veículo.
Mas depois de atingir esse requisito, acelerar ainda mais pode aumentar justamente a chance de cometer um erro e bater.
Ou seja:
você melhora o carro para ficar mais rápido e depois descobre que ficar rápido demais pode atrapalhar.
É uma relação curiosa entre upgrade e dificuldade.
A sensação de velocidade funciona
Nem tudo é desastre.
Quando Nitro City Racing acerta, ele acerta justamente onde deveria: na sensação de velocidade.
Os carros aceleram de maneira convincente e atravessar o trânsito em alta velocidade pode proporcionar alguns momentos genuinamente divertidos.
A câmera em primeira pessoa também ajuda a aumentar a tensão.
O problema é que ela limita bastante a visão e torna os obstáculos ainda mais perigosos.
Também existe a possibilidade de alternar entre as câmeras interna e externa, recurso confirmado pela própria Nintendo na página oficial do jogo.
Visualmente, o jogo não tenta competir com os grandes nomes do gênero. Mas, considerando seu preço extremamente baixo, os gráficos cumprem seu papel.
E a apresentação?
Aqui temos outro caso de "funciona, mas poderia ser muito melhor".
Os gráficos são simples e os cenários não apresentam uma variedade impressionante.
A trilha sonora e os efeitos sonoros também cumprem apenas o básico.
Outro problema apontado em análises é a ausência de um tutorial realmente eficiente. Isso pode deixar os primeiros minutos mais confusos do que deveriam ser, especialmente porque algumas funções e controles não são apresentados de maneira suficientemente clara.
Para um jogo tão simples, isso é particularmente estranho.
Quando a proposta é acessibilidade imediata, o jogador deveria pegar o controle e entender tudo em poucos segundos.
O preço salva Nitro City Racing?
Aqui está a parte complicada.
Nitro City Racing custa US$ 4,99 em sua versão digital oficial.
Isso muda um pouco a conversa.
É difícil cobrar profundidade de um jogo vendido praticamente pelo preço de um lanche.
E existe uma quantidade razoável de conteúdo para um título tão barato: 10 carros, cinco modos e 54 missões no modo Carreira.
Mas preço baixo não resolve automaticamente problemas de design.
Você pode gastar pouco e ainda assim sentir que o jogo não oferece motivos suficientes para continuar jogando.
E esse é exatamente o caso aqui.
Nitro City Racing vale a pena?
Se você está procurando um jogo de corrida tradicional, não espere encontrar isso aqui.
Nitro City Racing é muito mais adequado para quem gosta de experiências arcade extremamente simples, baseadas em pontuação, reflexos e sessões curtas.
A sensação de velocidade funciona.
Desviar do trânsito pode ser divertido.
Os quase acidentes proporcionam alguns momentos satisfatórios.
Mas a falta de curvas, adversários, pistas realmente diferentes, variedade de objetivos e um sistema de classificação mais robusto fazem com que a experiência perca força rapidamente.
Outras análises chegaram a conclusões semelhantes, destacando que o jogo consegue proporcionar diversão rápida, mas perde força devido à repetição e à simplicidade de sua estrutura.
No fim das contas, Nitro City Racing é praticamente um jogo de pontuação disfarçado de corrida.
E talvez essa seja a melhor maneira de explicar o que ele é.
Veredito
Nitro City Racing não é exatamente ruim.
Esse é justamente o problema.
Ele funciona.
Os carros andam.
O trânsito funciona.
A velocidade é satisfatória.
Os desafios cumprem seu propósito.
Mas falta alguma coisa.
Falta personalidade.
Falta variedade.
Falta aquela mecânica que faça você pensar: "só mais uma corrida".
Em poucos minutos, você já conhece praticamente toda a proposta.
E quando um jogo de corrida consegue fazer você desejar que apareçam curvas...
Bom, temos um problema.
Nota: 5/10
História: N/A
Jogabilidade: 5/10
Gráficos: 6/10
Som: 5/10
Conteúdo: 5/10
Custo-benefício: 6/10
Nota geral: 5/10
Prós
- Boa sensação de velocidade.
- Mecânica de quase acidentes pode ser divertida.
- 10 veículos para desbloquear e personalizar.
- 54 missões no modo Carreira.
- Preço bastante acessível.
- Controles simples e acessíveis.
Contras
- Não existem corridas tradicionais.
- Falta de adversários controlados pelo jogo.
- Estradas excessivamente retas.
- Missões bastante repetitivas.
- Pouca variedade de cenários e situações.
- Melhorias dos carros têm utilidade limitada.
- Falta de um tutorial mais eficiente.
- Baixa longevidade depois que a novidade passa.
- Ausência de um sistema de ranking online que aumentaria a competitividade.
Conclusão: Nitro City Racing é para quem?
Nitro City Racing pode funcionar como uma distração barata para quem quer algo simples para jogar por alguns minutos.
Mas se você está procurando um jogo de corrida completo, com pistas variadas, curvas, adversários, ultrapassagens estratégicas e disputas pela vitória, procure em outra garagem.
Aqui, a corrida nunca realmente começa.
O semáforo abre, você acelera...
E descobre que a estrada vai continuar reta para sempre.
Nitro City Racing está disponível para PC, PS4, PS5, Nintendo Switch, Xbox One e Xbox Series X|S. A versão de Nintendo Switch também é compatível com o Switch 2.
Fonte e links oficiais
Desenvolvedora/Publicadora: eastasiasoft / Inlogic Software
Lançamento: 27 de maio de 2026
Jogadores: 1
Gênero: Corrida / Arcade
Preço oficial informado pela publicadora: US$ 4,99








